Analisado no PlayStation 5
Após alguns testes em demos e betas finalmente chegou o dia de pôr as mãos em Sonic Racing: CrossWorlds, o mais novo título da franquia de corridas de Sonic e sua turma e agora sabemos quais são as armas da SEGA para conquistar os fãs do gênero, mas será que ele tem o que é preciso para se destacar nesse segmento tão concorrido?
Sonic Racing: CrossWorlds foi desenvolvido pelo Sonic Team e publicado pela SEGA, com lançamento para o dia 22 de setembro de 2025 na Deluxe e 25/09 na padrão, ele oferece versões para todas as plataformas, sendo PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X | S, Xbox One, Nintendo Switch, PC e uma versão para o Nintendo Switch 2 que chega em breve.
Enquanto alguns concorrentes mudaram drasticamente sua fórmula, Sonic Racing: CrossWorlds partiu para um caminho mais seguro e tradicional, inclusive abandonado as mecânicas apresentadas (e muito criticadas) de Team Sonic Racing, mas isso não quer dizer que ele seja genérico ou sem inspiração, muito pelo contrário, ele foca em crossovers como novidades, e isso se reflete tanto em colaborações com personagens do universo SEGA como de outras empresas, mas também em como as corridas funcionam.
Vamos partir do princípio, Sonic Racing: CrossWorlds é mais um jogo de kart com a marca SEGA. O protagonista é o Sonic, e grande parte dos corredores jogáveis vem de sua franquia, outros nomes de peso da Sega como Ichiban Kasuga (Like a Dragon) e Hatsune Miku, já outros de empresas terceiras virão como atualização ou DLC, entre eles já sabemos que estarão presentes Steve e Alex de Minecraft, Bob Esponja e Patrick Estrela e recentemente Pac-Man foi anunciado.
O grande diferencial do game está na mecânica de Crossworlds que consiste em misturar mundos durante as provas, onde ao final da primeira volta, o líder da corrida pode escolher um novo caminho, seja ele um pré-definido que é mostrado num anel de transporte ou um que seja aleatório, fazendo com que a surpresa seja revelada apenas quando a troca de mundos seja completa. Essa mudança e desfeita para o final da terceira volta, aonde retornamos para a pista de origem.
Com essa mecânica o game ganha e variedade, afinal, ele conta com 24 pistas lineares e mais 15 Crosswords, fazendo com que a prova tenha um ritmo dinâmico e muito caótico, onde é possível sair da última colocação para as primeiras dependendo do seu ritmo nessa mudança de local.
Outro ponto que o game se destaca é em customização, são nada mais nada menos que 70 opções de partes entre dianteira, traseira e rodas que podem ser misturadas e combinadas para formar o seu possante preferido, cada modelos podem ser classificado em categorias que são focadas em velocidade, potência, turbo, controle e por aí vai. Falando ainda dos veículos aqui temos dois modelos base, o tradicional kart, que levando em consideração os formatos e tamanhos eu diria que estão mais para minimodelos de veículos tradicionais, e os hoverboards, que em Sonic Racing: CrossWorlds fazem um papel parecido ao de motocicletas em Mario Kart, onde temos um veículo mais leve e ágil, mas em contrapartida recebe mais dano nas corridas é mais difícil de controlar em comparado aos tradicionais.
Um detalhe interessante é que a tão amada mudança de transformação de veículos foi mantida, sendo em terra, água e ar, nossa máquina vai se adaptar e oferecer leves mudanças de controles para que o gameplay se mantenha sólido, por exemplo, com o veículo terrestre podemos usar um botão para derrapagem que vai até o nível 3, quanto maior o nível mais será o turbo, além disso, em saltos é possível fazer manobras, e aqui aplica-se a mesma lógica, quanto mais manobras forem feitas, maior é o turbo. Quando mudamos para a versão aquática, o drift permanece, mas agora quando carregado ele da um salto, fazendo com que itens que estão no alto possam ser coletados, e por fim, quando vamos para o ar, o principal comando passa a ser o de controlar a altitude do veículo, que é facilmente ajustada empurrando ou puxando a alavanca do analógico.
A estrutura do game é formada por Grand Prix, Parque de Corrida e Prova de Tempo. O Grand Prix oferece 4 níveis de dificuldade, com mais um modo espelhado a ser desbloqueado, além disso, toda vez o game escolhe um outro corredor Rival, não sei bem o porquê disso, mas tem algo ligado com a pontuação, esse modo ainda oferece 7 campeonatos com mais 3 bonus, um liberado por jogar o game e os demais por uma atualização já prevista. Cada campeonato conta com 3 provas, naquele esquema que já expliquei acima, já a corrida final usa uma volta de cada pista anterior para ser composta, fazendo as mudanças de cada cenário na troca de uma volta pela outra.
Durante as corridas temos vários elementos que compõem o gameplay, por exemplo, os famosos anéis da franquia servem como fator determinante da velocidade máxima, quanto mais anéis possuir, maior será o limite do veículo, porém, fique atento, colisões com outros veículos e com as barreiras das pistas fazem você perdê-los. Itens como painéis de turbo estão espalhados pelo cenário, bem como famosos anéis estrela vermelhas da série, além disso, é claro que não poderíamos esquecer dos itens que provocam boa parte do caos, aqui eles são classificados em perigo, ataque defesa e velocidade, mesmo que alguns possam ser usados para as duas funções, itens como Wisps de velocidade podem aparecer em versões com 1, 2 ou 3 usos, já as bombas ficam maiores com o passar do tempo e podem causar um dano bem maior nos oponentes, itens como soco foguete e o soco foguete teleguiado funcionam iguaizinhos os cascos verde e vermelho de Mario Kart, já o King Boom Boo é a versão do casco azul desse game. São 24 itens para usar, mas claro que os melhores só aparecem quando você está nas últimas posições.
Tanto os anéis estrela vermelhas, quanto os seus rendimentos contra o rival e a pontuação na prova vão render Bilhetes Donpa, a moeda do game, que pode ser usado para desbloquear peças e customização para os veículos. Outros modos de game também oferecem uma boa forma de coletar os bilhetes bem como conquistar recompensar, por exemplo, no Parque de Corrida temos opções de gameplay com regras diferenciadas, apesar de ser voltado para o multiplayer é possível jogar sozinho, aqui duas ou três equipes são formadas em provas como corridas normais, disputas com itens poderosos, desafios de manobras, coleta máxima de anéis, uso de painéis de turbo ou até competições de velocidade máxima, esse modo oferece veículos customizados como recompensas ao vencer a equipe perdedora por exemplo. Por fim o modo Prova de Tempo não tem segredo, é comum time trials de sempre. Um detalhe importante, o game suporta até 4 jogadores em slipt-screen local ou até 12 corredores online.
Sonic Racing: CrossWorlds ainda oferece mais duas mecânicas novas, a primeira é o modo frenesi que pode aparecer de tempos em tempos em uma das pistas CrossWorlds e que vai aplicar dinâmicas malucas durante aquele trecho e a segunda e talvez a mais legal entre elas é a Placa de Dispositivos, essa meus amigos é basicamente a instalação de modificadores aos seus veículos. Vou tentar resumir para não me estender demais, as placas de dispositivos são divididas em quatro níveis começando na Placa Normal e chegando até a Placa de Mestre, cada atualização dela um novo espaço de instalação é liberado, bem como novos dispositivos modificadores são descobertos, alguns incluem melhorias no ganho dos anéis, aumento da capacidade de carregá-los, melhorias no número máximo de etapas de drift, itens especiais de largada e por aí vai… Isso implementa um novo fator estratégia ao game, ainda mais por oferecer 5 placas que podem ser customizadas e alteradas entre uma prova e outra a depender da corrida e da sua estratégia.
A jogabilidade se mostra bastante sólida, com os níveis de dificuldade bem calibrados, mas não sem algumas reclamações, por exemplo, eu começar como último colocado na primeira prova é normal, mas continuar sempre começando em último não importando minha posição de chegada é bem chato, pior ainda o fato que o meu rival de campeonato sempre vai largar em primeiro. Segunda coisa, ainda sobre o rival, se você estiver na última prova, última volta e por mais perto que esteja dele, a não ser que consiga um item especial não vai ser possível alcançá-lo e menos ainda ultrapassar, esquece, nem a volta mais perfeita vai fazer você superar seu oponente que está à frente. E por fim, o game mostra que estamos próximos ou acima dos 200Km/h, mas tem momentos que o game não parece correr nessa velocidade toda, a sensação de velocidade parece um pouco comprometida, escolher níveis de dificuldade maiores (que são classificados em velocidade) ajudam, mas ainda parece um pouco estranho as vezes.
Graficamente o game é lindo, lindo mesmo, joguei num PS5 base e não tenho do que reclamar, na minha experiência não senti problemas de queda de quadros ou bugs de renderização, o game oferece duas variações, qualidade ou desempenho, logicamente desempenho é a escolha correta. Na parte sonora assumo que estava um pouco cético, as músicas remix apresentadas pela SEGA durante o processo de divulgação do game não tinham me agradado muito, com exceção aquela feita por Tee Lopes para o cenário inspirado em Spagonia de Sonic Unleashed, mas para minha surpresa num geral todas as músicas do game funcionam muito bem, não achei nada memorável, mas estão boas. No quesito vozes infelizmente não temos português (eu sei que não faz muita falta, mas se existe até italiano e francês… no game), por outro lado, a parte da interface e legendas estão todas em pt-br e tudo muito bem localizado.
No fim, Sonic Racing: CrossWorlds é bem legal, não é um game perfeito, mas nesse mar de games de corrida ele consegue seu destaque, o sistema CrossWorlds é bem legal e funciona muito bem adicionando variedade ao game, o Parque de Corrida tem provas legais para jogar com os amigos, mas não dá para ignorar que algumas coisas precisam de ajustes, com isso dito, respondo à pergunta lá do início “ele tem o que é preciso para se destacar nesse segmento tão concorrido?” Sim tem sim, é gostoso de jogar e empolgante, não sem algumas falhas, mas agora o que nos resta saber é até que ponto ele vai conseguir se manter com o público, veremos.
