Destaques – Despedimentos e foco em IA na EA
- Terceira rodada em 2026: EA realiza mais despedimentos sem divulgar numeros, somando-se a outras duas levas de cortes no mesmo ano.
- Departamentos afetados: recrutamento, apoio ao cliente, Confiança e TI estao entre as areas atingidas, incluindo muitos trabalhadores remotos.
- Aquisicao bilionaria em curso: cortes acontecem enquanto avanca a compra de 55 mil milhoes de dolares pelo fundo soberano da Arabia Saudita.
A Electronic Arts voltou a realizar uma nova rodada de despedimentos, sem revelar quantos funcionários foram afetados desta vez. Esta já é a terceira série de cortes na empresa apenas em 2026, num contexto de grande turbulência interna e de mudanças estratégicas profundas, ao mesmo tempo em que se aproxima a conclusão da compra histórica de 55 mil milhões de dólares pelo fundo soberano da Arábia Saudita.
De acordo com informações divulgadas pelo Kotaku, os despedimentos atingiram diversos departamentos da EA, incluindo áreas de recrutamento, apoio ao cliente, Confiança (trust) e tecnologias de informação (TI). Relatos de ex-funcionários nas redes sociais confirmam que muitos desses profissionais trabalhavam remotamente, tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos, e que foram comunicados sobre sua saída da empresa.
Esses cortes acontecem em paralelo a uma fase de forte transição para a companhia. Assim como muitas empresas de software e de tecnologia, a EA vem apostando de forma intensa em Inteligência Artificial. No final de 2024, o CEO Andrew Wilson afirmou que a IA se tornou o “núcleo” do negócio da Electronic Arts, revelando na época que mais de 100 projetos ligados à tecnologia de IA estavam em desenvolvimento dentro da empresa. Desde então, o interesse em Inteligência Artificial vem aparecendo com frequência em discursos de estratégia, apresentações para investidores e justificativas para reestruturações internas.
Esse movimento não é isolado na indústria: o foco em IA tem sido frequentemente citado como justificativa para cortes de pessoal e reorganizações em várias empresas de tecnologia e entretenimento, não apenas no setor de games. A lógica é de que processos antes realizados por grandes equipas podem ser, ao menos em parte, automatizados ou otimizados por sistemas inteligentes, o que acaba servindo como argumento para enxugar departamentos, especialmente em áreas de suporte, operações e back-office.
No conjunto, a situação atual da EA reflete um cenário em que grandes mudanças estratégicas — incluindo uma megaaquisição por um fundo estrangeiro e uma aposta declarada na IA como centro do negócio — caminham lado a lado com um aumento na instabilidade para trabalhadores, que vêm enfrentando sucessivas rodadas de despedimentos ao longo do ano.
