Versão Testada: PlayStation 5
Ace Combat 8: Wings of Theve
PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
01/out./2026
Tiro, Ação
Bandai Namco Aces Inc. – Bandai Namco Entertainment America Inc.
Minha relação com Ace Combat começou há bastante tempo, quando eu era só um pré-adolescente, ainda jogando no PlayStation 1. Foi a última vez que joguei um jogo da franquia e, por isso, entrar em Ace Combat 8 teve um gosto diferente, tocou na nostalgia de uma época mais simples. Não era apenas conhecer um novo jogo de combate aéreo, mas voltar para uma série que ficou guardada na memória por anos e descobrir como aquela experiência tinha envelhecido ou, nesse caso, como ela poderia ser completamente transformada por uma geração atual de hardware. E a primeira coisa que me chamou atenção é justamente o salto visual, que obviamente já era esperado.
Ace Combat 8: Wings of Theve utiliza Unreal Engine 5 e transforma o céu em uma parte importante da experiência. As nuvens são volumétricas, o clima interfere na visibilidade e a iluminação muda bastante dependendo das condições da missão. Os aviões também receberam um nível de detalhamento muito maior, tanto externamente quanto nas sequências em primeira pessoa. É um daqueles jogos em que, entre um míssil e outro, dá vontade de simplesmente diminuir a velocidade e olhar ao redor. Mas o mais interessante é que o visual não existe apenas para fazer bonito. As condições climáticas podem interferir no combate, obrigando o jogador a lidar com situações em que a leitura do campo de batalha fica mais complicada. Isso acrescenta alguma variação às missões e faz o céu parecer menos estático do que nos jogos anteriores.
A jogabilidade continua sendo aquilo que eu esperava de Ace Combat: acessível, rápida e muito mais arcade do que simulador. Não precisei reaprender a pilotar um avião como se estivesse fazendo um curso de aviação no qual eu precise de 500 horas para conseguir pilotar um modelo específico de aeronave. O foco continua sendo entrar no combate, encontrar o alvo, realizar manobras absurdamente agressivas e transformar o céu em uma mistura de radar, fumaça e mísseis. E isso funciona muitíssimo bem. O jogo mantém aquela sensação gostosa de liberdade enquanto você faz curvas fechadas, persegue outros caças e tenta se posicionar para disparar. Ao mesmo tempo, a personalização das aeronaves ganhou mais espaço, permitindo ajustar melhor o equipamento de acordo com a situação. Também existem combates contra estruturas gigantescas e armas de escala bem maior, algo que ajuda a campanha a fugir um pouco da sequência tradicional de simplesmente enfrentar esquadrões inimigos.
Uma mudança que gostei bastante está na apresentação da história. As cenas em primeira pessoa aproximam o jogador da tripulação e da rotina dentro do porta-aviões Endurance. A campanha acompanha a queda da Federação de Central Usea e a tentativa de recuperar o território ocupado, enquanto o protagonista assume a identidade de uma figura lendária criada originalmente como símbolo de esperança. Essa abordagem torna a história mais pessoal do que eu esperava de um jogo que, na prática, poderia facilmente funcionar apenas como uma sequência de missões aéreas. Por outro lado, esse também é um dos pontos em que senti certa irregularidade. Algumas sequências narrativas são interessantes e ajudam a construir o contexto, mas em determinados momentos elas quebram o ritmo que estava funcionando muito bem dentro do cockpit. Eu estava no meio de uma batalha enorme e queria continuar voando, e o jogo às vezes preferia me fazer parar para acompanhar a história.
Também senti que algumas das novas ideias ainda não conseguem alterar completamente a estrutura tradicional da série. O sistema de comandos para esquadrão é interessante, mas não chega a transformar a maneira como as missões são jogadas. A personalização também é mais profunda, embora ainda esteja bastante presa à lógica conhecida da franquia. Em outras palavras, Ace Combat 8 amplia a fórmula mais do que tenta reconstrui-la. A trilha sonora, por sua vez, continua sendo uma das melhores companhias possíveis para esse tipo de jogo. As músicas acompanham muito bem as mudanças de escala das batalhas e ajudam principalmente nos momentos em que a campanha parte para confrontos mais intensos. A sensação é de estar jogando uma missão que poderia facilmente ter uma sequência cinematográfica acontecendo ao mesmo tempo.
E aqui entra uma das melhores coisas da experiência para mim: a combinação entre música, velocidade e escala. É quando percebo a diferença entre simplesmente jogar um jogo de avião e jogar Ace Combat. Você pode até estar repetindo a estrutura básica de localizar, perseguir e destruir alvos, mas a apresentação consegue transformar essas ações em momentos bem mais marcantes. Outro problema que eu encontrei durante minha experiência está no ritmo geral. Algumas missões são excelentes, outras parecem prolongar uma fórmula que já conhecemos muito bem. Existe também uma certa dependência de objetivos que podem parecer repetitivos quando colocados lado a lado. A escala aumentou, os gráficos melhoraram e os sistemas ficaram mais elaborados, mas ainda existe aquele momento em que você pensa: eu já fiz isso algumas vezes. Também não acho que o jogo consiga agradar quem procura uma experiência de simulação aérea mais rigorosa. Isso não chega a ser um defeito dentro da proposta de Ace Combat, mas pode incomodar quem esperava uma evolução na direção de uma experiência mais técnica. O jogo continua priorizando diversão e acessibilidade.
No fim das contas, voltar para Ace Combat depois de tantos anos foi uma experiência melhor do que eu imaginava. Eu tinha aquela lembrança dos jogos do PlayStation 1 e uma curiosidade enorme para descobrir como seria reencontrar a franquia com tecnologia atual. E o resultado é justamente essa mistura curiosa de nostalgia e novidade: reconheço imediatamente a essência daquele jogo antigo, mas agora estou voando sobre ambientes enormes, atravessando nuvens detalhadas, enfrentando condições climáticas e vendo aviões que que poderiam facilmente estarem expostos na LABACE.
Ace Combat 8 não tenta abandonar aquilo que tornou a série conhecida. Ele pega a fórmula, aumenta a escala, melhora a apresentação e acrescenta algumas ideias novas. Nem todas funcionam com a mesma força, e algumas mudanças parecem mais complementos do que uma evolução radical. Mas quando o jogo acerta, principalmente nas grandes batalhas aéreas, ele entrega exatamente aquilo que eu queria encontrar depois de tantos anos longe da franquia. E talvez seja justamente por isso que a experiência tenha funcionado tão bem comigo. Não precisei de muito tempo para lembrar por que eu gostava tanto desse tipo de jogo!
Veredito Gamers & Games:
9.0
/ 10
Ace Combat 8: Wings of Theve resgata a essência da franquia com gráficos impressionantes, combates aéreos intensos e uma trilha sonora marcante. Apesar do ritmo irregular e da repetição de algumas missões, o jogo oferece uma experiência envolvente para quem gosta de ação nos céus.
