Super Mario Party Jamboree Switch 2 Edition + Jamboree TV – E vai rolar a festa, vai rolar | Análise

Uma festa bonita, bem feita, mas sem grandes novidades e com um precinho bem salgado.

Analisado no Nintendo Switch 2


Quando pensamos em risadas no sofá, competição amistosa regada a tapas no controle e amizades temporariamente abaladas, a franquia Mario Party é sempre um nome que vem à cabeça.

Em mais de 25 anos de história, a série percorreu diferentes plataformas da Nintendo, de consoles de mesa aos portáteis, mas manteve quase intacta sua fórmula: um tabuleiro maluco, dezenas de mini games e aquela imprevisibilidade deliciosa capaz de transformar o pior jogador em campeão, o que fala muito sobre minha pessoa, com um único lançamento sortudo dos dados.

Com a chegada do Nintendo Switch 2, a empolgação entre fãs era bem grande, todos esperando um capítulo completamente novo, que aproveitasse o novo hardware ao máximo, mas o que tivemos, pelo menos nesse início, foi um caminho diferente: a Nintendo decidiu apostar suas fichas na atualização do bem-sucedido Super Mario Party Jamboree, lançado para o Switch original no finalzinho de 2024, agora acompanhado do pacote Jamboree TV e pequenas adaptações para o Switch 2.

À primeira vista, pode soar decepcionante, especialmente para quem esperava novidades profundas. Mas seria injusto dizer que não houve melhorias, ou que o pacote não entrega valor, principalmente para quem realmente gosta de reunir os amigos em frente à TV. A essência de Jamboree segue muito bem preservada, e talvez até mais polido agora. É fácil notar como os tabuleiros foram escolhidos para agradar fãs de longa data, incluindo desde cenários mais clássicos até ambientes inéditos, todos com aquela dose de caos organizado e surpresas escondidas. A lista de personagens jogáveis é vasta, e sem dúvida, uma das maiores da história da franquia. Jogando fica a sensação de que sempre tem alguém novo para experimentar, ou um parceiro inesperado para recrutar como “Amigos do Jamboree”, o que ajuda a dar vida nova a cada partida.

Essa mecânica dos Amigos, inclusive, é um dos grandes pontos de charme aqui. Através dela, cada jogador entra em uma espécie de disputa paralela, tentando ganhar o apoio de personagens icônicos, que concedem bônus exclusivos e mudam sutilmente as estratégias do tabuleiro. Este elemento, aparentemente simples, funciona muito bem para dar um ar de novidade sem comprometer a essência do jogo. Fica claro que, do ponto de vista de design, a Nintendo quis agradar tanto quem gosta do tradicional quanto quem aproveita cada nova função que a franquia apresenta.

No que diz respeito aos mini games, a velha máxima de Mario Party segue valendo: alguns são instantaneamente memoráveis, daqueles que você pode jogar e rejogar sem enjoar, enquanto outros serão esquecidos tão rápido quanto apareceram. A genialidade do formato está justamente nisso, a variedade absurda presente no pacote faz com que, por mais que um ou outro mini game desperte pouco interesse, a renovação constante mantém a partida interessante, especialmente ao jogar em grupo. O pacote base conta ainda com opções valiosas de customização, permitindo remover jogos baseados em sensores de movimento, reduzir parâmetros randômicos e até acelerar a inteligência artificial dos NPCs nas partidas solo, o que torna toda a experiência mais adaptável para diferentes perfis de jogador, seja uma família com crianças, um grupo de amigos ou alguém querendo se divertir sozinho (que pra falar bem a verdade nunca foi e provavelmente nunca será o foco de Mario Party).

O diferencial do pacote Switch 2 Edition está todo ancorado no Jamboree TV, uma espécie de show de auditório digital que atualiza a dinâmica da festa trazendo para o centro as novas funções do Switch 2. É nesse modo que jogos com câmera, microfone e mouse finalmente encontram seu espaço para brilhar. A inspiração declarada é clara: transformar a experiência do Mario Party num show, onde o jogador não só compete, mas também aparece, literalmente, na tela ao lado de seu personagem, participando da ação muito além dos comandos tradicionais do controle.

Quando os mini games usam a câmera, o clima de festa fica perfeito: ver o próprio rosto (ou dos amigos) projetado no meio dos vilões do Bowser ou nas mais variadas situações hilárias é algo absurdamente divertido. Lembra muito a sensação de jogos de arcade como Mario Kart, que já faziam isso anos atrás, mas agora repaginado para uma geração acostumada com selfies e reações instantâneas. Logo, não faltam gargalhadas quando alguém faz uma careta após perder uma estrela ou se dá mal em um evento aleatório. Mas fica aqui uma frustração real: não é possível capturar screenshots ou vídeos durante as partidas com a câmera ativa, o que parece uma limitação meio inexplicável para um recurso que nasceu para documentar justamente esses momentos de pura emoção.

O microfone, por sua vez, é usado em um número menor de minigames, normalmente baseados em comandos de voz como gritos para avançar carrinhos ou ordens para que personagens obedeçam. A ideia aqui é menos sobre desafio e mais sobre interação, o que funciona muito bem quando o grupo topa entrar na brincadeira. Mas aqui vai uma observação importante, muitas vezes percebi um leve atraso entre eu falar um comando e a resposta do jogo, algo que me irritou principalmente em mini games rítmicos ou mais precisos, o que mostra que o recurso ainda pode evoluir muito.

Onde o DLC realmente acerta é nos minis games pensados para o uso do mouse. Aqui está uma das surpresas do pacote: são jogos inéditos, que se encaixam com facilidade na rotina do Mario Party e que traz uma sensação de novidade. Eles são acessíveis, funcionam sem exigir grandes habilidades e conseguem divertir porque apresentam jeitos novos de brincar, desde desafios de desenho a ações rápidas de clique, ampliando as possibilidades de interação sem complicar a vida de quem está ali só pela farra. Mesmo quem nunca mexeu muito com mouse em consoles rapidamente pega o jeito, o que contribui para aquele clima de inclusão universal típico de Mario Party. Ahhh e sim, o “mouse” funciona muito bem tanto na perna quanto na mesa.

Nem tudo, no entanto, são flores. A atualização, embora recheada de novidades, não é revolucionária. Quem joga Mario Party há anos vai perceber que Jamboree TV é mais um amontoado de conteúdo do que um salto criativo, algo pensado para estender o clima da festa, mas não exatamente para redefini-la. As melhorias gráficas, como o aumento de resolução e a suavidade das animações, são bem-vindas e dão um ar modernizado ao jogo. Porém, são exatamente o tipo de melhoria praticamente invisível para quem não está atento aos detalhes técnicos.

Isso fica ainda mais evidente na questão do preço: o valor cobrado pelo DLC de atualização para quem já possui o jogo não é nada baixo, e comprar a edição completa para Switch 2 chega a ser mais caro que juntar o jogo original e o DLC, por incrível que possa parecer. Para muitos potenciais compradores, a relação custo-benefício vira um grande ponto de interrogação, principalmente sabendo que nada, absolutamente nada do Jamboree TV, é essencial para a experiência central de Mario Party. O conteúdo extra é divertido, tem seu valor, mas dificilmente justifica sozinho um novo investimento grande, a menos que você realmente deseje experimentar todos os minis games e eventos possíveis, ou faça questão de usar tudo o que somente o Switch 2 permite.

No contexto geral, a chegada do Switch 2 é sentida, mas talvez menos do que eu esperava. Mario Party continua sendo a melhor desculpa para juntar amigos e família no sofá, rir de situações absurdas, torcer para a sorte virar ao seu favor num piscar de olhos e, claro, tirar sarro daquele amigo que jura que “detesta jogo injusto”, mas está sempre pedindo revanche. Para grupos de todas as idades, não há escolha melhor na biblioteca da Nintendo, principalmente agora que o jogo traz opções de customização cada vez melhores, capazes de equilibrar a disputa entre veteranos e novatos.

Ainda assim, quem busca uma experiência solo ou quem espera uma revolução em gameplay provavelmente vai se frustrar. Mario Party Jamboree Switch 2 Edition + Jamboree TV é a celebração do multiplayer local, do barulho e do improviso alegre, dos momentos que viram lembrança para sempre. É uma atualização simpática, cheia de boas ideias, mas que entende bem seus limites. No final, vale mais para quem faz da festa uma rotina do que para quem só quer experimentar algo novo.

Com tudo isso em mente, o jogo cumpre seu papel e entrega o que promete: diversão coletiva, algumas novidades criativas e o mesmo caos saboroso de sempre. Só não espere que a festa mude de endereço – ela só ganhou uma decoração nova.

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