Gastos com jogos físicos nos EUA caem para mínimo histórico em 2025

Segundo dados da Circana, vendas de mídia física recuaram para US$ 1,5 bilhão.

Em 2025, os gastos com jogos físicos nos Estados Unidos caíram para um novo mínimo histórico. De acordo com o analista Mat Piscatella, da Circana, as vendas de mídia física somaram cerca de US$ 1,5 bilhão, o valor mais baixo desde o início da série histórica da empresa, que remonta a 1995. Em termos de mercado, isso confirma uma trajetória de queda contínua para o formato em disco, mesmo que ele ainda não possa ser considerado “morto”.

Apesar de os jogos físicos ainda gerarem receita relevante, o quadro é de declínio consistente, sem sinais claros de reversão. A cada ano, as vendas digitais ocupam uma fatia maior dos gastos com games, impulsionadas pela conveniência de downloads, promoções recorrentes nas lojas online e até por estratégias de hardware: tanto a Sony quanto a Microsoft oferecem consoles sem leitor de disco, pensados para manter o jogador totalmente dentro dos seus ecossistemas digitais.

Para as fabricantes, há incentivos óbvios em priorizar o digital. Bibliotecas atreladas à conta do usuário ajudam a mantê-lo fiel a uma plataforma específica, já que migrar consola implica perder acesso direto a essas compras. Além disso, ao reduzir a necessidade de produzir discos, caixas e logística física, as empresas cortam custos e aumentam margens, ao mesmo tempo em que têm maior controle sobre preços, descontos e disponibilidade.

O movimento não é exclusivo dos EUA. No Reino Unido, por exemplo, relatórios recentes sobre o mercado físico também traçaram um cenário particularmente negativo, com quedas acentuadas na venda de discos em comparação com a expansão do digital. Em escala global, tudo aponta para uma transição gradual, mas firme, em direção a um mercado dominado por downloads e serviços, com a mídia física cada vez mais restrita a nichos de colecionadores, edições especiais e alguns segmentos de varejo.

Se há algum alívio nos números mais recentes, ele está no ritmo dessa queda. Piscatella explica que, em 2025, os gastos com jogos físicos recuaram 11% em relação ao ano anterior. Ainda é uma queda significativa, mas trata‑se do menor declínio anual desde 2021 e uma melhora considerável quando comparado a 2024, ano em que o recuo foi de 28%. Em outras palavras, o mercado físico continua a encolher, mas não tão abruptamente quanto poderia se imaginar.

O quadro que se desenha é o de uma mídia que não desaparece de imediato, mas perde relevância ano após ano, enquanto o digital se torna o padrão de consumo. Para muitos jogadores, especialmente os mais jovens, comprar em disco já não é a forma “natural” de adquirir games, e sim uma opção específica, seja pela vontade de colecionar, pelo gosto pela capa na estante ou por preferir algo tangível em vez de um arquivo atrelado a uma conta online.

Num cenário em que consoles sem leitor se tornam mais comuns, as lojas físicas de jogos se retraem e os serviços por assinatura ganham força, o futuro da mídia física parece cada vez mais ligado a um público apaixonado, mas minoritário, enquanto o grosso do mercado segue firme na direção do totalmente digital.

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