Analisado no PC
Battlestar Galactica: Scattered Hopes é um RTS roguelite desenvolvido pela Alt Shift e distribuído pela Dotemu. O título foi lançado em 11/5/2026, estando disponível para PC na Steam e GOG.
Se inspirando em praticamente todos os elementos e situações que fizeram da série de TV um sucesso. Battlestar Galactica: Scattered Hopes é uma aventura que deve agradar e ao mesmo tempo frustrar todo o fã da franquia, pois apesar da ideia ser muito boa, falta equilíbrio e variedade.
Para quem é mais novo ou não conhece, em Battlestar Galactica (o popular reboot de 2003 em que o jogo é baseado) os humanos de um grupo de planetas conhecido como as doze colônias, tenta alcançar uma mítica décima terceira colônia depois de um evento devastador. Os sobreviventes precisam enfrentar os constantes ataques dos Cylons, uma raça de seres cibernéticos cujo objetivo é eliminar o que resta da humanidade e para isso eles têm uma frota de naves defendida e liderada pela lendária nave-mãe Battlestar Galactica.
A trama de Scattered Hopes, nos coloca no comando de uma frota colonial secundária que está desgarrada, sendo liderada e protegida por uma nave-mãe da classe Gunstar. Nosso objetivo aqui é proteger civis, resgatando e unindo sobreviventes para tentar encontrar e nos juntar à frota principal liderada pela Battlestar Galactica. O jogo tem um aspecto roguelike, assim nós teremos de enfrentar um ciclo de morte e recomeços, com a trama sendo desenvolvida pelas situações e crises encontradas em cada tentativa, estas que se inspiram nos eventos da série.
A jogatina de Scattered Hopes mistura elementos rogue com estratégia e gerenciamento, porém este último é o mais importante e também o mais explorado no ciclo de jogo pois aqui é preciso estar preparado para enfrentar o inusitado.
O ciclo de jogo é dividido em basicamente duas etapas, gerenciamento e combate. Ao escolher pular para um novo sistema, o jogador entrará na etapa de gerenciamento e aqui nós teremos um limite de tempo seguro até o ataque dos Cylons. Nesta etapa é necessário gerenciar recursos como combustível, sucata e suprimentos, alocando o tempo para tarefas, sendo que cada ação consome uma unidade de tempo, avançando uma linha e nos deixando mais próximos do combate.
Este limite de tempo é variável e depende do setor, das condições e bônus da frota, sendo que eventos podem aumentar ou diminuir o tempo seguro. Ao realizar ações e passar o tempo, nós teremos a possibilidade de eventos ocorrerem e temos diversos, restando ao jogador escolher opções que geralmente irão afetar a moral entre as três facções, militares, trabalhadores e submundo. Dependendo da reputação das facções, elas podem fornecer melhorias ou acabar criando ou piorando crises e é preciso gerenciar suas ações para tentar deixar todo mundo pelo menos estável.
As crises são eventos pré-determinados que aparecem na linha de tempo e são inevitáveis, dependendo da reputação com as facções, do estado da frota e de quão longe você está, as crises irão ficar mais frequentes e mais difíceis de serem resolvidas. Estes eventos nada mais são do que situações graves que precisam ser resolvidas ou a frota irá ser penalizada de maneira árdua, o que pode afetar drasticamente seu progresso, trazendo por exemplo aumento expressivo de custos para reparo, perda massiva de recursos ou até mesmo vida, temos até bloqueios de armamento, hangares e outros por vários ciclos. Nestas é possível encontrar diversas situações que remetem aos eventos da série, indo desde infecções e doenças, problemas estruturais das naves, roubo de recursos, sabotagem, greve de trabalhadores, até bombas colocadas por Cylons e sim, Cylons podem estar escondidos na tripulação, sendo necessário investigar, prender e se possível executar o espião Cylon.
Para melhorar as recompensas e facilitar a resolução de problemas, o jogo introduz heróis que nada mais são do que oficiais que podemos contratar em postos, ou até mesmo resgatar. Os oficiais/heróis, tem nível e podem ser melhorados, com habilidades passivas que influenciam diretamente nos sistemas de combate e sobrevivência da nave, ao alocá-los para funções, como artilharia da Gunstar, ou controle dos fighters, mas fique atento pois eles têm vida e podem morrer em combate. Os heróis também fornecem um ponto de ação por turno, este que pode ser utilizado para melhorar recompensas em eventos, ou resolver crises de maneira eficiente para preservar recursos, mas como dito temos somente um ponto de ação por turno e é melhor pensar bem antes de utilizá-lo ainda mais no fim de jogo, onde as crises aparecem continuamente.
Quando a linha de tempo chegar ao fim, os Cylons irão encontrar a frota e agora é o momento de combate. Assim como na série, nesta etapa é preciso defender a frota enquanto os motores carregam e o computador traça a rota para pular. São dois minutos de confrontos, onde teremos de comandar os fighters para enfrentar ondas de Cylons e defender a frota de mísseis das naves mãe inimigas, também utilizando as armas da nossa Gunstar como suporte.
Apesar de curta, esta etapa é onde as coisas saem do controle e você acaba morrendo, pois os Cylons não brincam em serviço. Os inimigos atacam em ondas, criando diversas unidades diferentes e utilizando de recursos como campos minados, nukes e ataques devastadores em área que facilmente podem nos custar nossos fighters ou até mesmo naves. Para se defender temos habilidades passivas e ativas de cada fighter, alguns são mais rápidos, outros mais lentos, mas atacando de longa distância, temos até alguns focados em suporte, sendo necessário saber montar o time, alocando heróis para estes, os controlando durante o combate e abusando da função de pausa que permite o jogador pausar o confronto para pensar em uma estratégia.
Como citado, este é um jogo de sobrevivência e quando o relógio estiver chegando na marca final é necessário chamar e guardar nossos fighters para poder pular e escapar dos Cylons, reiniciando o ciclo de jogo com um período de “paz”. Dependendo de como você lidou com os eventos, crises e de como está seu estoque de recursos, estes confrontos podem ser mais intensos e difíceis, ou mais fáceis, com até a possibilidade de gastar combustível extra para pular mais cedo, mas novamente é preciso pensar no que fazer, pois os recursos são escassos principalmente no início e meio das tentativas.
Os visuais nos trazem um mix de pixel art com modelos low-poly, ambos que estão bem feitos e criam um charme para o jogo, inspirando-se nos modelos apresentados na série de sucesso. Os efeitos sonoros são legais e temos diversos, tanto para os menus quanto para o combate, entretanto não existe dublagem de personagens nem mesmo localização para PT-BR e temos muitos diálogos durante a jogatina.
Se os visuais são legais, infelizmente a interface não é das melhores, sendo carregada demais de informações e deixando certas partes do jogo confusas e difíceis de se verificar, como é o caso da interface de habilidade dos fighters que é pequena demais, sendo praticamente ilegível. A interface também pode acabar sendo uma carrasca pois, os diálogos podem estar seguidos de decisões e cliques rápidos para passar a grande quantidade de diálogos podem acabar selecionando ações indesejadas, sem a opção de voltar e escolher outras. Este problema de cliques é mais presente nas tentativas seguintes, pois temos pouca variedade de eventos e crises, em um ciclo enjoativo que você só quer passar o diálogo repetido para avançar, mas acaba escolhendo algo sem querer.
A experiência de jogo é divertida inicialmente, mas basta poucas horas de jogatina ou algumas tentativas para sentir a repetição e a frustração com a quantidade de crises. Infelizmente temos eventos e crises em quantidade limitada e após algumas tentativas, você acaba percebendo que tudo parece o mesmo e nada muda até mesmo no combate. Esta impressão é piorada pelo formato rogue que tecnicamente te força a jogar, morrer e repetir o ciclo, para conseguir fé e assim liberar melhorias iniciais que facilitarão a progressão, chegando mais longe que a tentativa anterior, até conseguir alcançar o chefe final.
Muita coisa é travada através de tempo de jogo, nível e quantidade de fé que só conseguimos após encerrar uma tentativa. Temos diferentes frotas iniciais, cada uma com uma especialização, mas vai demorar para conseguir liberar todas, além disso todo o esquema de melhorias da frota precisa ser refeito a cada tentativa, o que consome tempo e novamente acaba ficando enjoativo, pois como dito acima, os eventos e crises são de certa forma limitados e é preciso enfrentar cliques falsos durante os diálogos.
A dificuldade padrão é desafiadora e jogadores casuais com certeza irão sentir uma dificuldade para progredir. O lado positivo é que é possível customizar a dificuldade em um formato que pode deixar o jogo até muito fácil, mas também acessível para um público maior e vale a pena customizar para conseguir balancear a experiência. Aliás o balanceamento é algo que não faz muito sentido aqui, por exemplo fighters que são pequenos causam até mais de dez vezes o dano do armamento de nossa Gunstar, esta que apesar de atacar em área com mísseis nucleares e artilharia não tem poder de fogo concentrado, o que não faz sentido. As recompensas de combate, seja recursos ou experiência, também são pequenas e não justificam todo o sacrifício, sendo que os inimigos também estão desbalanceados com algumas situações de naves inimigas sendo mais desafiadoras do que o confronto com o chefe final.
No final, Battlestar Galactica: Scattered Hopes consegue entregar uma experiência que remete às tensões apresentadas na série de sucesso, mas infelizmente a jogatina cansa pela repetição causada pelo sistema rogue e intensificada pelo limite de situação e pelo desbalanceamento de alguns sistemas. O preço cobrado é OK, mas o fator replay deve ser considerável, pois como dito mais acima, após algumas tentativas você irá sentir a repetição, assim eu prefiro recomendar este título para os fãs da série, ou para quem procura por algo diferente para jogar.
Veredito Gamers & Games
7.5
/ 10
“Battlestar Galactica: Scattered Hopes entrega uma experiência fiel à série e interessante no início, mas a repetição do ciclo rogue, a variedade limitada de crises e problemas de balanceamento acabam desgastando a jogatina com o tempo.”
