Analisado no PC
Liberté é um jogo de ação roguelike com construção de baralhos, desenvolvido pela Superstatic e distribuído pela Anshar Publishing. Inicialmente como um acesso antecipado, o título teve sua versão final lançada em 23/05/2023 para PC e provavelmente receberá adaptações para consoles no futuro.
Trazendo um conceito e história interessantes, Liberté infelizmente é ofuscado por problemas no seu sistema de combate e por se apoiar demasiadamente nos elementos rogue para estender seu tempo de jogo.
A trama se passa em 1789 em Paris, durante a Revolução Francesa no dia da coroação com o evento sendo interrompido por acontecimentos com criaturas misteriosas. Nós iremos acompanhar essa jornada no papel de Rene, um servo de uma criatura de outra dimensão chamada Lady Bliss que nos dá a missão de escolher quem irá se tornar no novo rei da França. A história é interessante e você será apresentado as quatro facções que lutam pelo poder em uma aventura cercada de mistérios, porém os elementos que cercam a jogatina fazem com que a trama demore demais para se desenvolver.
Assim como em todo roguelike, Liberté tem um ciclo de jogo baseado na repetição, onde a cada morte você é forçado a recomeçar do início, porém tecnicamente sempre mais forte e com um diferencial de manter as histórias que você conseguiu completar. Para começar cada tentativa é possível escolher o corpo do personagem e seu baralho de habilidades, este que tem opções fixas, mas também pode ser customizado pelo jogador. A partir daí você parte para uma jogatina que envolve correr pequenos e repetidos cenários, enfrentando inimigos e completando objetivos até chegar no chefe final, derrotá-lo ou não será a chave para ter de reiniciar o nível ou partir para o próximo.
No papel o sistema é interessante, contudo, nada aqui flui de maneira satisfatória. O sistema de cartas é bastante punitivo e força o jogador a descartar cartas que já são poucas para conseguir mana, o grind para se liberar novas vantagens e conseguir recursos é enorme e te faz perder muito tempo, mas o pior de tudo é o combate. Infelizmente o combate é ruim e traz caixas de dano extremamente imprecisas que fazem alguns confrontos serem demasiadamente frustrantes, pois você nunca sabe a hora certa de se esquivar ou quando estará salvo de algum ataque inimigo, fora isso ainda temos de conviver com bugs e personagens travando no cenário, além da baixa variedade de elementos que também não ajuda.
A ambientação do jogo é simples e temos pouca variedade de tudo. Graficamente o jogo é até legal e os cenários que temos estão bem feitos, contudo não existe variedade de modelos e você irá se sentir passando pelos mesmos lugares, enfrentando os mesmos inimigos sempre. A trilha sonora traz como seu maior ponto a dublagem de todos os personagens principais, pois os efeitos no geral são genéricos e não impressionam. A baixa variedade de modelos combinada ao fator rogue que nos força a recomeçar os níveis, acaba sendo um grande tiro no pé, pois a experiência se torna repetitiva com pouco tempo de jogo.
No final, Liberté é mais um jogo com um conceito interessante que acaba se escorando demais nos elementos rogue para criar seu ciclo de jogo, a experiência no geral não é das melhores pois o jogo se torna repetitivo rapidamente por causa de sua pouca variedade de modelos e seu combate ruim. O preço cobrado é ok, contudo por conta da experiência, eu prefiro recomendar este título somente para quem se interessar, do contrário é melhor passar longe.
