Wuchang: Fallen Feathers – Sem inovação, mas com potencial | Análise

Analisado no PlayStation 5


Wuchang: Fallen Feather é um título que veio para manter a consolidação da direção técnica e criativa dos estúdios chineses que vem entregando excelentes jogos atualmente. Desenvolvido por um estúdio relativamente novo, o Leenzee Games e distribuído pela 505 Games, Wuchang: Fallen Feathers é um jogo no gênero Soulslike que usa como pano de fundo a Dinastia Ming, que durou de 1368 a 1644 e que foi liderada pelos mongóis na época, caraterizada por ter sido a última dinastia a ter sido governada pela etnia Han.

No game vamos abordar uma grave e misteriosa doença que infesta humanos, transformando-os em criaturas assustadoras. A doença passou a se espalhar após os eventos em que um demônio poderoso atacou um vilarejo, ferindo os moradores e instalando um surto no qual, um tipo de plumagem começava a se formar no corpo da população. No jogo assumimos o controle de Wuchang, uma pirata com amnesia que busca respostas sobre seu passado enquanto lida com o surto de plumagem que se espalha pelo corpo de quem está contaminado.

Assim como todo bom e qualquer souslike, Wuchang: Fallen Feathers apresenta um combate rebuscado e fluído, entregando mecânicas inspiradas em outros títulos do gênero. Mesmo sem trazer inovações, o jogo aplica elementos bastante criativos e divertidos dentro de uma fórmula já estabelecida no mercado. Uma das bases desse sistema de combate é denominada de Temperagem de braço, mecânica essa que permite empunhar uma arma que detém poderes elementais como raio, fogo ou gelo, que viabiliza vantagem tática em detrimento dos inimigos que possuem determinadas vulnerabilidades.

Outra base de sistema é chamada de Demônio interior, que se mostra intrinsecamente relacionada a doença misteriosa da plumagem. De acordo com o número de mortes que a protagonista sofre ou mesmo a quantidade de humanos não corrompidos pela doença que ela elimina, podemos acumular insanidade, que quando atinge mais de 90%, coloca a protagonista em um estado de loucura e fúria descontrolada, liberando seu demônio interior. Quando atinge esse estado, Wuchang se torna letal, causando um dano ainda mais significativo, entretanto, como tudo não são flores, ela passa a receber ainda mais dano também. Conforme vamos derrotando os inimigos nesse estado, eles deixam cair muito mais mercúrio vermelho, um recurso fundamental para aprimorar a protagonista durante a jornada. Caso Wuchang morra dominada pela loucura, uma manifestação física do demônio interior dela surge no local onde seu sangue foi derramado, somente ao derrotarmos essa entidade, é que podemos recuperar nossos recursos.

Se tratando de um estúdio novo, a Leenzee Games surpreendeu com a densidade dos combates e dos gráficos, que para mim, se destacam como pontos altíssimos do jogo. Wuchang: Fallen Feathers é um jogo que mescla elementos históricos reais da Dinastia Ming com imersão fictícia que enriquecem a narrativa, e isso meus amigos, é ouro! Com um arsenal diversificado de armas que variam de espadas longas, lanças, espadas de uma mão, lâminas duplas e machados. O jogo permite que carreguemos até duas armas que possuem características únicas que possibilitam estilos diferentes de combate, sendo possível alternar entre as armas durante o quebra pau.

Todo mundo que começa um souslike está sempre em busca de batalhas épicas com alto nível de desafio. Em Wuchang logo de cara temos um desafio baixo, mas que conforme vamos evoluindo, a curva de aprendizado vai tornando as mecânicas mais fluídas, permitindo que enfrentemos chefes de maneira satisfatória. É um jogo que possui uma métrica interessante, de dosar e permitir que a gente aprenda com os erros e as mortes.

O combate consiste em fazer uso da agressividade e do uso de builds, que ao longo das horas de gameplay será possível perceber que as combinações são muito singulares, não sendo possível utilizar a mesma arma ou estilo em todos os inimigos e chefes. Cada um deles pede uma abordagem única, motivando os players a utilizarem a variedade de armas, mecânicas e habilidades disponíveis, manifestando o espectro experimental que o game possui.

A estrutura narrativa de Wuchang: Fallen Feathers é muito direta e objetiva, permitindo acompanhar tudo de forma linear, sem muita firula. Os diálogos são certeiros, acessíveis e dinâmicos, refletindo em um jogo sem muitos enigmas, enfatizando a praticidade e falta de burocracia para obter informações. A direção artística entregou um trabalho brilhante, com ambientações e personagens bem trabalhados em paletas de cores vivas que enchem os olhos de quem joga. É tudo muito vibrante e marcante, a tal ponto que podemos até nos distrair o suficiente e não ver o inimigo se esgueirando. A sonorização e a trilha sonora, na minha opinião estão muito inexpressivas, parece que criaram um material muito tímido, que quase não percebemos que está ali, tornando a experiência agridoce quando associamos gráfico ao som.

Para finalizar, recomendo Wuchang: Fallen Feathers pela mecânica, pelos desafios e por conta da direção de arte que está impecável, e mesmo com uma trilha sonora fraca, o jogo ainda mantém seu destaque com um conteúdo rico e detalhado, que mostra o poder e o crescimento de empresas chinesas no mundo dos games.

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