Analisado no PC
Lançado em 30 de janeiro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, The 9th Charnel chega com aquela aura de projeto passional, feito por quem claramente cresceu jogando os pilares do survival horror. A proposta é o arroz com feijão que a gente conhece: sobreviver em um mundo hostil usando furtividade ou as poucas armas que o jogo te entrega. Se por um lado o game tenta evocar a atmosfera de clássicos como Silent Hill 2, por outro ele entrega uma execução tão capenga que qualquer nostalgia rapidamente se transforma em irritação pura.
Visualmente, The 9th Charnel é uma desculpa para não investir em arte. A iluminação até tenta criar algum clima, mas rapidamente a magia se desfaz quando você percebe que está andando pelos mesmos três corredores reciclados, com texturas que parecem sobras de um jogo de PlayStation 2 mal otimizado. O verdadeiro crime, porém, são os modelos de personagens. São tão mal feitos que chegam a ser cômicos… bocas que não se movem direito, olhos de peixe morto, animações dignas de um meme. As cutscenes são travadas a ponto de parecerem apresentações de slides.
No gameplay, a experiência é uma montanha-russa. O loop de exploração e coleta de itens funciona, e os puzzles são satisfatórios, exigindo que você realmente preste atenção em documentos e diários para avançar — algo que fã de terror raiz sempre valoriza. O problema é que, conforme você avança, percebe que os monstros são previsíveis e extremamente dependentes de scripts básicos. A promessa de um gerenciamento de recursos tenso só dá as caras mesmo no final do jogo, onde, curiosamente, o game vira um shooter genérico com munição de sobra, jogando fora todo o senso de perigo construído anteriormente.
Os inimigos são tão previsíveis que dá para atravessar fases inteiras correndo em linha reta sem nunca ser tocado. A IA não é burra — é vegetativa. O jogo promete “gerenciamento tenso de recursos”, mas a realidade é que você acumula itens sem nunca precisar usá-los, até que nos momentos finais o jogo perde completamente a linha e se transforma em um shooter genérico onde chove munição. A sensação de perigo, que nunca existiu de fato, é substituída por tédio armado.
A história é um festival de clichês sem criatividade. Culto sombrio, símbolos estranhos, protagonista genérico. Os personagens secundários são tão esquecíveis que você nem vai notar quando eles desaparecem — porque o roteiro também não nota. O final é apressado, sem pé nem cabeça, e deixa pontas soltas como se o desenvolvedor tivesse simplesmente desligado o computador e ido embora. Não há catarse, não há surpresa, não há nada além da sensação de tempo perdido.
No fim das contas, The 9th Charnel é um jogo que falha no essencial. Ele não é mediano, é ruim com requintes de crueldade. As falhas de performance são constantes (queda de FPS, travamentos, bugs de colisão), os controles são um pesadelo de imprecisão, e a estrutura toda desaba antes mesmo do primeiro terço. É uma experiência curta (3 horas) que parece durar o triplo de tão arrastada e repetitiva. Só merece recomendação se você for um masoquista saudosista ou um crítico disposto a sofrer pelo ofício. Para qualquer pessoa normal, é desperdício de dinheiro e de vida.
Veredito Gamers & Games
3.0
/ 10
“The 9th Charnel tenta homenagear o survival horror clássico, mas falha em IA, performance e narrativa, entregando uma experiência frustrante e tecnicamente problemática.”
