Nova CEO da Xbox quer focar em jogadores ativos diários e “rever” exclusividades

Asha Sharma redefine a missão da marca e volta a usar apenas “Xbox” como nome.

A nova CEO de gaming da Microsoft, Asha Sharma, apresentou a sua primeira grande declaração de missão para o futuro da Xbox e deixou dois recados claros: a marca vai passar a medir tudo pelo número de jogadores ativos diários (DAUs) e está reavaliando a forma como trata exclusividade e IA. A antiga designação “Microsoft Gaming” será abandonada; a divisão volta a chamar‑se simplesmente Xbox.

A mensagem, enviada a funcionários no mundo todo e publicada no site oficial, foi assinada por Sharma e pelo chief content officer Matt Booty, e organiza o futuro da Xbox em quatro prioridades: hardware, conteúdo, experiência e serviços.

Ao longo do texto, eles afirmam que, “no caminho, vamos reavaliar a nossa abordagem a exclusividade, janelas de lançamento e IA e partilhar mais à medida que aprendermos e decidirmos”. Não há promessas concretas, mas é um sinal de que a liderança está ouvindo jogadores que sentem que a marca perdeu valor ao levar exclusivos para PS5 e Nintendo Switch 2.

Asha Sharma

Exclusividade: recuo, ajuste ou só “timed exclusive”?

Sharma herda uma estratégia em que a Xbox se tornou cada vez mais multiplataforma: só em 2025, seis jogos de estúdios Xbox foram lançados para PS5, e mais estão planeados para 2026. Alguns chegam depois nos consoles rivais (como Indiana Jones e Avowed), outros chegam no mesmo dia, como The Outer Worlds 2 e o próximo Fable.

O caso mais simbólico é Forza Horizon 5, cuja versão PS5, lançada em abril de 2025, mais de três anos depois da estreia em Xbox/PC, já vendeu mais de 5 milhões de cópias, segundo a Virtuos, que ajudou no port. Ou seja, houve dinheiro em cima da mesa… mas parte da comunidade sente que isso também tirou “razão de existir” da consola Xbox enquanto hardware exclusivo.

O texto da liderança não diz “vamos voltar a exclusivos para sempre”, mas a expressão “reavaliar exclusividade e janela” deixa margem para:

IA: cautela após o medo de “flood de slop”

Na parte de IA, o recado é mais cuidadoso. Sharma vem da área de IA e, ainda assim, já tinha prometido que não iria forçar o uso de IA generativa nos estúdios nem “inundar o ecossistema de lixo” (o famoso “slop”). Agora, ao dizer que também vai rever a estratégia de IA, a mensagem parece ser: usar IA onde fizer sentido, produtividade, ferramentas de desenvolvimento, personalização, sem transformar tudo em conteúdo automático de baixa qualidade.

Não está claro, por enquanto, se isso significará:

A nova “estrela guia”: jogadores ativos diários

O ponto central da carta é a mudança de métrica: o objetivo número um da Xbox passa a ser jogadores ativos diários. Em vez de falar só de vendas de console, vendas de jogo ou número de assinantes, a empresa quer tudo sob um guarda‑chuva: “quantas pessoas estão jogando Xbox hoje, em qualquer lugar”.

O editor Christopher Dring, do The Game Business, comenta que isto traz clareza a um negócio que parecia puxado em várias direções: assinaturas, vendas de console, vendas avulsas, cloud, PC, mobile. DAUs coloca tudo na mesma régua: se aumenta jogadores ativos, é prioridade; se não aumenta, é questionado.

Ele lembra que isso implica, por definição, mais foco em jogos live service e multiplayer, o que pode preocupar fãs 100% single‑player, mas é uma área onde a Xbox tem tradição desde o primeiro Halo.

Hardware: estabilizar o presente, empurrar o futuro com Project Helix

Na parte de hardware, a carta fala em:

A visão para a próxima geração é ambiciosa: o “próximo Xbox” será onde o mundo joga e cria. Console continua na base, oferecendo experiência premium, enquanto a cloud leva essa experiência a qualquer dispositivo, com progressos, amigos e identidade a acompanhar o jogador em todo lado.

Conteúdo: franquias duradouras, terceiros e expansão global

Em conteúdo, Sharma e Booty traçam quatro grandes linhas:

Serviços: Game Pass mais “diferente” e financeiramente sustentável

Na área de serviços, o foco é arrumar a casa:

Na prática, isto ajuda a explicar duas decisões recentes:

  1. Redução de preço do Game Pass e no PC Game Pass, com Sharma a admitir que o serviço ficou caro demais para muitos jogadores.
  2. Remoção dos futuros Call of Duty do Game Pass, depois de analistas apontarem que a presença da série não estava resultando num aumento proporcional de assinantes.

É um movimento que sugere que o Xbox está abandonando o “crescimento a qualquer custo” para algo mais equilibrado entre valor para o jogador e viabilidade económica.

Experiência e autocrítica: “temos trabalho a fazer”

A carta começa assumindo que Xbox tem problemas reais:

Sharma e Booty também ressaltam que uma nova geração de jogadores chega com expectativas diferentes: dividem o tempo entre muitos tipos de mídia, querem mais conteúdo em ambientes que já conhecem, querem participar na construção dos mundos e socializar e criar juntos, não só jogar lado a lado.

Eles reconhecem que “o modelo que nos trouxe até aqui não será o que nos leva adiante”. Daí o foco em DAUs, em experiência mais coesa e em Xbox como plataforma mais aberta, pessoal e acessível, com preços flexíveis, personalização forte e comunidade mais integrada.

Sair da versão mobile