O analista Daniel Ahmad decidiu comentar a polémica em torno do fim do formato físico anunciado pela Sony, descrevendo a decisão como algo inevitável num cenário em que os consoles se tornaram ecossistemas quase totalmente digitais. Ele lembra que, hoje, mais de 90% dos jogos vendidos no Xbox já são licenças digitais e que cerca de 50% dos consoles PS5 vendidas não incluem leitor de discos.
Ainda assim, Ahmad ressalta que o físico não é irrelevante: segundo ele, o formato físico ainda representa cerca de 20% das vendas de jogos na PlayStation. Entre abril de 2025 e março de 2026, foram vendidos aproximadamente 70 milhões de unidades físicas de jogos PS5 e PS4. É uma queda expressiva em relação aos mais de 120 milhões vendidos entre abril de 2024 e março de 2025, mas mostra que há ainda uma base enorme de jogadores que prefere discos.
Para Ahmad, por mais que o mercado esteja caminhando claramente para o digital, é inegável que a Sony está incentivando e acelerando essa transição, ao mesmo tempo que reduz as opções físicas. Ele contextualiza a controvérsia com um paralelo histórico: em 2008, a Apple recebeu muitas críticas ao remover o leitor de discos dos seus portáteis, mas em 2026 “já ninguém se queixa disso”, e o plano para os consoles, há muito, é migrar completamente para o digital.
Ahmad diz que a decisão da Sony mais cedo ou mais tarde ia acontecer:
“Se não fosse no PS6 seria no PS7. A venda de jogos digitais no PlayStation passou de menos de 10% antes do lançamento do PS5 para próximo de 80% atualmente.”
No Xbox, lembra ele, a fatia digital já ultrapassou os 90%, e Ahmad admite estar surpreendido por não terem sido os primeiros a anunciar o fim do formato físico. Ele frisa que estes números dizem respeito apenas a jogos digitais completos, sem contar DLC, microtransações, assinaturas ou jogos gratuitos, o que reforça ainda mais o peso do digital no ecossistema atual.
Outro ponto central da análise é o perfil dos utilizadores da PlayStation: Ahmad sublinha que o ecossistema dos consoles é quase totalmente digital, com cerca de 50% dos jogadores PS5 assinantes do PS Plus, o que significa que já criaram uma biblioteca digital ou têm acesso a numerosos jogos via serviço. Além disso, mais de 30% dos PS5 vendidas ao longo da vida do console não incluem leitor de discos, e atualmente esse número está em cerca de 50% das unidades vendidas, reforçando a opção da Sony por hardware voltado para o digital.
Para completar o quadro, Ahmad lembra que muitos dos jogos mais populares nem sequer existem em disco: exemplos como Warzone, Apex Legends ou Marvel Rivals ilustram um cenário em que o formato físico simplesmente não é oferecido para uma parte relevante dos títulos jogados diariamente.
Na visão do analista, o fim dos discos no PlayStation é, portanto, resultado de uma tendência de mercado que já está consolidada, mas a forma e o timing da decisão mostram que a Sony está empurrando o mercado ainda mais para o digital, mesmo enquanto milhões de jogadores continuam a comprar jogos em formato físico.
