O universo dos games retrô reacendeu nos últimos anos, e com isso o debate entre a paixão por reviver clássicos e a necessidade comercial de escolher projetos que trarão retorno. Em entrevista ao site VGC, Wade Rosen, CEO da Atari, revelou quais jogos estariam no topo da sua lista pessoal de desejos para um remaster: Panzer Dragoon Saga (Sega Saturn), Ogre Battle (SNES/PS1) e Snatcher (Konami).
Rosen comenta:
“A vida é curta, sabe? Eu tenho meus favoritos também. Se a gente pudesse trabalhar em Panzer Dragoon Saga, Ogre Battle ou Snatcher, eu ia lutar pra fazer acontecer – mesmo sabendo que talvez não seriam sucessos explosivos, seria um sonho estar envolvido nesses projetos.”
O desafio: paixão X retorno financeiro
Segundo Rosen, a Atari sempre busca um equilíbrio: lançar remasters ou relançamentos que misturem apelo comercial e paixão da equipe.
- Exemplo do sucesso esperado: Mortal Kombat: Legacy Kollection — projeto que movimenta fãs, empolga a equipe e tem forte potencial de vendas
- Exemplo de paixão: o próximo Outlaws Remaster, que pode não atingir grandes números, mas atende ao desejo do time de trabalhar em algo cult e querido
“Se a empresa fosse apenas ‘vamos fazer só o que Wade quer’, a Atari acabava em pouco tempo. Mas se é só por números, a equipe perde o propósito criativo.”
Detalhe dos “sonhos” de Wade Rosen
- Panzer Dragoon Saga (Sega Saturn, 1998)
Considerado uma lenda dos RPGs, destacou-se por sair da fórmula rail shooter clássica e trazer combate por turnos, mas sofreu com problemas de produção e uma tiragem super limitada.
- Ogre Battle (SNES, PS1)
Uma das franquias de estratégia mais cultuadas, hoje sob a guarda da Square Enix. Rosen reconhece que um retorno desse tipo depende mais da dona dos direitos.
- Snatcher (Konami, 1988)
Aventura cyberpunk dirigida e roteirizada por Hideo Kojima, considerada precursora de muitas ideias depois exploradas em Metal Gear.
O equilíbrio decisivo nos negócios
Rosen faz uma analogia sobre a importância de “andar no fio da navalha”:
“Muito número esmaga o espírito criativo; muita paixão, você não sustenta a empresa. O ideal é quando os dois andam juntos.”
A Atari, segundo o CEO, debate coletivamente os projetos de remaster, mas sempre abre espaço para propostas que expressem o desejo da equipe e, vez ou outra, arrisquem em relançar clássicos mesmo sem 100% de certeza sobre o retorno financeiro.
