Analisado no PSVR2 no PS5 Pro
Dizem que jogos de terror em realidade virtual conseguem transformar qualquer corredor simples em algo assustador… e Evil Inside claramente aposta exatamente nisso. O problema é que enquanto eu jogava, fiquei me perguntando várias vezes se aquilo realmente era um jogo… ou apenas uma experiência curta tentando se apoiar totalmente na nostalgia de PT.
E sinceramente? Em muitos momentos parece mais a segunda opção.
Para quem conhece PT, aquela famosa demo cancelada de Silent Hills, vai perceber a inspiração literalmente nos primeiros minutos. Corredores em loop, acontecimentos estranhos surgindo aos poucos, mudanças sutis no cenário, aquele clima pesado… está tudo aqui. E quando digo “inspirado”, é inspirado MESMO, porque tem horas que parece quase uma homenagem descarada. Só que PT funcionava justamente porque tinha um mistério absurdo por trás, uma tensão psicológica crescente e várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. Já Evil Inside tenta seguir essa fórmula…, mas sem a mesma criatividade.
Isso não significa que o jogo seja ruim. Pelo contrário, ele consegue criar alguns momentos interessantes, principalmente pela ambientação. A casa é bem construída, os cenários têm detalhes legais e existe uma sensação constante de desconforto enquanto exploramos os corredores. Em VR isso naturalmente ganha mais força, porque qualquer sombra, barulho ou movimento estranho acaba ficando mais intenso quando parece estar acontecendo “na sua frente”.
Mas aí começam a aparecer os problemas técnicos.
Em alguns momentos dá para notar bastante serrilhado nas imagens, principalmente em objetos mais distantes ou em certos detalhes da casa. Também senti algumas texturas meio borradas em determinadas áreas, como se faltasse um polimento maior. Não chega a ser um desastre visual, longe disso, mas também está longe de impressionar no PSVR2. Para mim é aquele típico jogo nota 7 graficamente: funciona, cria atmosfera, mas claramente poderia ser mais bem trabalhado.
A jogabilidade segue a linha básica de exploração e puzzles simples. Pegamos objetos, abrimos portas, resolvemos pequenos enigmas e seguimos avançando pela casa enquanto coisas estranhas começam a acontecer. A interação com os objetos funciona relativamente bem, embora não seja perfeita. Tem momentos em que pegar alguns itens parece meio travado ou estranho, principalmente quando a física resolve “brigar” com você. Nada que destrua a experiência, mas também não tem aquele nível de refinamento que a gente espera em VR hoje em dia.
Agora o maior problema de Evil Inside para mim é justamente a duração. O jogo é MUITO curto. Dependendo do ritmo da pessoa, dá para terminar em menos de uma hora tranquilamente. E aí entra aquela pergunta inevitável: isso vale R$ 85,50?
Para mim… não.
Eu entendo que experiências curtas podem funcionar muito bem em terror, até porque nem todo jogo precisa ter 20 horas para ser marcante. Mas aqui a sensação é que tudo acaba justamente quando começa a ficar interessante. Quando você acha que o jogo finalmente vai expandir as ideias ou trazer algo mais criativo… ele termina.
E por ser extremamente linear, também não existe muito motivo para revisitar depois. O fator replay praticamente não existe. Você termina, toma seus sustos, entende a proposta… e acabou.
No fim das contas, Evil Inside é aquele tipo de experiência que pode agradar bastante fãs de terror psicológico e principalmente quem sente saudades de PT. Ele consegue criar clima, tem alguns momentos interessantes e funciona razoavelmente bem em VR. Mas ao mesmo tempo parece um projeto pequeno demais para o preço cobrado, além de depender muito de ideias que já vimos antes.
É quase como entrar em um parque de terror rápido: você se diverte por alguns minutos…, mas quando sai fica pensando “era só isso?”
Veredito Gamers & Games
5.5
/ 10
“Evil Inside cria uma atmosfera eficiente no PSVR2 e entrega bons momentos de tensão, mas sua curta duração e limitações técnicas dificultam justificar o preço cobrado.”
