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Ghost Recon: Breakpoint – mudanças expressivas vieram com muitas referências | Análise

Novo título da franquia da Ubisoft usa elementos de vários jogos para se aprimorar, além de uma certa controvérsia que pode afetar o game para alguns

Analisado no PlayStation 4


 

Ghost Recon: Breakpoint é o sucessor de Ghost Recon: Wildlands, que apresentou uma fórmula perfeita, entregando uma experiência muito divertida e agradável, seja para missões solo, quanto para as missões coop. O game é situado em um mundo aberto e bastante amplo no quesito possibilidades, permitindo que façamos quase tudo de acordo com nossa vontade. Breakpoint se manteve superficial como seu antecessor, quando se trata de customização do personagem, infelizmente não há opções muito expressivas na hora de criar seu Ghost.

Wildlands nos apresentou um mapa gigantesco na Colômbia, com diversos vilarejos e florestas, em Breakpoint temos uma cidade futurística ambientada no arquipélago de Auroa que está localizado em algum lugar do Pacífico Sul. Esse novo título insere elementos de jogos como Assassin’s Creed, Far Cry e até Watch Dogs em sua vasta lista de itens. Essa inserção de elementos em comum é bastante promissora, mas até que ponto? Veja bem, não digo isto para degradar, e sim pra avaliar num contexto geral em como isso afetaria a identidade de cada jogo. Em minha humildade opinião, é neste momento que Breakpoint perde para o Wildlands, que se apresentou de forma simples e fluída, seja para organizar as vestimentas, conseguir recursos ou mesmo uma árvore de habilidades mais limpa. Já o Breakpoint entrega uma caçada massante por melhorias, a busca por recursos é mais árdua, temos que construir coisas, e constantemente upar a skin para garantir melhoria na defesa. Isso lembra algum jogo específico?

O jogo começa com um vídeo apresentando o lugar, mostrando as tecnologias locais com a promessa de um futuro novo e próspero para a humanidade. Mas de repente, algo estranho acontece e muita gente morre. Nesse mesmo momento, um navio militar afunda próximo a ilha e a CIA perde contato com o Arquipélago, iniciando então a Operação Greenstone. Como era de se esperar, uma equipe de Ghost é enviada para Auroa e a missão é descobrir o que está acontecendo e reestabelecer a comunicação entre os países.

Nosso primeiro contato com os Ghosts acontece justamente como em Wildlands, chegamos ao local de helicóptero apenas com a diferença de que desta vez, somos abatidos e caímos em algum local da ilha, tendo que iniciar nossa missão como sobreviventes de tal queda. E é partir deste ponto que começamos a primeira missão, que tem como objetivo encontrar o que restou de nossa equipe. No decorrer da missão, tutoriais vão se apresentando, pra facilitar a adequação das mecânicas já conhecidas do jogo anterior, e para entregar as novas que foram introduzidas. Descobrimos então que o vilão do jogo é ninguém menos que Jon Bernthal (nem era tão novidade assim, eu sei!)

Além de mecânicas novas, o jogo se alia a paisagens incríveis. A Ubisoft exagerou (no bom sentido) em sua arte realista. Assim como eu, você provavelmente vai perder alguns minutos parado buscando uma vista panorâmica de todo esse cenário. O jogo possui variação de clima, de acordo com a região que você se encontra, algo que tivemos contato em outros jogos da empresa Francesa.

Diferentemente de Wildlands, Breakpoint tem um foco especial na história, porém, com a mesma liberdade de exploração, é notável como a equipe trabalhou para preservar o máximo de realidade no jogo, mesclando com a experiência cinematográfica, que nos imerge numa atmosfera de Protagonista Vs. Antagonista que a maioria de nós tanto gosta!

A IA desse jogo me deixou um pouco irritado. Por ser um shooter tático, eu esperava inimigos mais espertos. Eles ficam perambulando o perímetro sem preocupação e você consegue facilmente matá-los. O jogo trouxe também uma barra de estamina que em alguns momentos eu achei muito real, trazendo um clima mais realístico para o jogo, em momentos que você está sendo perseguido por um helicóptero, por exemplo. Mas odiei em outros momentos, pois essa barra acaba muito rápido.

Os gráficos são impressionantes, eles apresentam cenários mais vastos e complexos, quando comparado ao Wildlands. As florestas abertas, fechadas e regiões montanhosas geladas são maravilhosas, o capricho que os caras tiveram com as texturas vai te fazer aplaudir com os pés, porque as mãos estarão segurando o controle. O jogo todo tá muito bonito, mas eu, particularmente gostei da noite. Os efeitos de luz e sombra são bárbaros! As mudanças climáticas estão bem reais também, o nascer e o pôr do sol estão ricamente trabalhados.

Um fator importante que agregou realidade à experiência é a movimentação mais pesada, simulando todo o peso que o personagem carrega, entre eles: colete, faca, armas e mochila. Ou seja, a forma como você se desloca precisa ser mais tática e todo movimento deve ser feito com extremo cuidado, além de que a quantidade de equipamento que você carregar afetará diretamente a mobilidade do personagem, então minha dica é: Se prepare antes de cada missão! Mirar ainda é fácil e muito fluido e continua possível escolher entre a mira em 1ª e/ou 3ª pessoa.

Falando francamente, eu gosto de uma movimentação mais rápida e tive um pouco de dificuldade para me acostumar com a nova proposta, então pode ser que não agrade alguns jogadores mais apressadinhos. Outra novidade no jogo é que se o seu personagem estiver ferido, ele vai andar com dificuldade de marcha e algumas escoriações vão aparecer no corpo, com apenas um botão você habilita o MedKit e o personagem vai se enfaixar, recuperando a vida e os movimentos normais. Algo que pode ser visto em Far Cry.

Stealth continua sendo a melhor opção para completar as missões. Chegar nos objetivos igual o Rambo ou o próprio Rico Rodriguez (de Just Cause) nem sempre é aconselhável. O jogo traz pela primeira vez também, a possibilidade de camuflagem com lama. Se rastejar na lama com um silenciador equipado na arma se torna prazeroso com essa nova habilidade. Os destinos das missões não ficam marcados no mapa como de costume, agora você utiliza diálogos com NPCs ou busca por pistas sobre o local onde a missão deve acontecer. Se você jogou Assassin’s Creed Oddyssey, provavelmente já está habituado a este esquema. Caso você não goste dessa opção, existe a possibilidade de ativar um modo antigo, indo na opção de “Modo Guiado”. Outro elemento retirado de Assassin’s Creed Oddyssey é a nivelação de inimigos. Se por acaso o reforço for chamado, soldados mais fortes virão e consequentemente darão mais trabalho. Em um momento da primeira missão eu me deparei com alguns no mapa e o jogo me aconselhou que ainda não era a hora de eu enfrentá-los (fui teimoso, enfrentei e morri).

Pilotar motos e dirigir os jipes se tornou uma experiência mais satisfatória do que no jogo anterior. Mas infelizmente a física do jogo ainda está estranha e em nada lembra o que temos em GTA V, por exemplo. O medo da maioria dos gamers, em relação a Ubisoft, é a quantidade de bugs no lançamento do jogo, e eu preciso dizer isso: NÃO SE PREOCUPEM!

O jogo apresenta pequenas falhas gráficas, como por exemplo, a arma desaparecendo da mão do personagem, mas ela volta tão rápido quanto sumiu. Não é nada grave ou que comprometa o desenvolvimento das missões. Acredito que já seja solucionado na primeira atualização. O game não decepciona no quesito SONORIDADE. Os sons de explosões, tiros, é tudo muito calculado e preciso. As vozes e o barulho das armas sendo recarregadas estão impecáveis!

Experimentei o modo Coop com um jogador aleatório que encontrei no lobby e gostei da experiência. Não foquei muito na missão, meu foco foi a estabilidade do servidor e em como ele se comportava em função dos gráficos, e fiquei muito satisfeito com o resultado. A minha interação com o jogador foi bem dinâmica, não tive problemas com travamentos. Não sei como tudo isso se aplica com 4 players no mesmo servidor, mas a princípio, está tudo muito funcional.

Breakpoint trouxe mudanças expressivas no jogo como um todo. Definitivamente vai surpreender quem achou que seria um Wildlands 2.0. Essa jogabilidade mais realista traz uma roupagem nova pra série, o que pode dificultar um pouco pra quem estava acostumado com toda aquela agilidade do jogo anterior. Lootear armas no mapa se tornou randômico e a quantidade de armas no jogo é absurda, o que torna muito mais fácil a troca de equipamentos durante a jornada.

Li um texto reclamando de microtransacões em Ghost Recon Breakpoint e acredito que não seja algo positivo para o game. Eu não me deparei com isso, pois não foi meu foco. Microtransacões em jogos desse porte, vendidos por valores exorbitantes que só os brasileiros conhecem, acaba sendo um tipo ofensa para o consumidor. O jogo em si, oferece muitos itens na imensidão do mapa, então, acredito que neste caso, seja algo opcional e vai depender do que você decide fazer, ou não, com seu dinheiro. Eu particularmente não acho certo o famoso PAY TO WIN, e é por isso que ignoro completamente a existência desse tipo de manobra que as empresas fazem dentro dos jogos.

No geral, Ghost Recon Breakpoint não decepciona. Ele agrega conflitos intensos, jogabilidade realística, paisagens exuberantes, com muita violência e tiroteio desenfreado. A Ubisoft acertou mais uma vez, então não se deixe levar por medos do passado ou por comentários tendenciosos sobre a qualidade da empresa, o jogo está incrível, tropeçando em alguns momentos, mas mantendo o jogador preso ao game do começo ao fim!

Tom Clancy's Ghost Recon: Breakpoint

9.5

Nota

9.5/10

Positivos

  • Qualidade das Texturas e Gráficos
  • Jogabilidade realista

Negativos

  • Customização do personagem inexpressiva
  • Busca massante por melhorias
  • IA irrelevante

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