Dead As Disco – Ritmo, porrada e um roqueiro vingativo | Análise

Analisado no PC


Dead as Disco é um jogo independente dos gêneros beat ‘em up e ação rítmica, desenvolvido e publicado pela Brain Jar Games. Foi lançado em Acesso Antecipado (Early Access) em 5 de maio de 2026 para PC, estando disponível nas lojas Steam e Epic Games Store, com versão completa prevista para 2027. O preço atual é de R$60,00 na Steam e tem uma demo gratuita que permite experimentar o jogo antes de comprar.

Nós assumimos o papel de Charlie Disco, um antigo astro do rock que morreu há dez anos em circunstâncias misteriosas. Ao fazer um pacto com o diabo, Charlie retorna dos mortos por uma única noite, e usa esse tempo para investigar sua própria morte e confrontar seus ex-companheiros de banda, agora conhecidos como os “Ídolos”. Eles venderam suas almas para a poderosa Harmony Corp em troca de fama, fortuna e poderes sobrenaturais. A campanha em Acesso Antecipado contém o primeiro capítulo da história, no qual Charlie enfrenta 4 dos 7 Ídolos planejados para a versão completa. Cada Ídolo tem seu próprio estágio temático, um gênero musical característico e mecânicas de luta únicas que refletem sua personalidade e estilo. A desenvolvedora já divulgou um roadmap com atualizações futuras (chamadas de “festivais”) que trarão os três Ídolos restantes, novos estágios e até um modo cooperativo antes do lançamento completo.

O combate utiliza um sistema chamado “Beat Kune Do” onde todos os golpes, esquivas e combos devem ser executados no ritmo da música para atingir a máxima eficiência. Acertar o ritmo gera mais dano, esquivas mais eficazes e execuções cinematográficas. A jogabilidade é fluida e com forte inspiração na série Batman: Arkham, onde os ataques se encadeiam naturalmente, e o diferencial é que o jogo ajusta automaticamente as animações para que os golpes acertem no ritmo mesmo que o jogador não tenha ouvido musical perfeito.

No modo “My Music”, o jogador pode importar qualquer arquivo de áudio do próprio computador para gerar uma fase de luta personalizada. Para que a geração funcione corretamente, o jogo precisa identificar o ritmo da música e posicionar os inimigos e os momentos de ataque de acordo com as batidas. De início, esse processo de edição e sincronização manual pode parecer complexo, especialmente para quem nunca trabalhou com BPM (batidas por minuto). No entanto, pesquisar o BPM da música na internet, inserir o valor no editor do jogo e ir alterando o tempo do início vai facilitar muito o trabalho.

Já o modo “Infinite Disco” é um modo de desafio com uma seleção de mais de 30 músicas entre composições originais e faixas licenciadas. Durante as lutas, o jogador deve cumprir objetivos secundários, que adicionam camadas de rejogabilidade e recompensas extras.

A moeda do jogo são fãs. É simples, elegante e faz sentido dentro do universo. Você conquista a atenção, a adoração, o hype da plateia… Quanto mais no ritmo você luta, mais fãs vão ao delírio. O sistema te recompensa por estilo, não apenas por vencer. Os fãs conquistados em batalha são gastos no bar The Encore, que funciona como um hub de progressão clássico, que se divide em três partes principais.

A primeira é a árvore de habilidades, com mais de 30 opções iniciais. O jogador pode expandir o estilo de luta de Charlie Disco de acordo com sua preferência.

A segunda é a customização visual do personagem, incluindo skins, acessórios e animações. Há variedade razoável desde o lançamento, e o suporte a mods tende a ampliar ainda mais esse leque.

A terceira é a decoração do ambiente do bar, que é puramente estética. Não afeta a jogabilidade, mas dá alma ao hub e permite ao jogador expressar seu progresso de alguma forma.

A direção de arte aposta em uma estética neon ciberpunk com forte identidade visual, utilizando magenta, ciano e amarelo-limão sobre fundos de alto contraste. A iluminação remete a casas de show noturnas, e cada Ídolo possui seu próprio esquema de cores e cenário temático. As animações de combate são fluidas. O jogo faz bom uso de impact frames e partículas… Faíscas, notas musicais e estilhaços respondem ao ritmo da música, e em combos perfeitos, a interface pulsa como um equalizador, reforçando a sincronia entre ação e áudio. Por estar em Acesso Antecipado, o jogo ainda apresenta limitações. Os inimigos comuns recorrem a poucos modelos, gerando repetição visual. Algumas texturas do bar The Encore, em certos ângulos, perdem resolução. E a iluminação dinâmica, embora eficaz, pode prejudicar a legibilidade do personagem durante lutas com muitos efeitos na tela.

Dead as Disco é uma experiência criativa e sólida, com combate rítmico acessível e o modo “My Music” como seu maior trunfo. A campanha atual é curta e a repetição de inimigos incomoda, mas o suporte a mods, a demo gratuita e o roadmap promissor (com novos Ídolos e modo cooperativo a caminho) indicam um futuro brilhante. Recomendado para fãs de beat ‘em up e jogos rítmicos que não se importam em acompanhar um Early Access. Jogadores casuais que priorizam uma campanha extensa devem aguardar a versão 1.0 em 2027.

Veredito Gamers & Games

Nota Final
7.8
/ 10

“Dead as Disco entrega combate rítmico criativo e estiloso, com grande potencial graças ao modo My Music e ao suporte a mods, mas ainda sofre com limitações típicas do Early Access.”

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