A Square Enix reconheceu publicamente um problema que muitos fãs já comentavam há anos: a perda de relevância da série Final Fantasy entre jogadores mais jovens.
Durante um vídeo de celebração do lançamento de Dissidia Duellum Final Fantasy para mobile, Naoki Yoshida, diretor de Final Fantasy 14 e produtor de Final Fantasy 16, abordou de forma direta a dificuldade da nova geração em se conectar com a franquia.
Segundo Yoshida, um dos fatores centrais é o tempo enorme entre os lançamentos principais. Mesmo com projetos paralelos como Final Fantasy 7 Remake, a realidade é dura: nos últimos 16 anos, a série principal recebeu apenas três jogos numerados.
Os dois lançamentos mais recentes ilustram bem o problema:
- Final Fantasy 15 foi lançado em 2016
- Final Fantasy 16 chegou somente em 2023
Ou seja, um intervalo de 7 anos entre um título principal e outro. Para a Square Enix, esse espaçamento se tornou um obstáculo concreto para manter a série viva no imaginário da nova geração.
Yoshida, que hoje tem 53 anos, fez questão de comparar a sua própria experiência com a dos jogadores atuais:
“Tenho 53 agora e tenho jogado em tempo real desde o Final Fantasy 1, mas para as gerações mais novas – as pessoas que cresceram habituadas naturalmente a jogos de combate e ação e online competitivo – as recentes entradas na série podem ter sido mais difíceis de jogar.”
Ele explica que parte do problema está no choque entre a expectativa de quem cresceu com jogos mais rápidos, orientados para ação e competitividade online, e a forma como muitos Final Fantasy ainda são estruturados, com ritmo mais cadenciado, foco narrativo forte e sistemas relativamente complexos.
Yoshida também aponta diretamente para o efeito dos longos ciclos de desenvolvimento:
“Parte disso é simplesmente porque, lamento dizer, os intervalos de lançamentos entre novos jogos tornaram-se maiores, portanto, alguns jogadores não tiveram mesmo a hipótese de se conectarem com a série da forma que os fãs mais velhos tiveram.”
Na prática, um adolescente ou jovem adulto de hoje dificilmente teve a experiência de acompanhar vários Final Fantasy em sequência, como aconteceu com quem viveu as eras de SNES, PS1 e PS2, onde a série tinha presença quase constante. Em vez disso, muitos veem Final Fantasy como algo distante, associado a “jogo antigo” ou a lançamentos eventuais que chegam depois de anos de espera.
A admissão de Yoshida deixa claro que a Square Enix está consciente de que não basta apenas fazer um grande JRPG a cada década: é preciso repensar ritmo de lançamentos, acessibilidade, linguagem e formato, se a série quiser recuperar relevância cultural junto às novas gerações — sem perder a identidade que a tornou um ícone para os fãs mais antigos.
