Baby Steps – Um passo de cada vez, uma queda de cada vez | Análise

Quando o ato mais banal da vida vira o maior desafio do seu controle

Analisado no PC


Confesso que demorei uns minutos para parar de rir da premissa antes de conseguir levar o jogo a sério. Baby Steps, feito por Bennett Foddy, Gabe Cuzzillo e Maxi Boch (os mesmos nomes de Getting Over It e Ape Out) e distribuído pela Devolver Digital, coloca você no papel de Nate, um cara de trinta e poucos anos que mora com os pais, não trabalha, e cuja jornada épica se resume a uma coisa: aprender a andar. Só isso. E olha que “só isso” acaba sendo mais complicado do que parece.

Parece simples, né? Só que não. Você controla cada perna individualmente pelos gatilhos do controle. Cada passo é um drama: você tem que calcular o peso, o ângulo e rezar para o Nate não desabar. Nos meus primeiros momentos, eu parecia alguém saindo de uma festa às quatro da manhã, completamente sem rumo, tentando entender como o corpo humano funciona. É bizarro de difícil e, ao mesmo tempo, hilário de ver.

O jogo não te dá nada de mão beijada. Não tem barra de XP, não tem item mágico, nada. A única evolução é a sua própria habilidade de não ser um desastre motor. Mas olha, quando você finalmente consegue engrenar três passos seguidos sem cair de cara no chão, a sensação de vitória é absurda. É como se eu tivesse vencido uma maratona, só que o prêmio era só continuar andando enquanto um narrador tirava sarro da minha cara.

E se prepare, porque você vai cair. Muito. Eu perdi a conta de quantas vezes escorreguei de uma montanha e vi vinte minutos de esforço irem pelo ralo. O que me impediu de jogar o controle na parede foi que, em cada queda, eu acabava descobrindo um diálogo novo ou um caminho que não tinha visto antes. O humor do jogo é tão peculiar e o mundo é tão estranho que, mesmo querendo gritar de frustração, eu queria ver o que vinha a seguir.

No fim das contas, Baby Steps não é para quem quer relaxar. É um exercício de paciência e de aceitar que falhar faz parte da jornada. É uma experiência profunda se você parar para pensar, mas confesso que é bem difícil manter essa filosofia quando você cai do mesmo penhasco pela décima vez às três da manhã.

Baby Steps é uma obra-prima do masoquismo interativo, desconstruindo a caminhada com humor corrosivo em uma jornada dolorosa e memorável. Obrigatório para quem ri da própria incompetência motora, mas contraindicado para impacientes.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final 7.5 / 10

“Baby Steps transforma a tarefa mais simples do mundo em um desafio memorável. Seu humor peculiar e sistema de movimentação criam uma experiência única, mas a dificuldade elevada e a progressão punitiva podem afastar parte dos jogadores.”

Sair da versão mobile