Land of Towers – Praticamente um simulador de marcenaria/carpintaria | Análise

Nem todo jogo precisa de ação e combate para ser divertido.

Analisado no PC com o Quest 2


Land of Towers é um jogo de aventura e construção desenvolvido e distribuído pela 2 Devi LLC. O título foi lançado em 23/01/2023 e atualmente só possui uma versão para PCVR.

Nem todo jogo precisa de ação e combate para ser divertido. Land of Towers é um título que sai fora desta regra ao trazer uma aventura calma, sem combates ou pressões acompanhada de um sistema de construção interessante que explora a criatividade do jogador, mas que a todo o momento é afetado pela falta de acessibilidade e recursos de qualidade de vida.

Nesta jornada nós assumimos o papel de um zelador de uma torre de vigia e o objetivo aqui é cuidar e tentar manter o local de pé. Para isso será necessário realizar reparos, construir ferramentas e utensílios, bem como reaproveitar restos de entulho que seriam descartados. A história aqui serve mais como uma justificativa para dar um rumo a ser seguido pelo jogador, temos duas aventuras que contém objetivos a serem alcançados servindo como um grande tutorial e um modo sandbox com tudo liberado onde é possível explorar a sua criatividade.

O sistema de construção é bem interessante e tenta seguir os padrões reais de física com uma temática medieval. Para construir os utensílios, móveis e estruturas serão necessários muitos pregos, tábuas, chapas e outros, a lista é grande e parte dos itens precisam ser forjados ou modificados com o auxílio de ferramentas e também de uma forja.

Tudo aqui é bastante metódico e praticamente não existe ajuda, ou seja, é necessário remover ou colocar prego por prego, madeira por madeira. Por um lado, está jogabilidade é interessante pois deixa o sistema de construção mais fiel porém por outro, o sistema é muito cansativo pois ao mesmo tempo que você precisa utilizar item por item, também é necessário carregar item por item e ferramenta por ferramenta. Para tentar facilitar a vida do jogador, temos um pequeno inventário e um sistema de congelamento de itens, mas novamente é necessário coletar e adicionar item por item no limitado espaço e apesar de ser útil para se organizar e centralizar itens, o sistema de congelamento é um pouco impreciso e não pode ser usado por exemplo para martelar um prego.

Os controles são um mix, inicialmente o jogo só possuía movimentação por teleporte mas depois de um atualização tivemos a introdução de movimentação pelos analógicos, nas câmeras podemos alternar entre snap e smooth turn e além disso é possível escolher entre modo sentado ou de pé. Os controles são simples e funcionam, mas faltam melhorias de qualidade de vida, acessibilidade e mecânicas básicas como a possibilidade de subir escadas e mãos magnéticas para facilitar a aquisição de itens.

Para um jogo que tem a finalidade de criar uma experiência para todos, essa falta de recursos acaba tornando a jogabilidade bastante cansativa e pode ser um impedimento para alguns jogadores, pois você precisa repetir ações simples, se abaixar por diversas vezes e é difícil alcançar itens em cima de mesas e no alto de prateleiras.

O título foi desenvolvido na Unreal Engine e como já era de se esperar os gráficos são legais, com uma linda paisagem de fundo e boas texturas nas estruturas e utensílios. A trilha sonora é boa e você irá fazer suas construções acompanhado de uma trilha ambiente que envolve desde pássaros cantando, até lobos uivando.

O desempenho é satisfatório, mas o jogo contém alguns pequenos bugs. Jogamos com uma placa de vídeo Radeon 6750XT que é mais do que capaz de rodar VR e por algum motivo o jogo mantinha ativado automaticamente o FSR com uma baixa resolução, o que acabou afetando na qualidade de renderização dos objetos e cenas. Além deste problema também encontramos inconsistências nas caixas de interações de alguns objetos como tábuas, o que acabava dificultando a manipulação principalmente quando era preciso retirar o item do chão e por algum motivo os itens têm a tendência de ficarem presos em partes do cenário, problema que ocorria com certa frequência ao construir algo perto de uma parede.

No final, Land of Towers traz uma proposta interessante com uma jogabilidade calma que dá liberdade para o jogador explorar sua criatividade. O título tem potencial, mas no seu estado atual ele necessita de várias melhorias de qualidade de vida, pois seus sistemas são cansativos e sua acessibilidade não é das melhores. O preço cobrado é justo e eu prefiro indicá-lo no seu estado atual somente para quem se interessar.

Confira no vídeo de gameplay as primeiras impressões de Land of Towers:

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