Bye Sweet Carole – Uma homenagem as clássicas animações, mas com bugs | Análise

Uma fábula sombria em 2D: narrativa envolvente, direção de arte feita à mão e puzzles que testam paciência.

Analisado no PlayStation 5


Lançado em 09 de outubro de 2025 pelo estúdio Little Sewing Machine, Bye Sweet Carole se passa em uma Inglaterra do século XX, em um período em que o movimento sufragista começava a redefinir a sociedade. Logo no começo somos apresentados à protagonista Lana Benton, uma órfã que não se encaixa e discorda dos pensamentos “antiquados” do local e do comportamento de suas colegas. Lana parte em uma jornada em busca de sua única amiga, Carole Simmons. Nessa trajetória, conhecemos um pouco mais sobre o orfanato Bunny Hall e sobre o misterioso reino de Corolla, agora controlado pelo enigmático Sr. Kyn. Todo o jogo utiliza um tom inspirado em Alice no País das Maravilhas, mesclando personagens da vida real de Lana com criaturas e cenários do universo imaginado por ela.

A narrativa é muito bem construída e não nos deixa empacados por muito tempo; o enredo aborda temas como bullying e direitos das mulheres de forma fluida e no momento certo, o que confere profundidade sem soar didático. Para quem curte um game com história profunda, descobertas e muitos plot twists, a experiência certamente prende do começo ao fim. A costura entre o drama pessoal da protagonista e as camadas simbólicas do reino de Corolla foi feita de forma excelente, mostrando que o roteiro equilibra bem tensão e momentos mais leves.

A jogabilidade mistura elementos de plataforma, resolução de enigmas e exploração, alternando essas dinâmicas para manter o jogador imerso. Os puzzles são os desafios mais recorrentes: apesar de simples na mecânica, exigem atenção e paciência para encontrar soluções. Nessas partes, acabamos repetindo a mesma área, indo e voltando até resolver o enigma, encontrar as peças necessárias e finalmente avançar, o que para alguns jogadores pode soar cansativo. Ainda assim, quando conseguimos progredir a sensação de conquista é bastante gratificante e, confesso, mesmo com puzzles considerados fáceis, virei estatística e cheguei a matar a Lana algumas vezes.

Em determinados trechos é preciso alternar entre personagens principais para cumprir tarefas diferentes, como saltar mais alto ou atravessar fogo; essas habilidades são desbloqueadas ao longo da jornada e ajudam a evitar monotonia. Toda essa variedade de jogabilidade, combinada com a trilha sonora feita especialmente para intensificar a tensão conforme os acontecimentos, torna a experiência ainda mais envolvente.

O visual de Bye Sweet Carole é, de longe, o que mais chama atenção: a direção de arte acerta em cheio nas ilustrações. A estética 2D, claramente inspirada nos clássicos das princesas como Cinderela, Branca de Neve, A Bela e a Fera e Anastásia, foi trabalhada quadro a quadro desenhada à mão, o que confere uma sensação nostálgica e encantadora. É daqueles jogos que fazem você pausar só para observar a tela.

Essa estética nostálgica se mistura a um terror caricato no estilo Tim Burton, um horror mais infantil, mas com pitadas bizarras e vários jump scares que, longe de serem gratuitos, estão integrados à atmosfera e complementam bem a história. A trilha sonora, por sua vez, é empregada de modo inteligente para intensificar a tensão conforme os acontecimentos, contribuindo muito para a imersão. Algumas análises complementares ressaltam também a atenção ao áudio espacial e à mixagem, garantindo que a música e os efeitos realcem cada momento chave.

Nem tudo, porém, são flores: tive dificuldades em alguns momentos de combate, não por falta de explicação ou de habilidades, mas por bugs pontuais como inimigos que não apareciam, surgiam em locais impossíveis de alcançar ou apresentavam comportamento estranho. Reiniciar o jogo resolveu a maior parte dessas falhas, mas a quebra de ritmo incomoda. A repetição de idas e vindas em certos cenários, que pode alongar artificialmente a progressão pode causar incomodo, ainda mais em pessoas menos fã desse tipo de exploração.

Apesar da ilustração impecável e da história muito bem construída em Bye Sweet Carole, achei os puzzles um pouco repetitivos e os bugs em combates tiraram um pouco do brilho. Não é um jogo que eu conseguiria jogar por horas seguidas; eu pausava, jogava algo mais leve e depois voltava. Ainda assim, é um título que definitivamente merece ser jogado até o fim: compensa pela direção de arte, pela narrativa envolvente e pela atmosfera única que mistura nostalgia e um terror ligeiramente bizarro.

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