De acordo com um novo relatório da Bloomberg, a Sony estaria a recuar na sua estratégia de levar os principais jogos single-player do PlayStation 5 para o PC. Citando fontes familiarizadas com os planos da empresa, a publicação afirma que os futuros grandes exclusivos narrativos da marca passarão a ser, novamente, títulos apenas de consola, pelo menos no cenário atual.
Nos últimos anos, a Sony vinha a seguir uma linha relativamente clara: lançar o jogo primeiro no PlayStation, depois, passado algum tempo, levá-lo ao PC para alcançar um novo público e aumentar a receita a partir do catálogo já estabelecido. Exemplos disso incluem Ghost of Tsushima, Spider-Man, God of War (2018) e Horizon Zero Dawn, entre outros. No entanto, o relatório indica que esta abordagem poderá estar a mudar de forma significativa.
Segundo a Bloomberg, enquanto Ghost of Tsushima recebeu um port para PC alguns anos após o lançamento nos consoles, o seu sucessor, Ghost of Yotei, não seguirá o mesmo caminho. Planos para levar Ghost of Yotei ao PC teriam sido cancelados nas últimas semanas, fazendo dele, à partida, um exclusivo de PS5. O mesmo se aplica a Saros, o novo jogo do estúdio Housemarque (de Returnal), com lançamento previsto para 30 de abril: apesar do histórico recente da Sony, o título também não deverá receber uma versão para PC, de acordo com essas fontes.
A exceção a essa mudança de postura ficaria a cargo principalmente dos jogos multiplayer. O relatório afirma que projetos como Marathon e Marvel Tokon continuarão a ser multiplataforma, justamente porque jogos de serviço e títulos focados em experiência online dependem de comunidades grandes e ativas para se manterem saudáveis. Nesses casos, restringir o lançamento à consola poderia limitar em demasia a base de jogadores, prejudicando a própria viabilidade do jogo.
Outro ponto importante mencionado é que nem todos os títulos ligados à marca PlayStation seriam afetados. Death Stranding 2 e Kena: Scars of Kosmora, por exemplo, ainda devem sair no PC. Ambos são projetos desenvolvidos por estúdios terceiros, mas publicados pela PlayStation, o que ajuda a explicar a diferença de tratamento: contratos, acordos comerciais e estratégias conjuntas com parceiros externos podem prever, desde o início, essa presença multi-plataforma.
A Bloomberg frisa que esses planos podem mudar no futuro, de acordo com a evolução do mercado e da indústria, mas ressalta que, neste momento, a posição interna seria de que os próximos grandes jogos single-player da PlayStation não têm um futuro garantido no PC. É uma virada considerável se comparada ao discurso da própria Sony há poucos anos.
Em fevereiro de 2024, Hiroki Totoki, então presidente da Sony e chairman do PlayStation, afirmava que queria ser “agressivo” na melhoria das margens de lucro da divisão de games, e que uma parte disso passaria justamente por um maior foco em levar jogos first-party para PC. Ele explicava que, no passado, a função principal dos títulos exclusivos era popularizar o console, mas que havia uma “sinergia” em expandir esses jogos para outras plataformas, como o computador, aumentando a rentabilidade a partir do mesmo conteúdo.
O que pode ter mudado desde então? O artigo não apresenta uma razão oficial, mas sugere um fator que vem ganhando força nos bastidores: a crença de que o próximo Xbox da Microsoft será um híbrido entre PC e console, capaz de rodar jogos diretamente de outras lojas, como Steam e Epic Games Store. Numa situação assim, permitir que os grandes exclusivos single-player da PlayStation cheguem ao Steam significaria, na prática, torná-los jogáveis também em hardware Xbox, algo que a Sony, naturalmente, pode não querer incentivar.
Esse cenário colocaria a empresa diante de um dilema: de um lado, o ganho financeiro e de alcance ao colocar os jogos no PC; do outro, o risco estratégico de permitir que os seus títulos de prestígio sejam jogados, de maneira relativamente simples, no sistema do principal concorrente. Recuar nos ports de jogos single-player pode ser uma forma de proteger o valor exclusivo da marca PlayStation num momento em que as fronteiras entre PC e consola ficam cada vez mais difusas.
No fim, o quadro traçado pela Bloomberg é o de uma estratégia em recalibração. A Sony não abandona o PC por completo, continua a apoiar ali jogos multiplayer e parcerias com estúdios externos, mas passa a ser muito mais cautelosa em relação aos seus grandes épicos narrativos single-player, que historicamente são o coração da sua identidade. Se essa mudança vai se manter ou voltar a girar na direção anterior dependerá, como quase sempre, da resposta do mercado, do desempenho financeiro e de como a concorrência, em especial a Microsoft, concretizar (ou não) os seus planos para a próxima geração de hardware.
