O segmento de PC gaming de entrada está sob ameaça direta, e o fator decisivo não é a placa gráfica, mas a memória. Com os custos de DRAM a subir de forma consistente, analistas apontam que, em poucos anos, pode simplesmente deixar de fazer sentido comercial fabricar máquinas “budget” voltadas para jogos.
De acordo com um novo relatório da Gartner, partilhado pelo Wccftech, o mercado de PCs voltados para gaming poderá registar em 2026 uma queda de até 10,4% nas unidades vendidas. Mais alarmante do que a retração em si é a previsão de que o próprio conceito de PC “budget”, aquelas máquinas entre 500 e 1000 dólares, tende a desaparecer desse segmento,.
O problema está na base da cadeia: aumentos sucessivos no preço da DRAM e dificuldades na obtenção de componentes tornam cada vez mais complicada a montagem de equipamentos de entrada sem repassar quase todo o impacto para o consumidor final. Quando a memória deixa de ser um item “barato” e passa a pesar significativamente no custo total, a margem de manobra das fabricantes evapora.
Na prática, isso significa que os PCs posicionados como gaming acessível serão os primeiros a sofrer. Configurações entre 500 e 1000 dólares, que tradicionalmente serviam como porta de entrada para o jogador de PC, ficam espremidas entre a pressão de custo dos componentes e a expectativa de performance mínima em jogos modernos, criando um cenário em que o produto deixa de ser competitivo.
Diante desse contexto, a Gartner projeta um comportamento defensivo por parte do consumidor: em vez de atualizar com frequência, muitos jogadores vão optar por adiar a compra de novas máquinas e prolongar a vida útil do hardware atual. As fabricantes, por sua vez, já estariam a preparar-se para uma retração significativa das vendas, seja pela recusa do público em absorver os aumentos, seja pela própria dificuldade em produzir unidades num preço considerado aceitável.
Se a tendência se confirmar, o PC gaming caminha para uma polarização mais acentuada, com foco em setups de médio e alto desempenho, enquanto a “porta de entrada” se torna cada vez mais cara e menos convidativa para novos jogadores, empurrando parte desse público para consoles ou cloud gaming.
