Analisado no PC
Hoje vemos que os jogos de corrida buscam cada vez mais o realismo, com físicas complexas, dezenas de ajustes mecânicos e reproduções fiéis de categorias do automobilismo, 4PGP segue por um caminho completamente diferente. O jogo abraça a simplicidade dos clássicos dos fliperamas e dos consoles dos anos 1990, entregando uma experiência focada exclusivamente na diversão imediata.
Desenvolvido pela Vision Réelle em cooperação com a 3goo, esse jogo é inspirado claramente na Fórmula 1, trazendo carros, pistas e elementos visuais que remetem à categoria, mas sem utilizar licenças oficiais. É impossível não notar referências à McLaren de Ayrton Senna ou à Williams de Nigel Mansell, assim como as brincadeiras feitas com as marcas espalhadas pelos circuitos, transformando nomes conhecidos em versões bem-humoradas, a Bridgestone torna-se aqui na “Milestone” e a Pirelli vira “Piranha”. Tudo isso contribui para criar uma atmosfera familiar para os fãs do automobilismo, mas com personalidade própria.
O grande destaque de 4PGP está em sua jogabilidade. O jogo é um arcade puro, sem grandes preocupações com colisões ou qualquer compromisso com a simulação. Os controles são extremamente simples: acelerar, frear, trocar a câmera e utilizar o turbo. Parece pouco, mas é justamente nessa simplicidade que o 4PGP encontra seu destaque. O turbo, por exemplo, é bastante poderoso e pode ser reutilizado em pontos específicos da pista, adicionando uma questão estratégica às disputas. Além disso, o jogo possui um sistema de vácuo que permite aproveitar o carro à frente para ganhar velocidade, algo que deixa as corridas ainda mais dinâmicas.
A dirigibilidade exige certa adaptação. As frenagens em curvas podem ser traiçoeiras e, depois de algumas corridas, fica evidente que o jogo possui seu próprio ritmo. Entrar forte demais em uma curva pode comprometer completamente a reta seguinte. Em determinadas situações, aliviar o acelerador produz resultados melhores do que simplesmente frear. Em 4PGP há uma curva de aprendizado interessante, que recompensa quem aprende a ler cada traçado.
Há também um sistema de desgaste dos pneus, indicado por porcentagens de dano nas rodas. Na prática, porém, ele acaba tendo pouco impacto. Como as corridas possuem no máximo três voltas na maior parte dos campeonatos — e cinco apenas na dificuldade mais alta — é difícil que o desgaste se torne um fator realmente relevante, a menos que o jogador seja MUITO ruim de volante e passe muito tempo fora da pista.
Joguei utilizando um controle e essa é, sem dúvida, a melhor forma de aproveitar a experiência. O sistema de vibração é muito competente e ajuda na imersão. Por outro lado, a assistência de pilotagem existente no menu do jogo, uma espécie de piloto automático, acaba mais atrapalhando do que ajudando.
4PGP oferece quatro níveis de dificuldade e quatro campeonatos diferentes, cada um com três corridas ambientadas em países distintos. Vencer um campeonato em determinada dificuldade desbloqueia novos carros, cujo nome já é revelado na tela de seleção de dificuldade, criando um incentivo para continuar jogando.
O número reduzido de voltas faz com que as corridas terminem rapidamente, e eu senti falta de corridas mais longas. Também há poucas opções de carros. As diferenças entre eles ficam concentradas em atributos como aceleração, velocidade máxima e dirigibilidade, além das mudanças visuais nas pinturas.
Em 4PGP, mesmo no nível de dificuldade mais baixo, o desafio é alto. Isso pode agradar jogadores que procuram disputas mais exigentes, mas também tem potencial para afastar quem busca uma experiência mais casual. 4PGP conta com localização em português brasileiro, algo sempre bem-vindo e que ajuda a tornar a experiência mais acessível.
As pistas conseguem encontrar um bom equilíbrio entre nostalgia e identidade própria. Algumas lembram claramente circuitos famosos, como Spa, Suzuka, Silverstone e Interlagos, mas todas foram reinterpretadas para favorecer corridas mais curtas e movimentadas.
Visualmente, o jogo também acerta ao abraçar suas inspirações retrô. Os poucos polígonos, as texturas simples e as cores vibrantes fazem parte da identidade de 4PGP. Em vez de transmitir a sensação de um jogo tecnicamente ultrapassado, o visual acaba reforçando sua personalidade.
Há apenas alguns pequenos problemas, como sempre. Em certas pistas com muitas ondulações, a câmera se movimenta de forma abrupta, quebrando um pouco a fluidez da pilotagem. Não chega a comprometer a experiência, mas é um detalhe que poderia ter sido facilmente evitado.
Os efeitos sonoros cumprem sua função, embora sejam bastante genéricos. Já a trilha sonora lembra muito os jogos clássicos de corrida e deixa o seu melhor para a volta final, quando a música ganha mais destaque e cria uma agradável sensação de urgência. Funciona muito bem dentro da proposta do jogo, embora eu tenha sentido falta de uma presença musical mais constante durante as corridas.
4PGP entende perfeitamente o valor da simplicidade. Em vez de perseguir o realismo, o jogo aposta em uma experiência arcade direta, divertida e surpreendentemente envolvente. Sua excelente dirigibilidade, o bom ritmo das corridas e as referências ao universo da Fórmula 1 fazem dele uma experiência bastante agradável para quem sente falta dos jogos de corrida mais descompromissados. Para quem procura um jogo de corrida focado exclusivamente na diversão imediata, 4PGP é uma ótima homenagem aos arcades clássicos e prova que, às vezes, menos realmente é mais.
Veredito Gamers & Games:
8.0
/ 10
“4PGP entrega uma divertida experiência arcade ao priorizar jogabilidade, acessibilidade e nostalgia. Mesmo com pouco conteúdo e alguns pequenos problemas técnicos, é uma excelente opção para quem procura corridas rápidas e descompromissadas.”
