Analisado no PlayStation 5
Pragmata é a novíssima IP Sci-fi de ação e aventura, desenvolvida e distribuída pela CAPCOM e lançada em 17 de abril de 2026 para Playstation 5, Xbox Series X e S, Nintendo Switch 2 e PCs.
Em uma sequência de lançamentos muito bem recebidos para o ano de 2026 como Resident Evil: Requiem e Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection (e futuramente com Onimusha: Way of the Sword), chegou a vez de colocarmos as mãos em Pragmata, a nova aposta da CAPCOM feita com grande primor na RE Engine.
Em um mercado em que, no momento atual, estamos muito habituados a jogar sequências, remakes e remasters, a CAPCOM dessa vez trouxe uma IP fresquinha, jogando alto e de maneira assertiva em uma rara combinação de personagens muito carismáticos (que por incrível que pareça a comunidade gostou muito) e uma gameplay com câmera em terceira pessoa onde controlamos Hugh e Diana, enfrentando robôs controlados por uma IA com um comportamento fora do normal.
Aqui existe uma certa ironia poética em Pragmata ter sido anunciado em 2020 e chegado às nossas mãos em 2026, exatamente no meio do maior debate sobre inteligência artificial da história. O que a Capcom concebeu como ficção científica se tornou, quase acidentalmente, um dos retratos mais honestos do nosso tempo e ao mesmo tempo entregou um dos jogos mais divertidos, inventivos e emocionais que já tive o prazer de jogar.
Num futuro não tão distante, muito tempo se passou desde que os seres humanos descobriram o minério de lunum, que através de diversas pesquisas serviu como filamento de impressão 3D, o chamado lunafilamento, material que é capaz de reproduzir qualquer coisa, desde que os dados do que se quer imprimir sejam disponibilizados.
Dado certo momento a base lunar que se dedica aos estudos e desenvolvimento do lunafilamento subitamente para de se comunicar sem quaisquer vestígios. A partir disso um time de investigação é enviado ao local para descobrir o que aconteceu. Ao chegarem lá eles são repentinamente recebidos por um grande terremoto lunar. Hugh Williams é separado de sua equipe e fica ferido após o ocorrido. Por sorte, uma unidade Pragmata desperta e acaba encontrando e resgatando-o.
No meio disso tudo a IA administradora da estação lunar, IDUS, entra em colapso e agora controla um exército de robôs hostis. Sua missão agora é sobreviver e voltar para a Terra. Mas o que parece simples na sinopse se desdobra em algo muito maior: uma meditação sobre conexão, identidade e o que significa ser humano em um mundo cada vez mais mediado por máquinas.
O sistema de combate é onde Pragmata realmente brilha. Você controla Hugh e Diana simultaneamente: enquanto Hugh usa armas baseadas em energia e um jetpack para desviar e reposicionar, Diana hackeia os robôs inimigos para abrir seus pontos fracos, pois sem o hack, as balas simplesmente ricocheteiam. Na prática, isso significa que cada encontro de combate é um quebra-cabeça em tempo real, exigindo que você divida a atenção entre agir como atirador e resolver uma série de hackings enquanto esquiva de ataques. Parece caótico no papel, mas na prática é pura adrenalina.
A progressão de mecânicas é um primor de game design. Novas habilidades de hacking, armas e acessórios chegam em um ritmo tão bem calibrado que você raramente se sente sobrecarregado, sempre tem algo novo para dominar. As lutas contra chefes são o ponto alto: cada uma delas é um espetáculo visual e um desafio que testa tudo que você aprendeu até ali, com uma sensação de escala e presença que poucos jogos conseguem atingir.
A direção de arte merece menção especial. A decisão de criar um nível inspirado em Nova York que parece “feito por IA generativa” (com erros propositais como táxis afundando no asfalto ou ônibus brotando das paredes) é uma das escolhas visuais mais corajosas e inteligentes da geração. O fato de que tudo foi criado manualmente por desenvolvedores humanos “imitando” a estética da IA diz mais sobre nosso momento histórico do que qualquer editorial de tecnologia. Parece que o jogo virou, não é mesmo?
Quero deixar também registrado aqui como a RE Engine mostra seu potencial de motor gráfico e o avanço tecnológico que vem recebendo ao longo dos anos, onde a cada jogo lançado a CAPCOM sempre melhora os visuais e os aspectos tecnológicos de arte de seus jogos.
A narrativa ambiental de Pragmata é silenciosa, mas gritante. Explorar as colônias lunares abandonadas evoca uma melancolia que aquele tipo de tristeza bonita que só os grandes jogos conseguem fazer. A Capcom não entrega respostas de bandeja: ela nos convida a observar, a acessar memórias e a sentir o peso da solidão humana diante da imensidão do cosmos.
E o cenário sustenta esse peso com maestria. O design futurista, o uso preciso de luz e sombra e a sensação constante de isolamento criam um mundo que é, ao mesmo tempo, belo e perturbador, como se cada corredor vazio tivesse sido calculado para te lembrar que você está muito, muito longe de qualquer lugar seguro. É aquele tipo de jogo em que você para após uma batalha e admira o horizonte lunar por alguns segundos. E entende, naquele silêncio, exatamente o que o jogo está tentando te dizer.
Pragmata é a prova de que a Capcom ainda sabe arriscar, mas quando feito com convicção, produz algo que a indústria raramente entrega: um jogo corajoso de verdade. Não o tipo de coragem que aparece só no discurso, mas aquela que aparece nas escolhas: uma mecânica que poderia ter afastado jogadores, uma narrativa que prefere a intimidade ao espetáculo, um mundo que te faz pensar sobre humanidade enquanto você tenta sobreviver nele.
Ele não tenta agradar todo mundo e essa é exatamente sua maior força. Ao apostar em uma proposta singular e em personagens que ficam com você muito depois dos créditos, a Capcom entrega uma experiência que pode não ser perfeita, mas é absolutamente memorável. Como gamer, é impossível não valorizar quando um jogo tenta algo novo. É mais raro ainda quando ele acerta. Pragmata não é só um jogo. É uma ideia que deu certo e é o que a indústria precisava muito ver funcionar.
Veredito Gamers & Games
9.8
/ 10
“Pragmata é um jogo inovador, emocional e corajoso que prova que ainda há espaço para novas ideias no mundo dos games.”
