Warhammer 40,000: Mechanicus II – Um passo para frente e outro para trás | Análise

Analisado no PC


Warhammer 40,000: Mechanicus II é um TRPG, desenvolvido pela Bulwark Studios e distribuído pela Kasedo Games. O título está com data de lançamento prevista para 21/05/2026 com versões para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.

Preservando e expandindo a fórmula do primeiro jogo, Warhammer 40,000: Mechanicus II traz algumas mudanças à jogatina, melhorando alguns aspectos e piorando outros. Uma experiência que ainda diverte, mas só te deixa acordado por conta da boa trilha sonora.

Em Mechanicus II, os Adeptus Mechanicus estavam se instalando e explorando um mundo com ruínas, em busca de expurgar possíveis restos de Xeno Tech e estabelecer mais um mundo forja. Entretanto, durante uma das expedições, eles acabam descobrindo que o planeta é o mundo natal de Vargard Nefershah, um Necron que vai usar as legiões de sua dinastia para resistir e expulsar de qualquer maneira os intrusos.

A trama aqui segue o padrão do primeiro título, com os eventos sendo contados através de missões e situações dentro destas, porém, agora poderemos acompanhar os dois lados desta moeda. Nesta sequência, nós temos duas campanhas disponíveis, a dos Adeptus Mechanicus que tentam exterminar os Necrons e dominar o planeta e a dos Necrons que tentam defender o planeta e expulsar os invasores. Não vou dar spoilers, mas a história é interessante e temos eventos que incorporam outros elementos da franquia, com até a participação de Space Marines em algumas missões.

A jogatina segue o padrão estabelecido no antecessor, com algumas diferenças no combate e gerenciamento que foram bastante expandidos. O novo título continua com o mesmo padrão de missão que envolve eventos aleatórios e uma quantidade de batalhas para cada. As missões são geralmente de eliminação, alcance objetivos, sobrevivência/defesa ou escolta e ao começar uma nova, você irá acompanhar o herói andando por uma seção do mapa, parando em pontos específicos onde teremos algum evento e o jogador terá de fazer uma escolha de como resolver a situação.

Seja para abrir portas, para explorar alguma localidade, ou até passar despercebido e emboscar algum inimigo. As ações escolhidas durante os eventos, irão retornar para o jogador de forma positiva ou negativa e podemos receber cura ou status positivos, recrutar unidades, ter de sacrificar unidades, receber um aumento no nível de vigilância que aumenta a quantidade de inimigos e temos até status negativos quando as coisas vão errado.

O que está diferente, é todo o sistema de gerenciamento e de batalhas, pois diferente do primeiro título, agora nós não jogamos só com heróis e sim com uma combinação de herói e tropas. Em Mechanicus II, nós iremos jogar no controle de um grupo composto de um ou mais heróis e seus lacaios, com os Adeptus Mechanicus tendo diferentes heróis, cada um com suas habilidades únicas e unidades recrutadas em um formato compartilhado, já os Necrons apesar de terem heróis diferentes, cada herói tem sua dinastia com unidades específicas para cada um.

Para conseguir concluir uma missão, é necessário que o objetivo seja cumprido e que o herói escolhido fique vivo no final do combate, o que pode ser desafiador dependendo da dificuldade, pois o número de unidades é limitado por missão, a vida delas não regenera a cada combate e dependendo do grau de vigilância você pode ter de enfrentar uma horda. Por estes motivos, o jogador precisa pensar em qual unidade escolher para cada missão, além de quantas e de como irá posicioná-las no campo de batalha, sendo que antes de começar uma missão é possível adicionar estratagemas que aumentam nossos recursos e nos dão vantagens, em troca de um aumento no nível de vigilância, este que aumenta a quantidade de inimigos por confronto.

Os heróis continuam fortes como no antecessor, ficando muito mais conforme avançam de nível e desbloqueamos suas melhorias, contudo as unidades agora têm um papel crucial na jogatina e temos combinações devastadoras que também ficam mais fortes conforme liberamos melhorias. Ambos os lados compartilham tipos destas, com unidades de ataque corpo a corpo, com corpo a corpo e a distância, outras somente a distância, temos algumas com ataques em área, outras com muita movimentação e até algumas de efeito. Existem algumas regras iniciais de engajamento que podem ser parcialmente ignoradas com upgrades como por exemplo, inicialmente as unidades a distância não podem atacar quando estão próximas a inimigos e geralmente ao tentar se mover, o inimigo irá fazer um ataque de oportunidade causando danos. Esta situação exemplificada, afeta a jogatina com tropas a distância, mas basta alguns upgrades para estas receberem opções para atacar corpo a corpo, além de também termos outras melhorias que possibilitam múltiplos ataques e movimentações por turno.

No combate, os Adeptus Mechanicus e os Necrons jogam com sistemas diferentes. Os Mechanicus são mais tradicionais, suas unidades são simples e diretas, com os heróis gerando pontos de Cognition de diversas formas que também incluem ataques e habilidades de unidades aliadas. Estes pontos são utilizados para ativarmos habilidades, ou para andarmos além do limite normal de cada herói, sendo que as habilidades também podem ser utilizadas para potencializar nossos lacaios. Os Necrons por outro lado são peculiares, eles funcionam com um medidor de Dominion, que sobe conforme causarmos dano e nos fornece diferentes efeitos conforme o nível de Dominion alcançado. As unidades Necron também são especiais e elas não morreram ao cair em batalha, podendo serem revividas automaticamente após 3 turnos, ou através de habilidades do herói Necron.

Por conta destes recursos, às unidades Necron geralmente requerem dois ataques para serem eliminadas, um para derrubar e outro seguinte para interromper o contador e as destruir por definitivo, só que este recurso acaba dando uma vantagem larga para os Necrons e causando algumas situações frustrantes jogando contra estes. Não precisa jogar para perceber que este recurso acaba estendendo o combate pois gastamos mais ataques e dependendo da dificuldade escolhida e do nível de vigilância, lutar contra Necros acaba se tornando uma verdadeira dor de cabeça, situação essa que acaba se tornando uma vantagem quando jogamos com os mesmos.

A atmosfera de jogo é composta por bons visuais e uma excelente trilha sonora. Os gráficos são legais, com modelos de personagens fiéis e cheios de detalhes, além de belos cenários que são acentuados por bons efeitos visuais. Nós jogamos uma versão pré-lançamento e infelizmente a otimização não estava boa, com algumas quedas acentuadas ao movermos a câmera, mas não é algo que vá impactar diretamente a jogatina, pois este é um jogo de turnos.

Este é um título para se jogar com um bom headset, pois os efeitos sonoros são animais. Os efeitos sonoros foram muito bem feitos, desde os sons dos ataques, a música ou som ambiente, até as vozes dos personagens, tudo está excelente. Sim, diferente do antecessor, onde os personagens eram “mudos”, agora nós temos dublagem para os personagens e as vozes foram muito bem feitas, com um efeito para simular as vozes dos Mechanicus com toda a parafernalha e modificações corporais que eles têm e também bons efeitos para os Necrons.

Como nada é perfeito, o novo título traz algumas inconsistências em sua fórmula que podem não agradar aos fãs do gênero e outras que causam frustração. Primeiramente, o pathfinding e a AI das unidades é ruim, no sentido de ser comum unidades não controladas pelo jogador, simplesmente ignorarem a existência de áreas de dano e literalmente passarem por cima destas, ou até ficarem em cima destas, tomando dano sem nenhum motivo. Algumas missões têm o spawn de inimigos gerado de maneira aleatória e o sistema não está bom, às vezes o alvo principal literalmente aparece do lado das suas unidades e você pode facilmente eliminá-lo, as vezes ele aparece do outro lado do campo de batalha e o interessante é que podemos abusar do sistema dando restart na batalha.

Por conta das mudanças no formato do combate com a introdução de lacaios, todas as batalhas ficaram longas demais e o sistema é regido por uma linha do tempo que às vezes não faz sentido algum e tivemos situações, onde ela simplesmente pulou o turno do herói, sem nenhuma explicação. Aliás a introdução da mecânica de vigilância é interessante, mas a junção dela com as unidades Necrons que podem ser reviver, acaba estendendo ainda mais os combates que as vezes são triviais e o jogo começa a ficar repetitivo após poucas missões. Além destes, o sistema de cobertura também é inconsistente e é comum unidades em cobertura receberem dano total de ataques a distância.

Tentando amenizar um pouco desta lentidão no combate, é possível aumentar a velocidade de ações, mesmo assim dependendo da quantidade de inimigos, espere missões longas e enjoativas. Para quem quiser uma experiência mais desafiadora ou mais casual, temos disponíveis diferentes níveis de dificuldades e um modo custom. No modo custom, é possível ajustar alguns recursos extras como, pontos de vida de nossas unidades, quantidade de recursos iniciais e porcentagem de ganho destes, temos também vida, quantidade e rank dos inimigos, além de outras opções que incluem até diminuição do tempo de reanimação dos Necros, para deixar o jogo ainda mais desafiador.

No final, Warhammer 40,000: Mechanicus II mantém a fórmula de seu antecessor, a expandindo com uma excelente trilha sonora, mas modificando e adicionando alguns recursos que nem sempre melhoram a jogatina. Apesar de termos mais opções de estratégia com a introdução dos lacaios, infelizmente os combates ficam enjoativos por conta do estilo de turnos por unidade, combinado a alguns sistema de jogo e mais a quantidade absurda de unidades de algumas missões. O preço cobrado é OK e eu prefiro recomendá-lo para fãs que se interessarem, do contrário é melhor esperar por uma promoção.

Veredito Gamers & Games

Nota Final
7.8
/ 10

“Warhammer 40,000: Mechanicus II expande a fórmula do primeiro jogo com mais opções estratégicas, excelente trilha sonora e boas campanhas. Apesar disso, os combates longos e algumas inconsistências acabam deixando a experiência cansativa em diversos momentos.”

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