Analisado no PlayStation 5
O começo da saga de Joel e Ellie vai ser contada novamente. Agora, a Naughty Dog está lançando The Last of Us Part 1, um remake feito especialmente para PlayStation 5.
Mas será que um jogo, ganhador de centenas de prêmio, pode melhorar ainda mais com essa versão feita totalmente para o novo console da Sony? Será que vale o tempo e o dinheiro gasto, vale os R$ 349,90 na Playstation Store? Pois bem, é isso que pretendemos esclarecer neste review.
Para começar, é bom deixar claro que não vamos levar em consideração a história do game. Como a própria Naughty Dog fez questão de mencionar, apesar de ser um remake, eles quiseram manter o mais fiel possível ao enredo original.
Para quem não se lembra, The Last of Us saiu para PlayStation 3 em 14 de junho de 2013, mostrando ao mundo toda a qualidade do estúdio, que já vinha do grande sucesso da franquia Uncharted. Ganhou inúmeros prêmios (mais de 240) e elogios da crítica especializada.
Mas já era o finalzinho de vida do PlayStation 3, e muitos já estavam guardando o rico dinheirinho para comprar o PlayStation 4 que sairia meses depois. E para contornar isso, a Sony anunciou em 2014 que lançaria uma versão remasterizada para o PS4, que chegou as lojas no dia 29 de julho do mesmo ano.
Na época lembro bem que muitos achavam desnecessário The Last of Us Remastered, mas com certeza era uma oportunidade para aqueles que não tinham tido o PS3 de jogar aquele game tão elogiado.
Desta vez, nada de remastered. A Naughty Dog, com toda a tecnologia criada, principalmente o motor gráfico usado para The Last of Us – Part 2, achou uma oportunidade de mostrar para um novo público, e para os amantes do jogo, uma versão mais atualizada e acompanhar o começo da saga de Joel e Ellie.
É difícil de acreditar que valeria a pena melhorar algo que ainda hoje é ótimo, mas, minutos depois de começar a jogar The Last of Us Part 1, chego à conclusão que sim, valeu a pena.
A primeira coisa que nos vem a cabeça, sem dúvida, é a história sensacional que Neil Druckmann escreveu, mas segundos depois percebemos que os gráficos estão bem mais detalhados agora.
Aqui vale uma ressalva antes de entramos mais a fundo neste tema. O jogo conta com dois modos visuais: O primeiro é o modo é FIDELIDADE, onde se pode jogar a 4K com até 40 fps, ou o modo DESEMPENHO, onde teremos 4k dinâmicos, atingindo o 60 fps.
Com essas informações, cabe a você decidir qual a melhor configuração a jogar. Eu por exemplo preferi jogar com 4K dinâmico, priorizando os 60 quadros por segundo. Ambos tem função HDR.
Uma outra coisa que faz muita diferença, é a TV em que você joga. Sim, quanto mais tecnologia tiver, melhor será o resultado. Aqui na Gamers jogamos em uma Samsung Neo QLED.
Para mim, o que mais chamou a atenção no jogo foi a melhoria da iluminação que o game recebeu. Sim, agora, com certeza, a iluminação tem um efeito concreto, seja em uma casa pegando fogo, ou o sol com seus raios passando pela janela. Mas não só isso, o escuro agora também está “mais” escuro que o jogo original,
Os reflexos estão em toda parte, seja na água, nos vidros, em quase todas as superfícies lisas podemos encontrar reflexos, o que não víamos muito no game original de 2013.
Mas tem outras coisas que para mim são muito mais importantes e pode passar desapercebido, apesar de achar difícil, para o jogador: várias mudanças e para melhor!
Para começar vamos falar da modelagem dos personagens. Sim, todos os personagens foram refeitos e se colocarmos o jogo original lado a lado com o remake, percebemos uma diferença brutal, seja nas rugas de Joel ou até no suor de Ellie. Mas, é bom frisar que não foram só nos personagens principais essa modelagem melhorada, todos os personagens tiveram esse “privilégio”, inclusive os infectados.
Como todos sabem o enredo é o atrativo principal do game, doloroso, cruel, violento, mas com pitadas de esperança e ternura e tudo isso agora fica ainda mais evidente nos rostos dos personagens e suas expressões faciais numa qualidade muito melhor, com detalhes mais visíveis, onde podemos ver nos olhos, um pouco mais dos sentimentos dos personagens.
Então, pode esperar cabelos melhores, peles mais realistas, movimentos bem mais próximos de nossa realidade. Pode parecer que não, mas tudo isso acaba impactando nas performances dos personagens, como disse anteriormente, agora passando ainda mais emoção e imersão para nós jogadores.
Um detalhe que chama muito a atenção, é que a modelagem dos personagens das cutscenes e do gameplay estão muito, mas muito parecidos, por isso, quando o jogo tem uma transição, praticamente não percebemos, sem dizer que agora elas estão ainda mais rápidas, o que beneficia muito o ritmo do game.
Outro ponto de melhoria de The Last of Us – Part 1 é sua física, muito mais apurada do que o game de 2013. Agora, no PlayStation 5 tudo acontece mais naturalmente. Mas não é só isso, podemos perceber que há muito mais elementos nas cenas, contando com objetos quebráveis e destrutivos, muito mais obstáculos, mais projéteis, o que torna as cenas mais complexas e trabalhadas. As explosões, tiros, vidraças e destroços agora ganharam mais vida e realmente aparecem de uma forma mais realista durante a jogatina.
Lógico que, com toda a experiência e trabalho feito em The Last of Us – Part 2, e na decisão de refazer toda o primeiro jogo do zero, não tinha porque deixar de fora uma nova direção de arte.
Pode até parecer tudo muito igual, mas se você tiver a oportunidade de, como eu, comparar com o original, vai perceber que os ambientes foram todos redesenhados e ficaram muito mais bonitos e realistas. Sim, toda a tecnologia usada em The Last of Us – Part 2 está presente neste remake, deixando tudo vivo, principalmente a parte de vegetação.
Mas ainda tem mais coisas para falar deste Remake, e agora vamos passar para, na minha opinião, a melhor coisa que o PlayStation 5 trouxe: o DualSense.
No game, a mais evidente são as diversas resistência dos gatilhos em relação as armas que vamos encontrar, principalmente quando usarmos o arco. Outro efeito bem legal é a vibração que sentimos ao atirar com as armas de fogo, além de um pequeno efeito sonoro que sai do auto falante do controle. Agora com o DualSense, até quando Joel está melhorando sua arma na bancada, podemos sentir um efeito tátil.
A outra parte dos efeitos do DualSense são as que envolvem a parte física. Ou seja, quando lutamos podemos sentir os socos dados e levados, além de algumas ações que realizamos, como corrermos, saltarmos ou cairmos. Praticamente tudo tem uma resposta do DualSense, algumas sendo muito sutis, como um pequeno carinho em um animal por exemplo.
Outra característica marcante do PlayStation 5 está presente também em The Last of Us Remake: o som 3D. Bom, há sim uma boa evolução deste remake para o original, mas ainda vejo que o efeito 3D é bem mais visível se jogar com um bom fone de ouvido, muito melhor do que com o som da TV, apesar de apresentar também esse recurso.
No caso de jogar de fones, perceberá que agora o som está bem mais nítido, principalmente em relação a direção de onde ele vem. Por exemplo, agora é mais fácil perceber quando um inimigo vem te atacar pelas costas, ajudando e muito toda a parte de luta, principalmente nas furtivas. Outra coisa muito legal do som 3D é poder ouvir a trajetória do projétil quando alguém atira em você.
Mas não é só nessa sensação. Todo o áudio parece ter sido remasterizado pois está ainda melhor em termos de qualidade se compararmos com o remaster, até mesmo a dublagem, que é a mesma.
Um dos incrementos neste Remake são diversos desbloqueáveis, o que faz com que possamos mudar a roupa dos protagonistas em várias ocasiões, além de um modo de visualização de detalhes.
O jogo ganhou um Speedrun mode, para aqueles que gostam de fazer tudo bem rápido. Esse novo modo mostra ao jogador o tempo do jogo, o seu melhor tempo e o nome do capítulo em que se encontra. Para alguns pode parecer besteira, mas vale lembrar que o Brasil tem uma comunidade grande e atuante de Speedrun.
Outro modo presente nesta versão é o Morte Permanente, para aqueles que gostam de fortes e difíceis emoções.
The Last of Us Part 1 conta também com alguns recursos que vem crescendo muito nos jogos: Acessibilidade. A Naughty Dog já há um bom tempo vem implementando vários recursos de acessibilidade em seus games, mas a grande novidade é o áudio descrição de cena. Tudo isso faz com que mais e mais pessoas, possam ter condição de experimentar esse clássico.
Deixei para falar por último da Inteligência Artificial. O estúdio disse em diversas entrevistas que a tecnologia usada na Part 2 está presente neste remake, como a inteligência adaptativa, tanto dos inimigos, como dos nossos companheiros. Mas, isso não funcionou direito. Se houve evolução em partes da Inteligência de nossos amigos, a dos inimigos ainda continua bem ruim, criando inclusive momentos bizarros. De todas as melhorias que o jogo teve, e foram tantas, essa foi a que menos gostei e a que menos teve evolução, ainda que isso não seja exclusividade deste jogo.
Concluindo tudo isso, vamos de volta a pergunta. Mesmo com as melhorias, vale a pena comprar The Last of Us Part 1?
Uma coisa que é bom destacar é que tudo isso que falamos até aqui pode parecer apenas firulas, mas realmente não são. Essas melhorias impactaram ainda mais no excelente enredo que o jogo sempre teve e coloca o jogador ainda mais imerso naquele mundo apocalíptico.
Lógico que eu sempre vou defender que os estúdios trabalhem em jogos inéditos e IPs novas, mas quando o remake é bem feito devemos dar os créditos e nos render a habilidade com a qual trabalharam para tornar um clássico em um jogo ainda melhor.
Ressalto mais um vez que o enredo, que sempre foi a melhor parte de The Last of Us, continua fiel e extraordinário, sendo que as melhorias vieram apenas para dar ainda mais beleza para um jogo ainda mais lindo em sua versão original.
O que acho, é que talvez esse jogo em particular poderia estar custando um pouco mais barato e assim ser mais acessível tanto para jogadores que não conhecem essa saga, quando jogadores que estejam a fim de revisitar esse mundo novamente.
De toda a forma, vale sim muito a pena jogar The Last of Us Part 1 e se sentir ainda mais imerso neste mundo onde Joel e Ellie nos mostram que apesar de um mundo caótico, violento e quase sem humanidade, ainda sim a vida continua.
