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Valve é acusada de abuso de poder e monopólio no Steam em processo nos EUA

Produtoras indie dizem que a Valve “castiga” quem faz descontos em outras lojas digitais.

Destaques – Processo contra a Valve e o papel do Steam

  • Processo desde 2023: várias produtoras indie processam a Valve nos EUA, acusando-a de gerir um monopólio através da Steam.
  • Política de “castigo”: queixa alega que a Valve penaliza estúdios que fazem descontos em outras lojas digitais concorrentes.
  • Newell nega, documentos contradizem: Gabe Newell diz que a Valve não dita preços fora do Steam, mas foi confrontado com documentos internos onde funcionários aplicam essa política.

Desde 2023, a Valve está envolvida em um processo legal nos Estados Unidos, no qual várias produtoras indie acusam a companhia de gerir um monopólio através da Steam, a sua extremamente popular plataforma digital para PC.

Entre as principais acusações está uma alegada política de “castigo” a estúdios que oferecem descontos em outras lojas concorrentes da Steam. Segundo estes criadores, a Valve penalizaria parceiros que colocassem os seus jogos mais baratos em plataformas rivais, o que, na prática, limitaria a concorrência de preços no mercado PC.

Gabe Newell, líder da Valve, negou a existência de qualquer política que dite os preços do software de parceiras em outras lojas, mesmo quando foi confrontado com documentos internos da própria Valve em que funcionários parecem aplicar precisamente esse tipo de diretrizes.

De acordo com a Bloomberg, entre os documentos apresentados em tribunal estão também emails de grandes editoras, como Ubisoft e Warner Bros. Games, entre outras, nos quais é visível o receio de desagradar à Valve. O medo declarado é que a empresa possa aplicar penalidades ou até remover jogos da Steam, caso determinadas decisões comerciais não agradem.

As acusações vão, por isso, além da mera intimidação informal: falam em abuso de poder e em práticas abusivas que prejudicam o mercado gaming tanto para criadores como para jogadores, ao limitar a liberdade de definição de preços e a concorrência entre lojas digitais.

Curiosamente, mesmo enquanto rejeita a ideia de impor regras ilegítimas, o próprio Gabe Newell admite que não é “economicamente viável” para uma produtora deixar o seu jogo de fora do Steam. Com a plataforma a concentrar uma fatia enorme do mercado PC, muitas empresas sentem‑se praticamente obrigadas a estar presentes no Steam e, consequentemente, a aceitar as comissões e regras impostas pela Valve.

É precisamente esta combinação de posição dominante, alegadas regras implícitas de preços e o medo de represálias que está no centro do processo, e que poderá ter impacto de longo prazo na forma como o mercado digital de jogos para PC é regulado e fiscalizado.

 

Marcelo Rodrigues

Old Gamer, se aventurando no ramo dos video-games deste o Atari. Já foi só do lado "Azul" da Força, mas hoje distribui sua atenção para todas as plataformas. Apesar de jogar todos os estilos, Adventures e Plataformas ainda tem um lugar especial em seu coraçãozinho.
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