Analisado no PC
Ravenbound é um jogo de ação e aventura roguelike, desenvolvido e distribuído pela Systemic Reaction. O título foi lançado em 30/03/2023 com versão disponível para PC.
Trazendo um combate interessante em conjunto com várias questionáveis decisões de design, Ravenbound é uma chama que se apaga muito rápido, o jogo tem potencial, mas não consegue desenvolver nada muito bem.
Esta aventura roguelike se passa em Àvalt, uma ilha que era guardada por seis deuses até que um se rebela e se volta contra os outros cinco. Na tentativa de conter o rebelde os deuses utilizam sua energia para criar um corvo mágico que combateria o agressor, o processo é penoso e os deuses acabam enfraquecidos caindo nas garras do malfeitor, mas o corvo consegue escapar e agora a tarefa de combater essa ameaça está nas mãos de guerreiros dignos o suficiente para empunhar a magia do corvo.
Com essa premissa nós embarcamos em uma aventura roguelike com muito combate, exploração e um sistema de cartas, mas não espere por nada épico pois embora o início seja legal, nada aqui é bem desenvolvido e temos várias escolhas de design que simplesmente não fazem sentido.
A jogatina aqui é dividida entre exploração e combate em um grande mapa aberto com belas paisagens e várias cores vivas. Para percorrer as distâncias o jogador pode utilizar altares para se transformar no corvo, tarefa essa que irá ocupar parte da sua jogatina pois as distâncias são grandes e o mapa é vazio, não temos praticamente nenhum inimigo entre as áreas de combate, restando ao jogador correr para o altar mais próximo para se transformar em corvo sempre que limpar uma área.
O combate é certamente o ponto mais alto dessa experiência. Ravenbound utiliza um sistema de combate divertido com muita ação e combos que envolvem esquiva que nos dá frenzy e bloqueio que deixa o personagem invulnerável por alguns frames. Durante a jogatina você irá enfrentar vários tipos de monstros diferentes, alguns atacando em grupos, outros solo e também chefes, cada um destes envolverá alguma estratégia, seja derrubada, esquiva ou bloqueio e acertar o tempo dos ataques é essencial para a desenvoltura do combate, fato este que também é o calcanhar de Aquiles desse sistema.
Infelizmente após avançar um pouco na campanha, você irá se encontrar utilizando basicamente o combo de esquiva e dois ataques, pois a quantidade de inimigos ou o padrão de ataque dos chefes não abrem espaço para outras estratégias, salvo algumas situações específicas. Por causa disso, o combate acaba ficando extremamente repetitivo com o tempo e os sistemas de aleatoriedade trazidos pelo gênero rogue não ajudam nem um pouco a amenizar esta situação, na verdade eles pioram.
Sim, este é um jogo roguelike e os aspectos rogue aqui envolvem desde a criação de personagem até o sistema de cartas que dita os itens, habilidades e a dificuldade. Antes de começar a jogatina é preciso escolher um dos guerreiros e tudo aqui é aleatório, cada um vem com aparência, armas e habilidades específicas, é possível rodar os dados para resetar e tentar conseguir um guerreiro melhor, mas não espere muito pois o sistema definitivamente não está do seu lado.
O sistema de cartas do jogo fica em cargo dos itens, melhorias, habilidades e da dificuldade de cada tentativa. Você irá conseguir cartas em praticamente todas as atividades, seja concluir missões, limpar acampamentos, derrotar chefes e também quando morrer liberando novas opções para a próxima tentativa. Para utilizá-las é preciso de mana e também de espaço, temos diversas combinações que envolvem melhorias como aumento de vida, dano, defesa e equipamentos, mas também punições com cartas de ódio fixas que aumentam o dano, vida e defesa de chefes.
Se por um lado as cartas são interessantes, na prática o sistema é bastante punitivo e você sofre por explorar e jogar, pois caso saia limpando cada acampamento as chances de acumular cartas de ódio aumenta e a tentativa acaba ficando impossível de ser concluída. Mas este fato é só uma ponta deste iceberg, pois este é um roguelike e todo o sistema de cartas também é aleatório, o jogador acaba tendo de se entregar para a sorte de conseguir boas combinações e também mana o suficiente para utilizar as cartas. O jogo simplesmente não te ajuda e caso você não consiga certas combinações, alguns chefes acabam se tornando impossíveis de serem derrotados somente com habilidade.
Como dito no começo, o título tem potencial mas sofre com decisões de design questionáveis e a maior delas é a necessidade de conexão para se jogar uma aventura single player. Você não leu errado, Ravenbound é um título single player “always online” que requer uma conta “Avalanche Apex Connect” para ser acessado e qualquer falha de conexão faz com que você perca seu progresso. Os desenvolvedores justificaram essa necessidade de conexão com a desculpa de conseguir feedback para ajustes mais rápido e com isso introduzir recursos sociais nessa aventura single player, isso simplesmente não faz sentido visto que títulos como a franquia Souls possuem modos multiplayer e também trazem opções single player.
No final, Ravenbound é mais um título com potencial que acaba não conseguindo se desenvolver, após as primeiras tentativas esta aventura acaba se tornando bastante repetitiva, seu mundo é grande e vazio e os sistemas rogue não ajudam nem um pouco. O preço cobrado é justo, contudo, por conta dos problemas e da necessidade de se estar conectado para se jogar um jogo single player eu prefiro recomendar este título somente para quem se interessar, para os demais acaba sendo melhor esperar por uma promoção.
