Versão Testada: Nintendo Switch 2
A Investigação Póstuma
PC, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2
mar./2026 (PC) | set./2026 (Consoles)
Manipulação de Tempo, Detetive
Mother Gaia Studio – CriticalLeap
Você conhece o Rio? Não? Então mergulhe nesta história que se passa em um Rio de Janeiro noir de 1937 para investigar o mistério por trás do assassinato de Brás Cubas, o icônico personagem do aclamado autor Machado de Assis.
Se você leu o clássico da literatura Memórias Póstumas de Brás Cubas, não pode perder A Investigação Póstuma, disponível desde 31 de março na Steam, e lançado em 17 de setembro de 2026 para os consoles da Nintendo pela Mother Gaia Studio e CriticalLeap. Por outro lado, se você nunca nem chegou perto da obra, tem mais um motivo para não perder essa oportunidade! O jogo é uma grata surpresa que abraça diretamente muito daquilo que nos representa: o charme, a musicalidade, vários aspectos culturais e, ainda por cima, o maravilhoso Rio de Janeiro como cenário.
Aqui, o protagonista do livro não é exatamente o personagem principal da investigação. Você assume o papel de um investigador que recebe uma carta misteriosa de ninguém menos que o recém-falecido Brás Cubas. É bem naquele estilo: “Se você está lendo esta carta, é porque não estou mais entre vocês.”
A partir daí, começa a investigação. Seu objetivo é descobrir, por meio de relatos e entrevistas, quem foi o algoz do famoso bon vivant. E, para isso, você precisará mergulhar nos desafetos, maus costumes, tretas familiares e em todos os outros caroços escondidos nesse angu.
Você tem apenas 24 horas do tempo do jogo para resolver o mistério. A cada interação, o relógio avança e, ao final do dia, inevitavelmente fica aquela sensação de que alguma coisa passou despercebida. Até que você cai no sono, exausto.
É nessa hora, então, que você encontra o dito cujo: o falecido, ninguém menos que o próprio Brás Cubas!
Entre uma piada de desdém e outra, ele ajuda você a organizar os pensamentos e oferece uma nova chance de descobrir o que realmente aconteceu. Você acorda novamente no dia seguinte ao crime, podendo entrevistar outra vez os suspeitos, mas agora carregando tudo aquilo que descobriu nas tentativas anteriores.
E é justamente aí que está a graça de A Investigação Póstuma.
O mecanismo central do jogo consiste em entrevistar estrategicamente os suspeitos, visitar lugares e pessoas, apresentar novas evidências e coletar relatos que ajudem a montar o quebra-cabeça.
A sua interação com o jogo acontece no estilo point and click, tal como em outros jogos de investigação, como Ace Attorney: você escolhe com qual elemento do ambiente quer interagir — vasculhar uma lixeira, recolher algum item, conversar com um transeunte… — e, a partir daí, obtém informações e novas pistas.
Ao final do dia, você dorme e volta no tempo para tentar novamente.
Pode parecer repetitivo à primeira vista, mas o loop funciona muito bem. Se alguém pegou ranço de você na primeira tentativa, por exemplo, é possível voltar no dia seguinte e seguir outro caminho, evitando aquela pergunta que deixou o suspeito desconfiado. O que antes parecia um beco sem saída passa a ser uma nova oportunidade.
E cada nova iteração aprofunda um pouco mais o mistério.
Mais importante: não é um loop tedioso. A cada tentativa surgem novas peças, novas possibilidades e, principalmente, novas oportunidades de se divertir com aquela história. Você não está simplesmente repetindo o mesmo dia; está usando o conhecimento adquirido para enxergar aquele mesmo dia de outra maneira.
Não vou dizer que jogar A Investigação Póstuma é como ler um livro, mas a experiência certamente desperta aquela vontade de degustar cada palavra e as nuances do vocabulário em cada mensagem. E isso talvez seja um dos seus maiores méritos: o game transporta você para uma atmosfera completamente original, muito mais histórica do que fantasiosa, ajudando a popularizar uma obra literária e transformando-a em uma parte interessante da experiência de jogo, sem parecer uma obrigação ou uma aula.
Toda essa investigação é acompanhada por uma direção artística que combina perfeitamente com a proposta. Tudo é charmoso e, de certa maneira, poético.
A trilha sonora é envolvente e acompanha muito bem a atmosfera do jogo, enquanto o cenário transforma o Rio de Janeiro em um dos grandes personagens da aventura. Monumentos e paisagens cariocas, como o Cristo Redentor e os Arcos da Lapa, aparecem ao longo da investigação e ajudam a construir uma identidade visual que aquece o coração, mesmo com o visual em preto e branco oriundo das escolhas artísticas.
Dito isso, são os textos que roubam a cena.
Os diálogos são muito bem equilibrados: mantêm a fluidez necessária para um jogo de investigação sem abrir mão do vocabulário e do estilo que remetem diretamente à obra que inspirou o título. O resultado são textos saborosamente redigidos em português brasileiro, que fazem você querer continuar lendo não apenas para descobrir a próxima pista, mas para saber o que os personagens vão dizer em seguida.
Custando 49,99 reais na eShop brasileira, A Investigação Póstuma é uma preciosidade em vários níveis. O jogo cumpre exatamente o que promete: oferece uma experiência leve e descompromissada, mas, ao mesmo tempo, divertida, intrigante e bonita e tudo isso por um preço justo!
Mais do que isso, o título consegue fazer algo especialmente interessante: incentivar a leitura sem deixar de ser, antes de tudo, um jogo. Ao transformar a obra de Machado de Assis em uma aventura interativa, o game apresenta um clássico da literatura brasileira de maneira acessível, criativa e muito divertida.
Uma verdadeira vitrine da nossa cultura, com uma identidade artística marcante e uma mecânica de investigação que funciona muito bem.
Veredito Gamers & Games:
9,5
/ 10
“A Investigação Póstuma transforma um clássico da literatura brasileira em uma aventura de investigação charmosa, divertida e cheia de identidade. O loop funciona muito bem, enquanto os textos, a direção artística e a trilha sonora completam uma experiência marcante.”
