Analisado no PlayStation 5
Eu acho muito interessante poder ver desenvolvedores independentes tentando abrir caminho para que seus jogos de baixo orçamento alcançar o máximo de público possível, tentando fazer seus títulos se destacarem com muitos recursos que você esperaria de títulos AAA, mas esta é uma manobra realmente complicada e arriscada. Você precisa de dinheiro, mão de obra e experiência para criar uma aventura significativa com um orçamento apertado. Adicionar recursos e influências de jogos maiores em um jogo independente pode ocasionalmente ser algo perigoso. Um exemplo é o Mirage 7, um jogo estranho, desenvolvido pela Drakkar Dev e publicada pela Blowfish.
Mirage 7 se descreve como uma mistura entre fantasia árabe antiga e ficção científica, embora esta última seja quase imperceptível durante a maior parte de seu tempo de execução. O jogo começa com um drone caindo no deserto e despertando uma figura misteriosa. Depois disso, a trama muda para uma época diferente, onde você conhece a protagonista, Nadira, bem como seu lagarto de estimação, Jiji. Sua história é alavancada pela busca por sua irmã, culminando em seu final dentro de cavernas que parecem armadilhas, explorando templos e tentando entender a conexão entre ela e a figura que foi despertada.
É um jogo com muita história, mas essa é uma de suas maiores fraquezas. Mirage 7 não é um título bem escrito ou bem desenvolvido. Com performances robóticas pobres e limítrofes entregando falas que parecem totalmente amadoras ou sem sentido. Há muita dublagem, com Nadira falando sozinha com mais frequência do que Aloy da franquia Horizon, mas muito raramente ela diz algo que seja realmente importante. Não é que o cenário não seja interessante, até porque ele é. Eu simplesmente não me importo com Nadira, sua irmã e qualquer outro personagem que eventualmente tenha aparecido. Mentira, eu gostei do lagarto, não só porque ele é fofo, mas porque não é particularmente inútil durante a jogatina.
Infelizmente, a jogabilidade também é bastante triste. Mirage 7 queria ser um pouco como Uncharted, um pouco como Prince of Persia, e um pouco como um jogo de aventura tradicional, com quebra-cabeças para resolver e outras coisas além disso, mas não acho que muitos de seus elementos relacionados à jogabilidade funcionem, e honestamente, isso ultrapassa a minha opinião, é um fato. Nadira se move como um robô que acabou de aprender a andar, ela não é ágil ou fluida, parece que há elementos invisíveis no cenário que sempre interrompem sua movimentação. Ela também é horrorosa para interagir com um objeto, já que o comando para fazer isso demora um pouco para aparecer na tela, mesmo quando você esteja bem na frente de um objeto interativo.
A plataforma é muito desajeitada, você não tem um botão de salto, mas um botão sensível ao contexto que permite escalar pequenas saliências ou pular lacunas de uma maneira muito bizarra. O combate é o sistema mais “tanto faz” que já vi em um jogo de ação e aventura. Os inimigos são molengas, mal reagem aos seus ataques e têm o QI de um negacionista/terraplanista.
Posso admitir que, de vez em quando, quase nunca, talvez você encontre um quebra-cabeça que realmente pareça… decente. Não é como se os controles e a mecânica fizessem algum sentido, mas você pode observar que Drakkar Dev estava tentando. Alguns desses quebra-cabeças não são tão óbvios de resolver como você esperaria inicialmente, exigindo atenção cuidadosa, tanto da análise do ambiente ao seu redor quanto do seu inventário. Você ainda precisará combinar itens de vez em quando.
Preciso enfatizar uma coisa: os gráficos do Mirage 7. Mais uma vez, dá para admitir que eles tentaram. Há uma força tentando recriar períodos históricos, e Drakkar Dev tentou adicionar alguns elementos de fantasia sombria aqui e ali, mas os recursos parecem um tanto quanto pobres e suas animações são simplesmente horríveis. Para um jogo que tenta imitar grandes nomes de maior orçamento, esses modelos de personagens são simplesmente inaceitáveis. Os ambientes são imprevisíveis, mas apresentam pelo menos uma iluminação razoavelmente decente, já os personagens… não, simplesmente não dá para aceitar.
O Mirage 7 tenta ser maior e mais ousado do que o seu pequeno orçamento permitiria em qualquer lugar do mundo, e acredito que esta seja a sua maior fraqueza. Seus desenvolvedores tentaram voar muito perto do sol, e todos nós conhecemos a história de Ícaro. Este jogo tenta ser um quebra-cabeças, um jogo de ação, uma aventura baseada em uma história, mas nunca se concentra verdadeiramente em um único elemento para torná-lo menos superficial e descartável. Você não pode simplesmente fazer algo que tente se parecer com Uncharted e Prince of Persia e Assassin’s Creed com um orçamento tão apertado e com controles tão ruins. É fofo vislumbrar a ambição dos desenvolvedores, mas isso só pode ser definido como: Para ficar ruim, tem que melhorar. E duvido que qualquer patch por si só resolveria todos os problemas que os próprios desenvolvedores causaram ao título.
Veredito Gamers & Games
3.0
/ 10
“Mirage 7 é uma aventura ambiciosa que tenta abraçar elementos de grandes franquias, mas falha na execução técnica, nos controles e na narrativa, resultando em uma experiência inconsistente e superficial.”
