ReStory: Chill Electronics Repairs – Nostálgico, relaxante e impossível de largar | Análise

Analisado no PC


ReStory: Chill Electronics Repairs é um simulador de gerenciamento e reparos com foco narrativo, desenvolvido pelo estúdio armênio Mandrágora e publicado pela tinyBuild. Lançado em 06/08/2026 para PC via Steam, o jogo chega com uma proposta simples: administrar uma pequena oficina de consertos eletrônicos em Tóquio, no início dos anos 2000.

Você assume o papel de um jovem técnico que herda uma oficina de reparos em Akihabara, o famoso distrito de eletrônicos de Tóquio. O antigo dono, um velho mestre, sofreu um infortúnio, e agora você precisa não apenas manter o negócio funcionando, mas também pagar uma dívida com um clã da Yakuza que garante sua “proteção”. Essa premissa, que poderia soar sombria, é tratada com leveza e humor, equilibrando a tensão financeira com a atmosfera relaxante do dia a dia na oficina. Algumas decisões têm ramificações reais, o que leva a diferentes desfechos e a múltiplos finais, com mais de 15 horas de conteúdo, e para desbloquear tudo, é preciso jogar pelo menos três vezes, explorando diferentes escolhas.

ReStory gira em torno do reparo, e é nesse loop que o jogo mostra sua força. A visão em primeira pessoa e a interface integrada ao ambiente (bancada e balcão viram menus) tornam tudo mais natural e imersivo. Cada dispositivo precisa ser desmontado parafuso por parafuso, limpo com um pincel, ter seus componentes defeituosos identificados e substituídos, e então ser remontado corretamente. Você clica, arrasta, escova e solda cada peça, com um feedback audiovisual que torna cada ação satisfatória. Não há cronômetro ou prazos apertados – você pode consertar no seu ritmo, o que reforça o clima relaxante e contemplativo que o jogo propõe. O dinheiro ganho é usado para comprar ferramentas melhores, como um ferro de solda, e licenças de reparo que desbloqueiam aparelhos cada vez mais complexos. A própria oficina evolui com você, permitindo pintar as paredes e customizar as prateleiras com o dinheiro arrecadado. Para evitar frustrações, o jogo oferece uma “Lista de Tarefas” que mostra a ordem de desmontagem e montagem, destaca parafusos e permite pedir uma dica caso você se perca. É um sistema que equilibra realismo e acessibilidade de forma exemplar, tornando o jogo agradável tanto para entusiastas de eletrônica quanto para completos leigos.

Se você, assim como eu cresceu nos anos 2000, ReStory vai parecer um museu particular da sua infância. O jogo é cheio de aparelhos que marcaram época, mas quase todos aparecem como paródias bem-humoradas: o PS1 vira Nony PlayMachine, o PSP vira Nony PMP, o Tamagotchi atende por Eggotchi, o Brick Game segue como Brick Game e o Motorola Razr surge como Autorolla Razor. Tem ainda Game Boy como Game Duck, Nokia 3310 como Pokia 3310, iPod como Mapple Mypod, Polaroid como Palaloid, Walkman como Nony Goman, BlackBerry como Blueberry Curl e até Xbox como Xi-box. Os únicos que aparecem com nome real são os Atari, que têm licença oficial. É uma forma descontraída de revisitar a era Y2K sem entrar em briga judicial e, para quem viveu aquela época, cada paródia dessas é um sorriso na hora de desmontar e remontar.

A direção de arte captura com maestria a estética Y2K e a atmosfera lo-fi dos anos 2000. A luz do sol que entra pela janela muda as sombras sobre a mesa conforme o dia passa, funcionando como um relógio natural que elimina a necessidade de HUDs poluídos. Isso faz com que o tempo voe enquanto você se concentra em cada detalhe da restauração. A trilha sonora é calma e relaxante, complementando perfeitamente a experiência contemplativa. Além disso, o jogo inclui um navegador de internet retrô (com estética inspirada no Windows XP) onde você pode comprar e vender peças usadas, similar ao eBay, integrando quests secundárias ao gameplay de forma orgânica.

ReStory: Chill Electronics Repairs é uma grande surpresa, pois, pega a premissa de consertar aparelhos antigos e a transforma em uma experiência imersiva, relaxante e emotiva, graças ao gameplay tátil, à nostalgia Y2K, à narrativa ramificada e à atmosfera acolhedora. O jogo está custando R$49,99, e no dia 21/09 chega uma atualização gratuita com novo aparelho, novo cliente, ramificações narrativas e o retorno de Kaito e Haruhi mais velhos. A Mandragora também promete um roadmap de longo prazo com mais atualizações, colaborações e DLCs, além de trilha sonora e artbook expandido no Steam.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
8,3
/ 10

“ReStory: Chill Electronics Repairs transforma reparos de eletrônicos em uma experiência relaxante, nostálgica e envolvente, com uma excelente atmosfera Y2K e gameplay viciante.”

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