Ex-chefe de Assassin’s Creed processa Ubisoft

Marc-Alexis Côté, que liderou a franquia por quase duas décadas acusa a empresa de abuso de poder.

A Ubisoft está enfrentando um processo judicial movido por Marc-Alexis Côté, ex-chefe da franquia Assassin’s Creed, que alega ter sido forçado a deixar a empresa após uma série de reestruturações internas que, segundo ele, resultaram em uma demissão disfarçada. Côté está exigindo mais de US$ 1,3 milhão em indenizações, incluindo dois anos de salário e US$ 75 mil por danos morais.

Côté trabalhou na Ubisoft por mais de 20 anos e foi uma das figuras centrais no sucesso de Assassin’s Creed, atuando como designer, diretor e produtor. Em 2022, ele foi nomeado responsável pela estratégia global da franquia. No entanto, tudo mudou em outubro de 2025, quando a Ubisoft anunciou a criação da Vantage Studios, subsidiária apoiada pela Tencent, que passou a supervisionar as três maiores IPs da empresa: Assassin’s CreedFar Cry e Rainbow Six.

Duas semanas após a criação da Vantage, a Ubisoft divulgou que Côté havia recusado uma nova posição de liderança e optado por sair da empresa. No entanto, o próprio Côté publicou uma declaração afirmando que não pediu demissão, mas sim que foi “convidado a se afastar”, após a liderança da franquia ser transferida para outra pessoa mais alinhada com a nova estrutura organizacional.

Segundo o processo, a Ubisoft teria oferecido a Côté o cargo de “Head of Production”, que o colocaria abaixo de um novo “Head of Franchise”, função que absorveria a maior parte de suas responsabilidades anteriores. Para Côté, isso representava uma perda de prestígio e autonomia, especialmente por não poder mais liderar parcerias estratégicas, como a colaboração com a Netflix.

Mais tarde, a Ubisoft teria sugerido um novo cargo em uma possível “Creative House”, voltada para franquias de menor expressão. Côté, que se via como o “guardião de Assassin’s Creed”, considerou essa proposta um rebaixamento inaceitável.

Desorientado e ansioso com a situação, ele tirou duas semanas de afastamento para refletir. Ao final desse período, foi informado de que precisava tomar uma decisão definitiva. Côté recusou a nova função e exigiu indenização por demissão sem justa causa. No dia seguinte, a Ubisoft anunciou publicamente sua saída, descrevendo-a como uma decisão voluntária.

O processo alega que essa narrativa de “saída voluntária” foi uma tentativa da Ubisoft de evitar o pagamento de indenização e de manter ativa a cláusula de não concorrência, que normalmente só se aplica em casos de demissão voluntária. Côté está pedindo à justiça que anule essa cláusula, além de exigir a compensação financeira.

A Ubisoft, até o momento, não comentou oficialmente sobre o caso. A ação judicial levanta questões importantes sobre governança corporativa, reestruturações internas e direitos de funcionários veteranos na indústria dos games, especialmente em um momento em que grandes estúdios enfrentam pressões de mercado e mudanças estratégicas profundas.

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