Analisado no PC
Whiskerwood, desenvolvido pela Minakata Dynamics e publicado pela Hooded Horse, é um city-builder que coloca o jogador no comando de uma colônia de ratinhos navegadores bem fofinhos que prestam seus trabalhos braçais à aristocracia felina, liderada pelo Duque Felipersa. No jogo podemos criar nossa colônia em ilhas onde podemos erguer infraestrutura portuária, lidar com comércio marítimo, fazer plantio e administrar recursos. Nosso principal objetivo é coletar recursos para expandir nossa colônia, garantir o conforto dos ratinhos e, claro, pagar os impostos à coroa.
Antes de iniciar o jogo ele permite que o jogador configure a dificuldade, tamanho de ilhas e outros aspectos, isso é bom tanto para iniciantes quanto para veteranos. Whiskerwood tem o que já é esperado em um city-builder, terraformação, um clima dinâmico padrão com controle de temperatura de acordo com cada estação (inverno, verão, outono ou primavera) e cadeias produtivas complexas que vão desde a extração até a utilização do recurso para construir determinada construção. Lembrando que o título está localizado com menu e legendas em português brasileiro.
A forma de jogar de Whiskerwood lembra bastante qualquer outro jogo de construção, precisamos reunir materiais como madeira e pedra para erguer casas, construir caminhos e desenvolver estruturas especiais que impulsionam o crescimento da colônia. Além disso, é fundamental manter um bom estoque de alimentos para satisfazer a população. Caso contrário, a produtividade dos ratinhos cai drasticamente e eles acabam morrendo. Os ratos possuem características únicas que influenciam diretamente o andamento das construções. Eles são divididos em grupos como mineração, extração de madeira e coleta de alimentos. Alguns consomem mais alimentos do que o normal, outros se recusam a dividir moradia, enquanto certos ratos aprendem novas funções mais rapidamente ou se desmotivam diante de desconforto. Uma das diferenças desse jogo para outros títulos é o terreno, pois precisamos construir caminhos acessíveis para áreas mais elevadas e desenvolver novas tecnologias para otimizar a extração e o transporte de recursos.
A direção de arte de Whiskerwood é um charme a parte, sua atmosfera lúdica e a forma carismática como abraça a temática de construção de uma colônica por ratos é algo bem diferente do que já vimos. A direção de arte traz uma estética bastante fofa, mesmo que as animações dos personagens ainda deixam a desejar em alguns momentos em questão de física, eles são um pouco desengonçados. Essa identidade visual ganha ainda mais destaque nos diálogos e na ambientação narrativa: o vocabulário do jogo contém referências aos roedores o tempo todo. Os ratinhos são chamados carinhosamente de “bigodes”, o jogador é tratado, humoristicamente, como “Vossa Cauda” e as relações de vassalagem com os gatos dão um tempero bem-humorado para o jogo.
Whiskerwood tem mecânicas acessíveis e simples de assimilar com suas ferramentas de criação, demolição e gestão. Porém, o verdadeiro grande inimigo da colônia é a cobrança implacável de impostos pela coroa felina. Se você não souber angariar recursos e equilibrar a cadeia de suprimentos a tempo de pagar os tributos aos gatos, a retaliação vem na forma literal de tiros de canhão disparados contra a sua colônia. O jogo peca com a velocidade de deslocamento dos ratos, eles caminham de forma muito lenta pelo mapa, e atrapalha muito nas construções em andamento, pois dependemos dos ratos para tudo, desde ter a matéria-prima até a construção, e com o tempo passando tão rápido isso fica difícil e a chance de ficarmos estagnados em um looping eterno é bem grande.
Outro detalhe é que a passagem dos dias acontece rápido demais, principalmente se a velocidade de aceleração do tempo estiver no máximo. A transição com tela de encerramento ao fim de cada dia, ao meu ver, quebra a fluidez. Teríamos uma experiência melhor se o fluxo fosse dinâmico, com a contagem de recursos subindo e descendo de maneira orgânica na interface em tempo real sem essa pausa no final do dia. Eu super entendo que ele pega isso e transforma o jogo em um simulador, mas para quem está habituado com algo mais dinâmico pode se frustrar. Digo isso porque a pausa reflete no tempo perdido, pois, em uma linha do tempo presente no jogo, podemos saber quando irá chegar o dia de pagar os impostos e com essa pausa obrigatória força a fazermos tudo durante o dia, e essa lentidão dos ratinhos só atrapalha.
Na parte de orientação e interface, a curva de aprendizado inicial de Whiskerwood é bem tranquila graças a um tutorial bem explicado, mas o sistema de tarefas ainda deixa a desejar na indicação prática durante a jogatina. Os objetivos ficam restritos a um bloco de texto no canto superior da tela, sem apontar na própria interface ou no cenário para onde devemos ir ou qual construção requer atenção, o que pode desorientar no início.
Whiskerwood é um jogo que para prosperar precisamos andar constantemente na corda bamba entre atender às exigências da coroa e garantir o bem-estar da sua mão de obra, já que qualquer incompetência administrativa é punida rapidamente por falta de recursos ou pela fúria da coroa. Whiskerwood é uma aposta de city-builder charmoso e divertido, mas é bem desafiante para qualquer experiente no gênero. Não se engane com o tutorial fácil ou a identidade cartunesca e fofa do jogo.
Veredito Gamers & Games:
8.0
/ 10
“Whiskerwood é um city-builder charmoso e divertido, com boas mecânicas de gestão e uma identidade visual marcante. A experiência é prejudicada principalmente pela lentidão dos ratinhos, passagem acelerada do tempo e algumas limitações na orientação das tarefas.”
