Analisado no PlayStation 5
Lançado em outubro de 2025 para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, PowerWash Simulator 2 tinha uma missão curiosa: como dar sequência a um jogo que se tornou um sucesso cult justamente por ser uma experiência singular e fechada? Após passar dezenas de horas lavando a sujeira alheia na versão de PS5, a conclusão a que chego é bem direta: esta é uma sequência que joga extremamente seguro. Ele pega os sistemas já sólidos do primeiro título e dá uma leve ajustada, mas esbarra na inevitável pergunta se realmente precisávamos de um “jogo 2” ou se um grande DLC resolveria o problema.
Ainda assim, as primeiras impressões ditam o tom. Se você amou a satisfação serena e zen de lavar os mais diversos locais no original, a magia continua intacta aqui.
Esqueça grandes revoluções no gameplay. Em termos gerais, PowerWash Simulator 2 é mais do mesmo, mas o ciclo de jogabilidade de limpar a sujeira é tão forte e recompensador que isso não chega a ser um defeito. Pegar um veículo ou prédio imundo e ir apagando o lodo até ouvir aquele gratificante “Ding!” de uma parte finalizada é algo que nunca fica cansativo.
Para justificar o número “2” no título, a desenvolvedora trouxe algumas adições bem-vindas ao arsenal. O sabão, que era uma mecânica meio confusa no primeiro jogo, sofreu uma reformulação e agora tem uma utilidade muito melhor, mas não sem pontos negativos. No primeiro game tínhamos líquidos específicos para diferentes tipos de superfícies, como madeira, vidro ou metal; aqui isso não existe mais. Porém, como contrapartida, antes era possível comprar vários galões desses líquidos especiais para limpeza e ir usando conforme eles se esgotassem; isso também não existe mais, a sua carga de sabão é aquela, e dê-se por satisfeito. Recebemos também novas ferramentas, como um Limpador de Superfícies específico para pisos, novos andaimes, inclusive alguns bem mais altos, e cadeiras de contramestre (equipamento de rapel, esse muitíssimo bem-vindo) para dar conta dos trabalhos verticais mais colossais.
Porém, a adição de maior impacto na qualidade de vida é muito mais simples: indicadores visuais no final das fases. Finalmente o jogo te mostra visualmente onde está aquela sujeira minúscula que faltava para fechar os 100% do mapa, poupando a nossa sanidade. O game gera uma espécie de radar, apontando por meio de um indicador o local sujo e fazendo com que ele fique piscando levemente para chamar a atenção. Isso parece pouco, mas ajuda muito.
A campanha teve uma injeção de ânimo considerável. A narrativa acompanha o seu trabalho com um enredo que se expande para muito além da cidade de Sujeirânia (Muckingham). Agora, visitamos locais inéditos como o Vale das Esponjas, Cataratas de Alta Pressão e Limpópolis. A história consegue ser surpreendentemente melhor que a do primeiro, envolvendo desde um festival até mistérios lunares e uma relíquia escondida no Monte Rushless. No total, eu contabilizei 35 cenários diversos; alguns se destacam mais, como o posto de combustíveis (que gostei bastante), o hotel de beira de estrada, o bonde, o teatro, o shopping e, claro, o planetário. Para fazer todas as fases da história original eu levei praticamente 50 horas, e isso que me considero um jogador experiente. Foram bons momentos de limpeza ao som de vários episódios de podcasts.
Além disso, temos a introdução de trabalhos com múltiplos níveis de profundidade, onde limpar uma área ou veículo acaba desbloqueando novas salas ou seções maiores, fazendo a sua lista de tarefas crescer de forma orgânica. Essa mecânica já tinha sido apresentada em algumas DLCs do primeiro game, mas agora aparece também nas fases base.
Como nem tudo são flores, precisamos falar sobre os deslizes e as decisões de design duvidosas. Comparado ao primeiro, PowerWash Simulator 2 passa a estranha sensação de “é mais, porém precisava?”. O visual claramente teve um upgrade, mas nada tão especial assim. Notei que os cenários parecem ter mais vida, com insetos, pássaros e até mesmo alguns veículos passando vez ou outra próximos. A parte sonora é quase a mesma, mas, assim como o visual, apresenta mais vida, com sons de animais e do ambiente mais presentes.
A estrutura do jogo é, no mínimo, fragmentada. A grande novidade é um Hub Central (sua base) que serve de intervalo entre os trabalhos, onde você pode decorar o ambiente. O problema? É uma adição totalmente inútil, não interfere em nada no andamento do game e do gameplay. Além disso, os itens são caros e acabam disputando o dinheiro escasso com a melhoria das máquinas. Outra coisa: você tem uma van, mas não dirige; você tem uma base, mas não precisa estar lá, já que o jogo inteiro pode ser jogado pelo menu flutuante da interface. Isso cria uma sensação de que a base não serve para nada.
E falando em interface, a navegação da UI é a mesma de antes. A personalização também foi deixada de lado: em vez de roupas ou visuais legais, temos apenas alguns gradientes de cores preguiçosos, e a customização das lavadoras fica restrita aos modelos mais caros que você mal usa na maior parte da campanha, uma vez que é difícil e demorado juntar dinheiro para a compra delas antecipadamente. Alguns equipamentos novos, como o próprio Limpador de Superfícies, acabaram se provando quase inúteis na prática, uma vez que ele funciona apenas com uma máquina básica, não sendo possível acoplar a outros modelos mais potentes. Funciona razoavelmente bem no começo do game, mas vai sendo deixado de lado após a troca de alguns equipamentos.
Jogando no hardware da Sony, visualmente o jogo mantém aquele estilo simples, mas bastante atraente, rodando de forma estável na maior parte do tempo. Porém, eu tive alguns problemas de performance, primeiro quando estava em um mapa muito complexo, e principalmente quando o game fazia um save automático. Esse problema ficava frequente quando eu deixava o console em modo de espera entre uma sessão e outra, mas era resolvido quando eu reiniciava o game ou o console.
No fim das contas, PowerWash Simulator 2 é o jogo de podcast definitivo (ele funciona muito bem com uma boa playlist musical também). É extremamente relaxante para jogar enquanto você escuta alguma outra coisa, entregando aquela sensação terapêutica e zen de progressão. Ele não reinventa a roda e, para ser brutalmente honesto, os desenvolvedores poderiam muito bem ter lançado isso como uma grande expansão em vez de cobrar o preço de uma sequência. Por outro lado, eu até entendo o motivo do game 2 e não mais uma DLC. O primeiro game foi desenvolvido pela FuturLab e publicado pela Square Enix Collective; possivelmente, os devs não foram capazes de sair dessa parceria muito fácil, e com isso foi mais rápido lançar um game novo e publicar de forma independente do que tirar o game original das mãos da antiga parceira rapidamente – isso, inclusive, aconteceu recentemente, em 2026.
Em resumo, se você é fã do primeiro jogo e simplesmente quer mais mapas inéditos para limpar, vale a pena encarar. Porém, se você está esperando uma revolução, saiba que há pouco ou quase nada de realmente novo. Aos que nunca jogaram a franquia, minha recomendação é passar pelo primeiro game antes, isso, é claro, se o preço for bom; caso contrário, pode entrar para a equipe de limpeza do segundo e ser feliz.
Veredito Gamers & Games
8.5
/ 10
“PowerWash Simulator 2 preserva tudo que tornou o original viciante e relaxante, adicionando boas melhorias de qualidade de vida e novos cenários. Apesar disso, a evolução é modesta e deixa a sensação de que uma grande expansão poderia entregar praticamente a mesma experiência.”
