Demissões na King: criadores de Candy Crush perdem espaço para IA que ajudaram a desenvolver

Ex-funcionários relatam choque com substituição por ferramentas de IA criadas internamente.

Na última onda de demissões da Microsoft, quem trabalha ou acompanha de perto o universo mobile ficou em choque com o que rolou no estúdio King — famoso por Candy Crush e outros hits casuais. O estúdio, que vinha implementando IA de forma agressiva, agora vê ex-funcionários afirmando que foram dispensados justamente para dar lugar a ferramentas que eles próprios ajudaram a criar. O impacto vai além do esperado: as demissões na King trouxeram o debate sobre o futuro do trabalho humano frente à inteligência artificial pra dentro do setor de jogos.

Cortes atingem King, criadora de Candy Crush

A Microsoft, que comprou a King há alguns anos, anunciou demissões em todos os setores de sua divisão de games. Dessa vez, a tesoura pegou forte na King, que tem escritórios em Londres, Barcelona e Estocolmo. Segundo relatos, não só gestores médios e times de UX e copywriting foram atingidos, mas também level designers e quase metade da equipe de Farm Heroes Saga em Londres. O número real de demissões pode passar de 200 pessoas.

Ferramentas de IA feitas pelos próprios funcionários agora “assumem o volante”

Aqui entra o ponto mais polêmico: boa parte dos profissionais dedicaram anos a ensinar e desenvolver IA para facilitar o trabalho do time — principalmente criação de fases e copywriting narrativo. Um ex-funcionário resumiu a frustração à MobileGamer:

Boa parte do design de níveis foi descartada, o que é uma loucura, considerando que eles passaram meses desenvolvendo ferramentas para criar fases mais rapidamente. Agora, essas ferramentas de IA estão basicamente substituindo as equipes.

A insatisfação é geral:

The fact AI tools are replacing people is absolutely disgusting but it’s all about efficiency and profits even though the company is doing great overall.

O ambiente de insegurança só ficou maior quando Steve Collins, CTO da King, disse na GDC 2023 que o objetivo principal da empresa era se tornar “AI-first”, especialmente após absorver a sueca Peltarion, referência em inteligência artificial.

Efeito dominó na indústria dos games e custo alto para Microsoft

Segundo veículos como a MobileGamer.biz, os demitidos já eram responsáveis por retroalimentar as ferramentas inteligentes com feedback, melhorando os próprios algoritmos enquanto garantia qualidade no produto final. Agora, muitos desses profissionais assistem suas rotinas desaparecer sem ter espaço para continuar no estúdio.

Por trás disso tudo, está o imenso investimento financeiro da Microsoft em IA — apontado como fator-chave não só nas demissões da King, mas também em cortes que passaram por outros estúdios, cancelamento do reboot de Perfect Dark, fechamento da The Initiative, cancelamento de Everwild e saídas pesadas em equipes tradicionais como a Rare.

Reflexão: eficiente, lucrativo… e desumano?

Nos bastidores, o sentimento é de choque e desânimo. O maior debate agora é: até que ponto a busca por lucros e automação pode atropelar os times criativos responsáveis pelo sucesso dos próprios jogos? A cultura gamer mundial observa com receio uma possível tendência de substituição das mentes criativas por IA, especialmente quando a argumentação é puramente financeira.

E aí, você acha que as demissões na King vão influenciar outras empresas a fazerem o mesmo?

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