Marathon foi lançado como um título premium para PS5, Xbox e PC em 5 de março, mas a história por trás de parte da sua direção de arte vem de uma controvérsia que começou bem antes. Em maio de 2025, a artista escocesa Fern “4nt1r34l” Hook acusou a Bungie de ter utilizado assets de um trabalho anterior seu no alpha de Marathon sem qualquer aviso, permissão ou crédito. Depois de investigar as alegações, a Bungie acabou por admitir que a artista tinha razão, atribuiu a responsabilidade a um ex-funcionário que teria inserido a arte no projeto por conta própria e anunciou uma revisão completa dos materiais visuais do jogo para remover qualquer conteúdo “obtido de forma imprópria”.
Na altura, o estúdio reagiu retirando todas as imagens de gameplay de uma transmissão seguinte, prometendo reforçar os processos internos e garantir que situações semelhantes não voltariam a acontecer. Cerca de sete meses depois, Hook publicou uma mensagem curta no X declarando que “a questão da arte de Marathon foi resolvida com a Bungie e a Sony Interactive Entertainment de forma satisfatória”, sem entrar em detalhes sobre os termos do acordo, nem esclarecer se o próprio comunicado fazia parte das condições negociadas.
Com o lançamento oficial de Marathon nesta quinta-feira, surgiu finalmente um sinal concreto de como esse acerto se materializou dentro do jogo. Como notou o ilustrador Ehud Kurzweil no Bluesky, Fern Hook agora aparece nos créditos de Marathon com o cargo de “visual design consultant”. Não está claro se isso significa que ela foi de facto contratada para colaborar mais profundamente na direção de arte após o incidente, com trabalho extra remunerado, ou se o título funciona principalmente como forma formal de reconhecimento e reparação pela utilização anterior do seu estilo e dos seus conceitos. Ainda assim, o crédito dá mais contexto às declarações do diretor de arte Joseph Cross, que no ano passado já tinha dito que o estúdio entrou em contacto com Hook para pedir desculpa e garantir que iria “fazer a coisa certa” em relação a ela, elogiando o seu trabalho e admitindo que compreendia quão injusta a situação parecia para uma artista independente.
Paralelamente à resolução do caso, a Bungie tenta posicionar Marathon com uma política de monetização relativamente amigável. O jogo foi lançado como título premium, e o estúdio afirma que, pelo menos por enquanto, todo o conteúdo pós-lançamento será disponibilizado sem custo adicional. A Bungie também garante que Marathon não terá qualquer tipo de mecânica pay-to-win, reforçando que a progressão e o desempenho em jogo devem depender da habilidade dos jogadores e do tempo investido, e não da quantidade de dinheiro gasto em microtransações.
