
Gaucho and the Grassland – É simples em sua essência, sendo esse seu principal ponto positivo | Análise
Com uma jogabilidade divertida e simples, o jogo retrata muito bem a cultura brasileira em toda a sua essência, apesar de pecar em alguns pontos que podem afastar uma parcela dos jogadores
Analisado no PC
Em 16 de julho de 2025, o estúdio nacional Epopeia Games apresentou ao mundo Gaucho and the Grassland, um título que busca unir simuladores de fazenda com o carisma e a cultura brasileira. Ambientado nos vastos pampas do Rio Grande do Sul, o jogo promete ao jogador uma aventura simples e despretensiosa, mas recheada de carisma e extremamente divertida, que busca conceder a diversão de criar e administrar uma fazenda, com a vasta cultura do Brasil, que é tão pouco explorada no mundo dos games.
Antes de qualquer crítica, podemos afirmar que Gaucho and the Grassland é um jogo que é recheado de carisma, esbanjando personalidade desde a construção de seu personagem; sendo esse um ponto extremamente positivo do jogo, ainda mais para os brasileiros, que vão conseguir ver, até nos pequenos detalhes, referências e citações a cultura brasileira.
Encontrar essas referências, e se divertir com citações e “easter eggs” à nossa cultura é uma das partes mais legais do jogo, e é motivo para “perder” ainda mais tempo explorando todas essas partes que compõem todo o game.
A premissa narrativa de Gaucho and the Grassland gira em torno do nosso protagonista, um gaúcho que, após ser visitado pelo fantasma do avô, recebe a missão de restaurar a harmonia das terras familiares, tomadas por criaturas sombrias da nossa cultura nacional. Porém, embora essa jornada de raízes e redenção ofereça um pano de fundo que poderia ser mais desenvolvido, a história não é o cerne da experiência: servindo mais como alicerce contextual para as mecânicas de cultivo e exploração, onde o jogo realmente encontra seu brilho.
Apesar disso, durante nossa jornada esbarramos em fragmentos de narrativa que geralmente são interligados pela mitologia brasileira, onde, aparições de criaturas da nossa cultura geralmente conduzem os fragmentos da história, deixando o player apreciar esses momentos narrativos somente em fins de mapas ou em confrontos com essas entidades, o que pode ser algo bom, ou ruim, dependendo do jogador.
O verdadeiro brilho do jogo está na sua gameplay, que busca unir elementos de Farming Simulator com aventura e exploração. Gaucho and the Grassland funciona por mapas, que, através de exploração, você deve descobrir todos os segredos e ajudar pessoas a reconstruir a harmonia do mundo.
Por exemplo, em um dos mapas do jogo, precisamos restabelecer a ordem em uma terra devastada pelo Boitatá, para isso, precisamos ajudar pessoas a resolverem seus problemas para conseguir ter acesso a criatura mitológica e derrotá-la. Essas ajudas geralmente são relacionadas a reconstruir a casa de um NPC, ou dar comida para outro e assim por diante.
O looping de gameplay do jogo não foge muito do usual apresentado anteriormente, porém, em todos os mapas, Gaucho and the Grassland busca implementar novas mecânicas para deixar o jogo menos repetitivo e com mais variações em sua jogatina.
Entre os destaques indiscutíveis de Gaucho and the Grassland estão os gráficos estilizados e a trilha sonora autoral. A estética minimalista, passa longe de ser uma limitação, transbordando personalidade e criatividade visual, uma escolha coerente para um título que prioriza a acessibilidade e o charme convidativo à la Stardew Valley, ou outros jogos do gênero. No game, a prioridade é relaxar, e, com gráficos convidativos e nem um pouco opulentos, ele busca trazer isso ao jogador.
Já em sua trilha sonora, Gaucho and the Grassland também segue a linha de seus gráficos, apresentando músicas simples e nem um pouco marcantes, mas que pode ser visto como um ótimo fator, já que também induz o player a relaxar, curtindo músicas menos complexas e aproveitando a jornada de relaxamento e aventura que o game te convida desde seu primeiro minuto de gameplay.
Apesar dos grandes fatores positivos de Gaucho and the Grassland, um dos maiores problemas do jogo é justamente essa simplicidade, que pode ser vista como um ponto negativo para uma parcela dos jogadores que buscam mais da jornada.
Durante o jogo, não fugimos muito do escopo de gameplay que foi prometido para nós desde as primeiras horas da aventura, o que pode ser um fator negativo para jogadores que buscam jogos maiores mesmo que esse não seja o propósito do jogo.
Outro fator de atenção de Gaucho and the Grassland é seu polimento, onde, em algumas vezes durante a minha gameplay, presenciei diversos Bugs e quedas de FPS no jogo, principalmente quando existe uma quantidade grande de elementos na tela, como em grandes chuvas, onde o Frame Rate oscilava para menos de 30, prejudicando minha experiência.
Em síntese, Gaucho and the Grassland cumpre sua proposta central: oferecer uma experiência relaxante e culturalmente autêntica, enraizada nos pampas gaúchos. Seu maior trunfo é a identidade visual e sonora, que transforma simplicidade em charme convidativo, sendo um tributo eficaz à cultura brasileira pouco explorada nos games.
A jogabilidade, por sua vez, é bem fundamentada em mecânicas de farming e exploração, porém, pode pecar por repetitividade a longo prazo e problemas técnicos pontuais (como bugs e quedas de frame rate). Ainda assim, o título da Epopeia Games vale pela imersão acolhedora e pela ousadia de nacionalizar um gênero consolidado e é recomendado para quem busca um Stardew Valley com sotaque brasileiro, mas com ressalvas àqueles que exigem polimento técnico impecável ou mais profundidade em seus principais aspectos.











