The Medium – Ideias interessantes que não impressionam | Análise

The Medium é um título que tenta capturar o espirito dos clássicos survivor horrors que consolidaram o gênero.

Analisado no PC


The Medium é um jogo de “terror” psicológico, desenvolvido pela Bloober Team, distribuído pela Bloober Team SA e lançado em 28/01/2021, como título exclusivo para PC (Windows) e Xbox Series X|S.

The Medium é um título que tenta capturar o espirito dos clássicos survivor horrors que consolidaram o gênero. Temos uma boa história, boas ideias, uma ótima ambientação, entretanto tudo isso é ofuscado pelo ritmo de jogo e pela péssima performance.

Originalmente anunciado em 2012 para Xbox 360 e PS3, The Medium foi engavetado pois seu conceito requeria mais tecnologia do que os consoles da época conseguiam entregar. O título ressurgiu em 2020 como exclusivo para PC (Windows) e para os consoles da nova geração Xbox Series, mas não espere por muito porque a tecnologia de hoje também parece não ser o suficiente.

Sem Spoilers. O título conta a história de Marianne, uma jovem médium que viaja até um resort abandonado, para resolver um mistério e ao mesmo tempo enfrentar o seu passado que a atormenta. Marianne possui habilidades especiais, ela não só pode se conectar com o mundo espiritual, mas também interagir com esse mundo e acabar vivenciando as duas realidades ao mesmo tempo. O jogador terá de usar essas habilidades para resolver puzzles e tentar sobreviver aos perigos deste mundo.

A história do jogo é boa, porém, a maneira como ela é desenvolvida e “concluída” é bastante frustrante. Tudo começa interessante, só que após a segunda hora, você começa a ter pouca história e várias partes de “walking simulator”, o ritmo de jogo diminui e tudo só volta a ficar interessante lá pelo final, onde voltamos a ter uma boa medida entre história e jogo. O mais frustrante é o final de tudo, você gasta sua paciência para a história terminar com um final aberto, indicando uma possível sequência do título, haja paciência.

História a parte, o jogo possui várias ideias e mecânicas interessantes que se misturam com a nostalgia dos clássicos do gênero. Como eu disse mais acima, a Marianne tem a habilidade de vivenciar os dois mundos ao mesmo tempo, assim o jogador terá em grande parte do tempo duas telas, uma do mundo real e outra do mundo espiritual, é aqui que tudo fica interessante.

O que você faz em um mundo afeta o outro e muitas mecânicas são baseadas nessa dicotomia. São vários itens, switches, portas e alguns puzzles, é necessário navegar e alternar entre os dois mundos para se progredir nessa jornada.

Se as mecânicas por si só já são diferentes e interessantes, quem jogou os clássicos como, Silent Hill, Resident Evil, Parasite Eve e Dino Crisis, vai se sentir em casa. O título conta com uma câmera fixa, o que acaba trazendo aquela dose de nostalgia aos jogadores da velha guarda.

Se tratando de um exclusivo para “nova” geração, os gráficos não são lá essas coisas. O jogo não é feio, os cenários são bem feitos e criam uma boa ambientação, só que nada impressiona, não temos suporte a ultrawide e não existe nada aqui que você já não tenha visto melhor na geração passada.

Se o jogo não possui gráficos de “nova” geração, pelo menos a trilha sonora é excelente. Dos efeitos sonoros as músicas de fundo, tudo foi muito bem trabalhado, eu já esperava por algo de alto nível visto que Akira Yamaoka (Silent Hill) é um dos compositores responsáveis por esta trilha sonora.

Se você comprou um console ou placa de vídeo de nova geração, com a intenção de jogar tudo com gráficos lindos e acima de 60 frames, The Medium provavelmente vai te desapontar.

A otimização é horrível, esta é uma experiência para ser jogada a 30 frames e olhe lá. Nos consoles o jogo consegue “manter” os 30 frames, com algumas quedas nas partes onde temos as duas telas, mas isso só é possível porque nestas áreas, a resolução cai e chega a 900p no Series X e a incríveis 648p (sub HD) no series S.

Pelo menos os consoles mantem os 30 frames, porque quando o assunto é PC a coisa fica feita. O jogo está tão mal otimizado que nem mesmo uma RTX 3080 consegue manter os 60 frames constantes, se você tiver um hardware intermediário pode se preparar porque nas partes de dois mundos é normal os frames caírem para 30 ou menos.

Como disse mais acima essa é uma experiência para ser jogada a 30 frames, nos meus testes eu conclui que um hardware intermediário consegue rodar o jogo a 30 frames com qualidade máxima ou próxima a máxima, mas isso se você conseguir jogar, existem vários relatos de usuários sofrendo com crashes e problemas relacionados a stuttering no PC.

No final das contas, The Medium é um título com umas boas ideias e um bom conceito, mas que não impressiona. Por conta dos problemas de desempenho, do ritmo de jogo, do final aberto da história e do tempo de jogo (de 5 a 7 horas), eu prefiro recomendar este título somente para quem é fã de survivor horror e somente se for joga-lo através do Xbox Game Pass, pois atualmente o jogo não vale o preço cobrado.

Confira o vídeo de gameplay de The Medium rodando no PC:

 

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