Novos detalhes foram revelados sobre o estúdio de Shinji Mikami, que está trabalhando em uma nova propriedade intelectual original para consoles e PC. Mikami, criador da série Resident Evil na Capcom e antigo líder da Tango Gameworks, responsável por The Evil Within, Ghostwire: Tokyo e Hi-Fi Rush, deixou o estúdio em 2023 e desde então concentra-se numa nova casa criativa.
Através do site oficial da “Unbound Games”, que está online há pelo menos um ano mas só recentemente ganhou visibilidade, ficamos sabendo que a empresa está em atividade desde maio de 2023, com Mikami listado como diretor representante. O estúdio é descrito como uma companhia totalmente independente, dedicada ao desenvolvimento de jogos de alto nível para o mercado de consumo, com o objetivo declarado de criar títulos originais de calibre AAA.
Atualmente, a Unbound Games conta com cerca de 50 funcionários, com ambição de crescer até perto de 150 colaboradores. As ofertas de emprego indicam que o estúdio trabalha em um projeto “high‑end”, uma IP original desenvolvida em Unreal Engine 5 para PlayStation 5, Xbox e PC. Em paralelo, o estúdio manifesta a intenção de, no futuro, criar também títulos de menor escala, gerindo em simultâneo projetos grandes e pequenos. No perfil da empresa, a Unbound sublinha que o seu staff tem experiência em séries como Silent Hill, Resident Evil, Shadow of the Colossus e Hi‑Fi Rush, sugerindo uma equipa formada por veteranos de alguns dos nomes mais influentes do design japonês contemporâneo.
Entre os membros identificados está Masato Kimura, produtor de Ghostwire: Tokyo e Hi‑Fi Rush, colaborador de longa data de Mikami com passagem por Devil May Cry, Resident Evil, PN.03 e outros projetos. Em entrevista publicada no site da Unbound, Kimura foi questionado sobre o jogo de estreia do estúdio. Ele evita entrar em detalhes, mas descreve-o como um título AAA destinado a um público “high‑end”. Ao mesmo tempo, reconhece que replicar, no Japão, o modelo típico de AAA ocidental, frequentemente baseado em orçamentos de centenas de milhares de milhões de ienes, centenas de pessoas e ciclos de desenvolvimento de cinco a sete anos, é extremamente difícil.
Por isso, Kimura explica que a meta da Unbound é “qualidade AAA e conteúdo AA”: um jogo que, em termos de apresentação, polimento e impacto visual, se aproxime do topo do mercado, mas com um escopo mais contido e uma estrutura de conteúdo mais enxuta, pensada para proporcionar uma experiência rica e profundamente imersiva sem necessariamente tentar competir em escala bruta com os maiores blockbusters da indústria. A aposta parece estar em criar um mundo capaz de absorver o jogador, com foco em densidade e identidade própria, em vez de apenas tamanho e duração.
Kimura reforça ainda que o estúdio quer, a médio prazo, alternar entre projetos maiores e menores, cultivando uma cultura interna fortemente baseada na experimentação. Segundo o produtor, criar algo novo implica sucessivas rondas de tentativa e erro, implementação e modificação, ajustes constantes e, muitas vezes, descartar trabalho já feito. Ele descreve o processo como um “estilo de produção vivo”, um modelo de desenvolvimento flexível em que conteúdos mudam frequentemente e os planos são ajustados em função das descobertas criativas.
Essa abordagem exige programadores e restantes membros da equipa dispostos a lidar com mudanças de rumo e com um processo de construção e destruição contínuo. Kimura sublinha que a Unbound procura precisamente pessoas que não só aceitem esse estilo, como o apreciem, e que vejam nesse ambiente experimental uma oportunidade para criar experiências verdadeiramente novas, em vez de se limitarem a seguir modelos estabelecidos.
Shinji Mikami, por sua vez, chega à Unbound com um legado considerável. Na Capcom, foi diretor do primeiro Resident Evil, do seu remake para GameCube em 2002, de Resident Evil 4 e de outros títulos marcantes. Mais tarde, na Tango Gameworks, supervisionou a criação de The Evil Within, a reinvenção sobrenatural de Tóquio em Ghostwire: Tokyo e a surpresa estilosa e rítmica de Hi‑Fi Rush. Em 2020, Mikami já tinha declarado que gostaria de dirigir pelo menos mais um grande projeto antes de se aposentar, e que as suas ideias não se limitavam ao género de terror. A existência da Unbound Games e deste novo projeto original para PS5, Xbox e PC surge agora como o palco ideal para essa ambição, deixando os fãs curiosos sobre se o próximo grande jogo com a sua assinatura será um novo mergulho no horror, uma ruptura total de género ou algo situado algures entre esses extremos.
