
Destaques – Nova política da Xbox para o Game Pass
- Corte de custos: nova gestão quer reduzir despesas, despedir pessoal e fechar ou vender estúdios para voltar rapidamente ao lucro.
- Acordos travados: produtoras relatam que vários acordos de Game Pass em fase avançada foram cancelados ou congelados.
- Relato de bastidores: Shams Jorjani (Arrowhead) e Fernando Rizo (Kaboodle) dizem que a Xbox “puxou o tapete” de muitos parceiros.
- Game Pass continua: serviço não acaba, mas entra numa fase de reavaliação estratégica pela nova liderança.
A nova gestão da Xbox entrou com vários objetivos, entre eles uma missão muito específica: cortar drasticamente custos e regressar o mais rápido possível a uma fase de lucro. Para isso, está preparando uma estratégia que passa por despedimentos, venda ou encerramento de estúdios e, em particular, por fechar a torneira dos acordos de Game Pass com produtoras externas, algo que já se começa a sentir nos bastidores da indústria.
Shams Jorjani, CEO da Arrowhead Studios de Helldivers 2, contou em uma conversa com Fernando Rizo, da Kaboodle Games, o que ambos ouviram sobre a nova postura da Xbox em relação ao Game Pass. Segundo eles, a prioridade agora será apostar sobretudo nos próprios jogos da Xbox dentro do serviço, reduzindo de forma significativa as parcerias com third-party que garantiam estreias no catálogo por via de acordos financeiros.
Rizo explicou que esteve recentemente num evento em Itália, onde se reuniu com vários colegas da indústria. De acordo com o que lhe foi relatado, havia “imensas pessoas” com acordos de Game Pass em fases já bastante avançadas, ainda sem contratos assinados, mas com negociações praticamente alinhavadas. De repente, a Xbox “puxou o tapete a todos”, cancelando ou congelando esses negócios antes da conclusão. Apesar disso, Rizo não acredita que isto signifique o fim do serviço. Segundo ele, a nova liderança da Xbox continua a falar bastante do Game Pass, mas parece estar numa fase em que tenta perceber qual deve ser o modelo certo para o futuro. Nas suas palavras, o acordo que a Kaboodle fechou no início do ano dá-lhe a sensação de ter sido “um dos últimos” deste tipo com third-party.
Jorjani acrescenta que tem ouvido várias produtoras queixarem-se de que os acordos estão praticamente todos congelados e que já passaram vários meses sem qualquer resposta da Xbox sobre propostas em curso. Esta falta de feedback alimenta a ideia de que a nova direção está travando de forma generalizada os investimentos em conteúdos externos para o Game Pass, pelo menos enquanto reavalia prioridades e define novas linhas de atuação.
Tendo em conta estas informações que circulam nos bastidores da indústria europeia, a leitura mais provável é que a Xbox tenciona continuar o Game Pass no catálogo que já existe e, sobretudo, nos seus próprios lançamentos, reduzindo a agressividade com que anteriormente perseguia estreias de jogos third-party no serviço. Em vez de crescer a qualquer custo, a nova fase do Game Pass parece apontar para um modelo mais contido, com maior disciplina financeira e menos cheques passados a estúdios externos.






