DLC
Pokémon Pokopia: Bubbly Basin
Nintendo Switch 2
8/ago./2026
Simulação
Omega Force/Koei Tecmo – Nintendo/The Pokémon Company
Quando analisei o jogo base de Pokémon Pokopia, deixei bem claro: aquele “joguinho fofinho e cozy” que muita gente (eu inclusive) achou que seria apenas mais um spin-off da franquia era, na verdade, um colosso. Misturando a reconstrução de mundo de Dragon Quest Builders com o charme de Animal Crossing, o jogo sugou fácil fácil mais de 100 horas da minha vida. Eu já havia explorado das cavernas os céus, reconstruído muito daquele mundo devastado, inclusive Bleak Beach (a que mais reconstruí) e feito amizade com dezenas de Pokémons. Achei que o jogo tinha entregado tudo o que podia.
Aí a Nintendo anunciou o Expansion Pass, e com ele a Part 1: Bubbly Basin, que foi lançada em 8 de agosto de 2026. Confesso que senti aquela sensação estranha: “Lá vou eu ter que grindar tudo de novo em mais uma cidade”. Felizmente, minhas preocupações se afogaram rapidamente assim que mergulhei nesta nova expansão.
A grande sacada dessa primeira parte da DLC é o uso da habilidade Dive (Mergulhar). Para iniciar a jornada, temos que falar com o Professor Tangrowth em Bleak Beach, contanto que você já tenha concluído a missão de elevar o nível do ambiente por lá. Essa nova habilidade é fornecida pelo Popplio e pode ser usada em qualquer cenário do game, assim como a Surf e a Glide.
Ao chegar em Bubbly Basin, o impacto visual é grande. O que temos aqui não é apenas uma nova região planificada, mas sim uma versão submersa baseada na clássica Cidade de Cerulean. A verticalidade ganha um peso enorme: você não está mais pulando de bloco em bloco, você está surfando e mergulhando livremente por entre prédios arruinados, túneis e cavernas escuras, com uma fluidez que lembra que dá vontade de submergir todo o resto do game. A sensação de navegação é 100% natural e liberta o jogador da gravidade.
O cuidado da Omega Force em manter a profundidade narrativa (literalmente) do jogo base continua. A cidade submersa traz documentos espalhados que mostram como os humanos tentaram adaptar a vida após a elevação do nível do mar, com propagandas de submarinos vendidos como carros de passeio. É a franquia Pokémon discutindo as consequências climáticas de forma brilhante e silenciosa.
Com a introdução do ambiente aquático, Bubbly Basin traz também novas mecânicas de física. Itens quebrados agora flutuam, blocos com propriedades de flutuação (Buoyant blocks) permitem construir casas sobre a água, e até mesmo uma redoma de bolha de ar se forma na sua cabeça dependendo da forma que o seu Ditto assumir, me lembrou a solução que Sandy Bochechas usa em Bob Esponja.
Para evitar o cansaço que havia no jogo base sobre a lentidão para criar itens, a atualização que acompanha a DLC (a versão gratuita 2.0.0) introduziu o Portal Pod. Com ele, você consegue acessar o seu armazenamento global de qualquer cidade, acabando de vez com a necessidade de viajar o mapa inteiro só para pegar três blocos de madeira esquecidos numa base antiga. O ritmo do jogo melhorou muito.
A história principal dessa DLC é bem curta, levando cerca de 4 horas para ser concluída (agindo quase como um longo tutorial para o fundo do mar), mas o brilho está na exploração. A adição de novos habitats, novos blocos de construção e cerca de 50 Pokémon do tipo água expandem a jogabilidade para bem mais de 15 horas extras. A música também merece aplausos, misturando os tons clássicos de Pokémon com aquela batida suave de fases aquáticas da Nintendo, é bem fácil passar horas submerso.
Se Bubbly Basin é maravilhosa em gameplay, o modelo de negócios escolhido pela The Pokémon Company/Nintendo é onde o ar da nossa bolha começa a acabar. A DLC não é vendida separadamente. Você é obrigado a comprar o Expansion Pass completo por US$ 34,99 (no momento que escrevo esse texto, o game está indisponível na e-Shop brasileira, dado a mudanças na classificação etária dele pelo Ministério da Justiça).
O problema? A Part 2 (prevista para o final de 2026) será apenas cosmética, adicionando roupas, chapéus e móveis. Apenas na Part 3, em 2027, é que teremos de fato uma nova cidade e mapa para explorar. É um investimento alto e um “salto no escuro” financeiro que exige que você confie no que a desenvolvedora entregará no futuro, além dos conteúdos já lançados ou anunciados.
E, para não perder o costume: a esperança que deixei registrada na review do jogo base afundou de vez. A DLC foi lançada, o jogo cresceu, o patch 2.0.0 chegou e… continuamos sem localização em PT-BR. Aquele espaço vazio na tela de idiomas continua lá, nos fazendo lembrar como a Koei-Tecmo (parceira da The Pokémon Company/Nintendo nesse game), não localiza jogos para o Brasil.
No final, a Parte 1 do Expansion Pass de Pokémon Pokopia, Bubbly Basin, é uma extensão brilhante de um jogo que já era fantástico. A exploração subaquática traz uma verticalidade inédita, os novos itens alimentam o nosso vício da construção, e os Portal Pods consertam os maiores gargalos de ritmo que o jogo base tinha.
Contudo, o preço salgado pago antecipadamente por um pacote cosmético e a nova área que só chega em 2027 é uma tática frustrante e meio sacana, seria legal ter a opção de comprar as ondas separadas ou incluir o pacote no Switch Online de alguma forma.
Se você já sugou tudo o que o jogo base tinha a oferecer e quer muito voltar a construir, o mergulho em Bubbly Basin vai revigorar a sua paixão pela franquia. Mas se a grana estiver curta, não há problema nenhum em esperar até 2027 para ver se o passe inteiro realmente vale a pena.
Veredito Gamers & Games:
8.5
/ 10
“Bubbly Basin amplia Pokémon Pokopia com uma ótima exploração subaquática, novas possibilidades de construção e melhorias importantes de ritmo. O conteúdo é excelente, mas o preço do Expansion Pass e a espera pelas próximas partes pesam na experiência.”
