Analisado no PSVR2 pelo PS5 Pro
Dizem que jogo de terror em realidade virtual já ganha metade do trabalho só por te colocar dentro da situação, e Maid of Sker até consegue fazer isso no começo…, mas confesso que a primeira coisa que me chamou atenção não foi o medo, foi o quanto o jogo é embaçado. E isso já me quebrou logo de cara.
Eu já conhecia Maid of Sker fora do VR, então quando vi que ele chegaria ao PSVR2 fiquei empolgado, porque a proposta de stealth + terror, onde você precisa se esconder e evitar inimigos ao invés de sair atirando, combina MUITO com realidade virtual. E a ideia aqui é justamente essa: você está em um hotel sinistro, precisa se locomover em silêncio e evitar criaturas que se guiam pelo som.
E é aí que entra uma das mecânicas mais legais do jogo.
Para não ser detectado, você precisa literalmente segurar a respiração, levando a mão até a boca. Funciona bem, é imersivo e dá aquela tensão de “se eu vacilar aqui já era”. Em alguns momentos isso realmente funciona muito bem, principalmente quando você está passando perto de inimigos e precisa controlar seus movimentos.
O problema é que nem tudo acompanha essa boa ideia.
Começando pelo maior defeito do jogo para mim: a qualidade visual. É muito abaixo do que o PSVR2 pode entregar. Tudo parece meio fora de foco, com baixa resolução, texturas simples e aquela sensação de que você está usando um VR de geração passada. Além disso, temos o famoso pop-in, principalmente em elementos do cenário como árvores, que simplesmente surgem do nada e vão “carregando” na sua frente conforme você se aproxima. Isso quebra totalmente a imersão, porque você deixa de prestar atenção no clima do jogo para ficar reparando nesses problemas técnicos.
E por falar em imersão… ela funciona, mas com algumas decisões bem estranhas. tipo quando você tenta olhar para baixo de um parapeito, por exemplo, o jogo simplesmente corta sua visão para impedir que você “avance”, meio que simulando uma limitação do jogo original fora do VR e a tela simplesmente escurece, mas em realidade virtual isso não funciona… pelo contrário, quebra totalmente a imersão.
Sobre o áudio, aí sim temos um ponto MUITO positivo.
A trilha sonora e os efeitos sonoros são excelentes e ajudam demais na tensão. Você escuta passos, sons ao longe, aquele silêncio desconfortável… isso tudo funciona muito bem e é, sem dúvida, uma das melhores partes do jogo. Em terror, som é tudo, e aqui eles acertaram.
Outro ponto positivo é a presença de legendas em português, o que sempre ajuda bastante. Mas até nisso tem um porém: quando você movimenta a cabeça, as legendas ficam meio embaçadas, e quase não dá para ler, o que é estranho e acaba incomodando com o tempo pois temos que manter a cabeça parada enquanto lemos.
O jogo também traz opções de dificuldade que mudam bastante a experiência.
No modo História você praticamente passeia pelo jogo, com mais recursos sem nenhum inimigo para te agredir. O modo fácil é parecido com o História, mas já traz inimigos que podem te abater, mas temos muitos itens de cura em compensação. Já no normal a coisa começa a ficar mais equilibrada, exigindo mais cuidado com som e recursos. E no difícil… aí o jogo pesa mesmo, com inimigos mais atentos, menos itens e até limitação na hora de salvar, o que aumenta bastante a tensão.
Então sim, dá para ajustar a experiência dependendo do que você quer, mais história ou mais desafio.
No fim das contas, Maid of Sker VR é aquele jogo que tinha TUDO para ser excelente no PSVR2, principalmente pela proposta de stealth e tensão com a mecânica de respiração, mas acaba tropeçando feio na parte técnica.
Minha consideração final é que ele é um jogo interessante, tem boas ideias e consegue criar momentos de tensão, mas a qualidade visual atual não faz jus ao headset, dá aquela sensação de que faltou polimento ou talvez mais tempo de desenvolvimento. O jogo pode ser terminado entre duas horas e meia a cinco horas dependendo do seu desempenho, habilidade ou se quiser pegar todos os itens e troféus.
Ainda assim, fico na esperança de que atualizações futuras melhorem isso, porque o potencial está ali… só precisa ser melhor aproveitado.
