Jogo analisado no Meta Quest 2
Peaky Blinders: The King’s Ransom é um jogo de ação e aventura desenvolvido e distribuído pela Maze Theory. O título é exclusivo para a realidade virtual e está sendo lançado hoje, 09/03/2023 nas plataformas Meta Quest 2 e PICO 4 com uma versão de PCVR prevista, mas ainda sem data de lançamento.
Fazia tempo que não me divertia tanto com um jogo feito para VR. Desde o lançamento de Half-Life: Alyx em 2020, nós cobrimos e testamos vários outros títulos exclusivos de VR mas nenhum realmente chamou a atenção, pois sempre faltava aquele algo a mais, aquela cereja no bolo que Alyx trouxe ao realmente fazer uso da liberdade e a física que a realidade virtual proporciona. A lista é grande e inclui franquias consolidadas como Medal of Honor e Sniper Elite que tiveram lançados seus títulos para VR trazendo experiências divertidas, mas sem fazer uso de todos os recursos desta plataforma em prol de uma jogabilidade mais arcade com interações limitadas.
Bom, se você estava preocupado com Peaky Blinders: The King’s Ransom pode ficar tranquilo, pois o título está sendo desenvolvido pela Maze Theory, uma empresa formada por veteranos na indústria e com experiência em realidade virtual. A Maze Theory é a responsável pela primeira adaptação da popular série Doctor Who para realidade virtual com Doctor Who: The Edge of Time e agora traz uma adaptação de Peaky Blinders.
Chega de enrolação, Peaky Blinders: The King’s Ransom é o primeiro título feito para realidade virtual inspirado pela série Peaky Blinders. O jogo traz uma aventura interativa bastante imersiva que sofre com as limitações das plataformas VR standalone, mas com certeza é uma experiência casual que todo usuário precisa experimentar.
Essa aventura se passa na Inglaterra em 1928 e aqui nós iremos jogar como um desertor da primeira guerra que está em fuga e consegue abrigo com os Peaky Blinders através de um pedido de Arthur Shelby. Após uma pequena introdução, nós somos apresentados ao líder do bando Tommy Shelby que nos dá a tarefa de recuperar a maleta vermelha “Red Box” de Winston Churchill, esta que foi roubada e contém as identidades secretas de todos os agentes secretos britânicos.
A história é interessante e a jornada contém vários detalhes e referências a série original, uma fórmula que deixará qualquer fã querendo mais. Esta aventura nos levará para Birmingham e Londres e durante a jogatina iremos passar por vários locais icônicos da série que incluem o Garrison Pub, Charlie Strong’s Yard e Shelby Betting Shop. Apesar de menores em tamanho, a maior parte dos locais possui salas e lugares para se explorar e no geral temos vários detalhes que fazem com que as localidades se pareçam bastante com as originais.
Além das localidades, a imersão ganha um toque a mais com a utilização de personagens da série que também estão presentes no jogo, com atenção especial ao líder da gangue Tommy Shelby que foi dublado pelo ator Cillian Murphy e seu irmão cristão do velho testamento Arthur Shelby, dublado pelo ator Paul Anderson. No geral os personagens foram bem feitos, mas por causa das limitações de hardware da plataforma, os modelos estão um pouco desproporcionais e em um estado um pouco rústico principalmente os detalhes dos rostos, mas não se preocupe pois mesmo não sendo perfeitos é fácil reconhecer as faces familiares.
Como dito mais acima, infelizmente a maioria dos jogos feitos para VR não utilizam os recursos que a plataforma proporciona e felizmente este não é o caso aqui. Peaky Blinders: The King’s Ransom é uma experiência imersiva e interativa, com bons controles, muitas interações e física.
A Maze Theory acertou ao fazer uso de toda a imersão que a realidade virtual possibilita e em The King’s Ransom é possível interagir com quase tudo que está ao seu alcance no cenário. Podemos fazer desde coisas simples, como abrir gavetas, coletar documentos, jogar dardos e escrever em quadros, até interações um pouco mais complexas como acender e fumar cigarros, abrir garrafas, tomar whiskey, ligar lamparinas, consertar rádios e até acender e arremessar molotovs.
A todo o momento você é induzido a interagir com o mundo, pois existem muitos itens colecionáveis escondidos pela área e para consegui-los será necessário explorar o arredor. Temos física e colisão que ditam todas as interações de objetos, sendo possível quebrar copos, caixas e praticamente não existem partes do cenário sem física, ou seja, é preciso tomar cuidado ao manusear objetos pois você não vai passar suas mãos através de uma mesa ou parede.
Em contrapartida às boas interações, o jogo traz um sistema de tiro bastante simples e uma progressão linear. O sistema de combate é praticamente todo arcade, não temos coldre de munições e nem mecânica de recarga de arma e por este motivo os combates são previsíveis e fáceis de serem antecipados, pois os cenários onde o tiroteio irá acontecer são compostos por várias caixas de munição e molotovs que devem ser utilizadas pelo jogador. A recarga de armas não é automática, mas também não é complexa e basta o jogador retirar o carregador sem balas da arma para colocar o novo ou simplesmente aproximar o carregador novo para a substituição acontecer automaticamente.
Os controles são bons e o jogo é acessível, com modos de jogo sentado ou de pé, controles de câmera snap e smooth, movimentação por analógicos ou teleporte e vinheta para quem sofre de motion sickness. O lado ruim é que a velocidade de movimentação e corrida estão um pouco lentas e o botão de grab não tem modo alternativo, sendo preciso segurá-lo constantemente caso queira manter um item na sua mão.
Por se tratar de um jogo desenvolvido para as plataformas Meta Quest 2 e PICO 4, ambas com dispositivos de hardware limitado, o jogo acaba sofrendo com uma qualidade gráfica bastante inferior aos títulos de PC VR, mas boa para estes dois dispositivos.
Graficamente o jogo está legal e embora os personagens sofram com a falta de detalhes, os cenários foram bem modelados, os itens estão bem construídos, sendo possível ler textos em jornais, notas e também embalagens. A trilha sonora está boa, mas o melhor aqui é a dublagem dos personagens que foi muito bem feita e leva em conta os sotaques da época.
O desempenho é satisfatório, mas existem muitas telas de carregamento e uma quantidade enorme de bugs. Por conta das limitações de hardware, os desenvolvedores tiveram de separar as localidades em pequenos mapas, ou seja, toda vez que for entrar em algum novo local será necessário carregar o mapa e isso acaba incomodando depois de algum tempo. O lado bom é que sempre tem coisa para fazer, itens para se interagir e áreas para se explorar em cada localidade, então você acaba passando um tempo em cada local antes de ver outra tela de carregamento, mas isso se conseguir enfrentar os bugs.
Sim, o jogo está com problemas e os desenvolvedores já confirmaram uma atualização prevista para 13/03/2023 que irá trazer várias correções. Mas enquanto o patch não chega, espere encontrar várias falhas que vão desde a manipulação de itens com suas mão e objetos ficando presos no cenário, itens desaparecendo, inimigos imortais, até problemas com paredes invisíveis. A lista é grande e inclui desde problemas pequenos que podem ser ignorados, até outros que irão forçar o reinício do save game ou do jogo.
No final, Peaky Blinders: The King’s Ransom traz uma aventura divertida com muita imersão e interação, uma experiência que com certeza irá agradar aos fãs da série, mas ao mesmo tempo pode não atender aos jogadores mais hardcore, pois a jogabilidade aqui é arcade e a dificuldade é casual. O preço cobrado é justo pela experiência, porém o jogo só está disponível em plataformas sem preços regionais e por isso o título acaba saindo por um preço salgado pois o valor é cobrado em Dólares Americanos (USD). Mesmo com alguns problemas e com um custo salgado, eu posso recomendar este título a todos os entusiastas de VR e principalmente para os fãs da série, mas já adianto que é mais interessante esperar por uma promoção.
