Yakuza Kiwami: Kiryu ganhou um casa portátil no Switch 2 | Análise

Port traz 60 fps sólidos, visual caprichado e todo o drama e caos de Kamurocho para a palma da sua mão.

Analisado no Nintendo Switch 2


Yakuza Kiwami mal tinha chegado ao Switch original e a Sega já tratou de relançar o jogo numa versão “turbinada” para o Switch 2. Não é um remaster cheio de extras nem uma versão director’s cut: é basicamente o mesmo Kiwami que você já conhece, mas finalmente rodando do jeito que essa mistura de novela de máfia, porradaria e minigame absurdo sempre mereceu em um portátil.

A diferença mais gritante está na performance. No Switch 2, Kiwami roda travadinho em 60 fps e, a olho nu, isso não desaba em momento nenhum, nem com a tela cheia de yakuzas, partículas e neon piscando. Explorar Kamurocho ficou bem mais gostoso, e até as lutas mais caóticas passam aquela sensação de fluidez que a série sempre teve nos consoles mais fortes. A resolução também foi melhorada, tanto no dock quanto no modo portátil, deixando o jogo muito próximo do que a gente viu no lançamento de Yakuza 0: Director’s Cut no próprio Switch 2. Não é um salto geracional, mas é um port que você percebe realmente que fizeram direitinho a lição de casa.

Fora isso, Kiwami continua sendo aquele Yakuza clássico na estrutura: você veste o terno branco e a camisa vermelha do Kazuma Kiryu, um soldado da família Dojima que assume a culpa por um crime que não cometeu, vai preso e volta anos depois para uma Kamurocho diferente, cheia de intriga política, traição, amigos corrompidos e figuras poderosas querendo te usar ou te destruir. Temos que ser sinceros, a história é o grande motivo pra jogar: é cheia de reviravolta, joguinho de poder, lealdade, tragédia e aquele tom de drama exagerado que a Ryu Ga Gotoku domina como ninguém. O jogo é dividido em capítulos e, quase sempre, eles terminam com bons ganchos que faz você pensar “só mais um capítulo” e quando percebe já foi horas e horas de jogatina.

Ahh, lógico que se tratando de Yakuza, nada é só sério. Entre um momento de peso e outro, você se pega cantando no karaokê, jogando boliche, jogando dardos, tirando uma partidinha de sinuca, entrando em missões secundárias absurdas com cosplay, golpistas e figurões ridículos pelas ruas de Kamurocho. Essa mudança de tom, que vai do dramático ao completamente idiota em questão de segundos, é uma das magias da franquia, e Kiwami mantém isso muito bem. Em qualquer outro jogo esse contraste quebraria a imersão; aqui, faz parte da identidade do jogo e todos sabem disso.

Falando de gameplay, a base é de um brawler 3D com vários estilos de luta. Você alterna entre Acelerado (rápido, focado em esquiva), Brigão (meio-termo), Fera (pesado, boa pra pegar objetos e arremessar em todo mundo) e o estilo Dragão de Dojima, que Kiryu precisa reaprender depois da prisão. A graça está justamente em trocar de estilo no meio da briga, encaixar combos, usar o que o ambiente oferece, que vai de cones de sinalização a bicicletas que estão nas ruas, e soltar os tradicionais golpes de Heat pra humilhar quem teve a péssima ideia de arrumar treta com você.

A parte boa: ainda hoje o combate é variado o suficiente para não enjoar logo de cara, e as animações de impacto continuam excelentes. A parte ruim é que dá pra sentir a idade do design. Kiwami é, no fim das contas, um remake de um jogo de 2005, e algumas escolhas de ritmo entregam isso. Depois de algumas horas, quem é menos fã de pancadaria pode sentir o combate começar a cansar, principalmente porque a estrutura de missões é baseada em fazer o jogador ir e voltar pelas mesmas áreas, esbarrando em encontros aleatórios toda hora. A sensação de “tá bom, já entendi isso” em briga de rua aparece cedo se você só quer seguir pela história.

Os chefes em particular são um ponto meio desgastante: alguns têm barras de vida grandes demais, tomam pouco dano, derrubam você e ainda te obrigam a ficar esmagando botão para se levantar. Não é que as lutas sejam ruins, muitas delas são cinematográficas e intensas, mas podiam ser mais curtas. Não ajuda o fato de que a própria série, a partir de Yakuza 0, foi refinando essas arestas, então quando você vem de 0 pra Kiwami sente essa diferença de ritmo. Em resumo: funciona, mas envelheceu um pouco.

Kamurocho, por outro lado, envelheceu muito bem. O bairro continua sendo um dos melhores pequenos mapas de mundo aberto dos games: compacto, denso, cheio de becos, lojas, fliperamas, barzinhos e NPCs estranhos. No Switch 2, o contraste entre a noite escura e os neons coloridos salta ainda mais aos nossos olhos. Andar sem pressa, só deixando os encontros com os NPCs aparecerem, é um dos grandes prazeres do jogo. É o tipo de cenário que você decora naturalmente, como se realmente frequentasse o bairro.

Sobre a estrutura, vale o contexto: Yakuza 0 foi feito depois, mas é prequel e, em termos de design, muita gente considera o melhor jeito de começar. 0 é mais redondo em ritmo e variedade, ou seja, se você nunca encostou na franquia, começar por 0 no Switch 2 faz bastante sentido. Mas isso não significa que Kiwami seja descartável como ponto de entrada. Ele tem uma campanha mais direta, menos inchada do que alguns jogos posteriores, e reconta a história do primeiro Yakuza com visual e gameplay modernos o suficiente para não parecer uma remasterização qualquer.

Mas vale uma ressalva que faz toda a diferença. Em Yakuza Kiwami temos dublagem em japonês e inglês, mas agora com legendas e menus totalmente em português do Brasil, coisa que Yakuza 0: Director’s Cut não tem!!! E, em um jogo que a história conta muito.

Do ponto de vista técnico, o port do Switch 2 é exatamente o que você quer de uma versão portátil de um jogo com esse tamanho: framerate estável, resolução boa o bastante pra não ficar tudo borrado, loads ok e nenhum bug bizarro aparecendo o tempo todo. Não é o tipo de upgrade que vai fazer alguém que jogou no PC a 4K e 120 fps chorar de emoção, mas, se a ideia é ter Yakuza na mochila, é tranquilamente a melhor forma portátil de jogar Kiwami hoje.

Vale a pena comprar de novo só pra jogar em um portátil? Se você ama a série e curte revisitar Kamurocho no ônibus, cama ou sofá, esse port entrega exatamente isso. Não tem conteúdo inédito, não tem modo novo, não tem “versão definitiva” com cenas extras. É o mesmo Kiwami, rodando bonito e fluido no Switch 2. Se isso para você é suficiente, não perca tempo.

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