
Castlevania: Belmont’s Curse – É divertido, mas peca no balanceamento | Análise

Versão Testada: PC
Castlevania: Belmont’s Curse
PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, PC
15/out./2026
Metroidvania, Ação, RPG de Ação
Evil Empire – KONAMI
Castlevania: Belmont’s Curse é um metroidvania desenvolvido pela KONAMI e parceria com a Evil Empire e Motion Twin, com distribuição pela KONAMI. O título tem lançamento previsto para 15/10/2026 com versões para Nintendo Switch, PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Faz pouco mais de uma década desde o lançamento do último título da franquia Castlevania e neste período, nós tivemos o renascimento e uma forte popularização de metroidvanias. Dito isso, é difícil não comparar Belmont’s Curse aos títulos populares do gênero e feito pelos desenvolvedores de Dead Cells e The Rogue Prince of Persia, Castlevania: Belmont’s Curse é um metroidvania “sabor” Castlevania que apesar de ter seus momentos, carece de balanceamento e traz uma experiência que clama por recursos de qualidade de vida modernos.
Belmont’s Curse é ambientado 23 anos após Castlevania III: Dracula’s Curse, onde iremos acompanhar a caçadora de vampiros Rose Belmont, filha de Trevor Belmont e Sypha Belnades, na Paris de 1499 que está sendo tomada por um poderoso mal. Após diversas tentativas falhas de se acabar com a ameaça, Trevor é chamado para resolver o problema e ele traz sua filha Rose, a encarregando de partir em sua primeira missão solo para ganhar experiência e confiança em suas habilidades.
Quem é fã da franquia sabe que a história nunca foi o ponto alto da série e isso se repete aqui. A trama é simples e continua resumindo na velha dinâmica de Clâ Belmont x Drácula, com o diferencial sendo as interações dos chefes aprisionados em cartas de tarô, estes que irão compartilhar momentos com a personagem em certas etapas da campanha. Assim o brilho está na jogatina, mas já adianto que não espere por nada novo ou revolucionário.
O título entrega uma experiência metroidvania básica e tradicional, se distanciando um pouco dos elementos de RPG dos últimos títulos e retornando em parte aos primórdios da franquia. Assim a jogatina se resume a navegar por níveis separados em pequenos mapas com muitos inimigos, diversas plataformas, puzzles e armadilhas, com ambientes travados através de habilidades necessárias para se alcançar ou destruir obstáculos.
Os mapas são baseados em pedaços da cidade de Paris e no Castelo icônico da franquia, sendo este responsável pela maior parte da jogatina, com as etapas da cidade estando presentes e mais relevantes no início da jogatina. Ambos irão conter entradas para seções extras como salões e estruturas, mas este infelizmente é um recurso subutilizado e presente apenas em algumas etapas.
No geral os mapas de jogo são OK e não impressionam, temos diversos segmentos longos demais e totalmente desnecessários, com algumas áreas de transição totalmente vazias, o que não faz sentido algum e só aumentam o tempo de deslocamento. Os puzzles e armadilhas no geral são satisfatórios, com a complexidade dos quebra cabeças em um nível legal, mas as armadilhas são facilmente transpostas pelos recursos da personagem e infelizmente existem diversas possibilidades de softlock pelo mapa.
Apesar de podermos de certa forma explorar o mapa de maneira livre, infelizmente os níveis não foram bem calibrados e não é raro ficar preso e ter de carregar o último save. Isso ocorre, pois é possível utilizar as habilidades básicas e até inimigos para alcançar determinados locais logo no início da jogatina, só para você se deparar com algum bloqueio que requer habilidades ainda não adquiridas e não poder prosseguir.
O problema é que nestes locais, não é possível voltar pelo caminho feito, por conta de armadilhas e perigos que te eliminam em um único golpe e te forçam a ter de retornar para o ponto intransponível. O progresso é literalmente travado e a única maneira de continuar é carregar o último save, que dependendo da ocasião pode te fazer perder um bom tempo de jogo.
Para navegar entre estes níveis longos, Rose conta com algumas habilidades como o tradicional dash, mas o diferencial aqui está no chicote, mas não no utilizado para atacar e sim, no usado para se pendurar. Sim, Rose conta com um chicote arcano que podemos utilizar como um arpão e assim nos pendurar ou impulsionar para alcançar novas áreas e ele é a ferramenta central para transpor as plataformas e perigos do cenário. O chicote também pode ser usado para congelar brevemente inimigos, os interrompendo e ao mesmo tempo catapultando Rose para estes, o que abre a oportunidade da personagem de executar um ataque carregado e causar um dano devastador.
A franquia é famosa por ajudar a criar e solidificar o gênero com esta mecânica de travar partes do cenário, através de habilidades ou itens, fazendo o jogador realizar o famoso e odiado backtracking após conseguir estes, para assim progredir na campanha. O backtracking aqui existe, mas a quantidade de áreas travadas não é tão grande, de toda forma você irá precisar retornar a terras já exploradas e provavelmente não irá querer fazer isto por conta de alguns fatores.
Infelizmente é aqui que as coisas começam a desandar e afetar a experiência, pois os mapas são grandes, a personagem não corre e tem uma velocidade de deslocamento lenta e os arpões e pontos são distantes, com diversas etapas requerendo você andar de um ponto a outro. Para piorar a situação, não existe viagem rápida entre as fontes de cura e salvamento, somente entre áreas e o local de viagem fica distante de tudo que é importante nos mapas e também não existe viagem rápida para ele. Resumindo, é preciso andar em um incansável backtracking que irá te fazer questionar se vale a pena continuar jogando do meio para o fim do jogo, fato este que também afeta os confrontos de chefe que por padrão não trazem save point perto com algumas exceções, assim ao morrer, é preciso fazer uma maratona para retornar ao confronto.
Nos inimigos, o título entrega uma boa variedade, mas temos um foco maior em oponentes com ataques a distância que acabam influenciando nas armas e estratégias a serem escolhidas pelo jogador. Praticamente todos os inimigos que disparem projéteis são acompanhados de um sistema de mira que atualiza a posição enquanto a animação de ataque está sendo feita, ou seja não adianta pular ou esquivar quando você observa um monstro começando a atacar, pois ao fazê-lo, o oponente irá atualizar a mira e o disparo com certeza irá alcançar o jogador.
Este sistema é interessante, pois muda a abordagem em comparação aos outros jogos da série, porém ele também adiciona uma dose de frustração, pois existem diversas etapas de plataformas com monstros disparando projéteis e te derrubando na água ou espetos, esta atualização de mira também causa frustração nas arenas de combate com diversos inimigos, pois fica bastante difícil de desviar de projéteis com toda a bagunça na tela, pois como dito mais acima, o título entrega mais destes do que os que atacam corpo a corpo.
Os chefes sempre foram um ponto em que a jogatina da série brilha e aqui temos diferentes destes, porém existe um desbalanceamento e algumas lutas são demasiadamente frustrantes. O lado positivo, é que cada um destes tem uma abordagem completamente diferente, com cenários, ataques e habilidades próprias, fazendo cada confronto ser único. O lado negativo, é que a maior parte dos confrontos não é bem balanceada e você irá sofrer com a atualização de mira dos inimigos que também vale para os chefes, com hitboxes inconsistentes e ataques em área devastadores.
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Durante nossa jogatina, foi possível notar que é possível “bugar” os chefes, os condicionando a atacar somente com ataques básicos ao manter o personagem em um curto alcance destes. Também descobrimos que ao causar muito dano em um curto espaço de tempo, eles vão acabar bugando animações e soltar habilidades poderosas que geralmente matam em um golpe de maneira repetida e às vezes aleatória. Assim, a melhor abordagem foi ficar perto dos mesmos, retirando o equivalente a ⅓ da vida destes e se protegendo da habilidade para assim repetir o ciclo, até o chefe ser derrotado.
Ao derrotar o chefe, Rose pode absorver a alma deste, aprisionando-o em uma carta de tarô arcano, adquirindo sua habilidade e a possibilidade de comunicação com o inimigo derrotado. No decorrer da campanha você poderá recolher várias destas e são diversas habilidades diferentes, algumas para atordoar inimigos, causar danos em área, causar dano condicional, entre outras. Cada habilidade pode ser potencializada com pontos adicionais, estes que são liberados ao concluir desafios, geralmente com a habilidade alvo equipada ou não e os pontos realmente modificam as mesmas, seja reduzindo ou retornando o custo de mana, ou até potencializando a área e dano.
Como dito mais acima, o título se afasta do RPG tradicional, mas o sistema ainda está em parte presente e a personagem pode adquirir experiência ao derrotar inimigos ou em certas estátuas, assim subindo de nível e aumentando ataque e defesa, uma estratégia para amenizar um pouco a dificuldade. Também é possível aumentar a vida e a mana, coletando pedaços de gema espalhados pelo mapa de jogo e temos equipamentos.
Rose conta com um arsenal composto de sete tipos de armas, cada uma separada em quatro níveis de ataque e você irá precisar buscar por estas pelo mapa. Também temos relíquias, são mais de quarenta destas que também precisam ser encontradas e trazem diversos efeitos para você tentar fazer uma composição. Infelizmente só é possível tentar mesmo, pois por conta da quantidade de inimigos com projéteis, a lança e o chicote acabam sendo as melhores armas para a progressão até a metade do jogo e apesar de termos dezenas de relíquias, cada uma com diferentes efeitos, só é possível equipar três destas por vez, o que limita bastante as composições e tornam algumas essenciais, como a que faz a poção de cura recompor 100% da vida.
A franquia também é famosa pelos visuais e pela trilha sonora contagiante, mas infelizmente não temos nada disso aqui. Belmont’s Curse não entrega uma experiência feia, na realidade os visuais são legais, mas existe uma inconsistência enorme entre as áreas de jogo e planos de fundo, com algumas muito bem detalhadas, já outras básicas, sem vida ou detalhes e isso às vezes acontece dentro da mesma parte do mapa. Essa discrepância de visuais nos cenários é estranha e não tem nenhuma desculpa, às vezes você sai de uma área linda com belos visuais e excelentes efeitos de iluminação, para outra com arte em baixa resolução, um plano de fundo básico e praticamente nenhum detalhe no mapa.
A trilha sonora também não é nada incrível, mas serve para a jogatina. Cada etapa do mapa traz uma faixa própria, com variações em arenas e chefes, porém não espere nada muito icônico e a trilha de fundo acaba ficando repetitiva com o tempo. Em contrapartida, os efeitos sonoros foram bem feitos e temos dublagem para todos os pontos importantes da história, estes que incluem algumas interações com os chefes aprisionados nas cartas de tarô e o título está localizado com menus e legendas em PT-BR, o que ajuda os jogadores brasileiros a entenderem a história e também dicas para os quebra cabeças.
No geral a dificuldade de jogo é totalmente desbalanceada, com o início sendo árduo, mas do meio para o fim se tornando fácil, pois os itens e habilidades fazem a personagem destruir tudo pelo caminho. Este começo árduo e alguns problemas como a falta de checkpoints nos chefes, podem ser de certa forma amenizados com as opções do modo personalizado. Este modo personalizado é uma aba que funciona como cheats, através de opções onde podemos ativar, aumentar ou diminuir alguns status como checkpoints nos chefes, dano causado, dano recebido de inimigos e armadilhas, número de poções, experiência recebida e até mesmo opção para impedir morte.
No final, Castlevania: Belmont’s Curse entrega uma experiência metroidvania mediana, que apesar de ter alguns momentos, acaba não sendo memorável por conta dos problemas de balanceamento, suas inconsistências nos visuais e pela falta de recursos de qualidade de vida modernos. O preço cobrado é OK, entretanto o valor localizado está acima do oficial em dólares americanos (USD), por este motivo e pela experiência de jogo, eu prefiro recomendar este título somente para quem se interessar, do contrário é melhor esperar por uma promoção.
Veredito Gamers & Games:
7.7
/ 10
Castlevania: Belmont’s Curse entrega um metroidvania que diverte em seus melhores momentos, com chefes interessantes, habilidades variadas e muitos segredos. Entretanto, o balanceamento inconsistente, o backtracking cansativo e a falta de recursos de qualidade de vida prejudicam a experiência.















