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Middle-earth: Shadow Bundle – Mordor na palma da sua mão | Análise

O retorno triunfal (e imperfeito) do Sistema Némesis ao híbrido da Nintendo.

Capa de Middle-earth: Shadow Bundle

Versão Testada: Nintendo Switch 2

Middle-earth: Shadow Bundle

Disponível em:
Nintendo Switch 2
Lançamento:
30/set./2026
Gênero:
Ação
Estúdio / Editora:
Monolith Productions – Aspyr
Cópia digital cedida pela Aspyr para fins de análise.

Encontrar jogos que consigam oferecer uma experiência verdadeiramente única e irreplicável na indústria moderna dos videogames tornou-se uma raridade corporativa, víde clones genéricos que vemos a todo momento. Na maioria das vezes, é possível traçar uma linha direta de inspiração até a obra que deu origem a um conceito ou observar dezenas de cópias surgindo logo em seguida. No entanto, o caso de Terra-média: Sombras de Mordor (de 2014) e Terra-média: Sombras da Guerra (de 2017) é um ponto fora da curva histórico. A mecânica que confere a verdadeira alma a ambos os títulos, o revolucionário Sistema Nêmesis,  foi rigidamente patenteada pela Warner Bros., tornando impossível que outros estúdios utilizassem a inteligência artificial procedural de hierarquia de orcs. Para piorar o cenário, o estúdio criador de ambas as obras, a Monolith Productions, teve suas portas fechadas no ano passado, sepultando temporariamente as esperanças de ver essa mecânica expandida no futuro.

Diante desse panorama de escassez criativa, a chegada desses dois clássicos modernos ao Nintendo Switch 2 através de ports dedicados ganha um peso monumental. A Aspyr, conhecida por seu histórico misto de adaptações para plataformas da Nintendo, assumiu a responsabilidade de traduzir os vastos campos de Mordor e as fortalezas de Minas Ithil para o hardware híbrido. O resultado é um pacote que atende às expectativas dos fãs que desejavam revisitar a jornada de Talion e Celebrimbor em formato portátil, mas que também evidencia o peso dos anos e alguns deslizes técnicos que incomodam.

Middle-earth 01

Uma das maiores virtudes desta coletânea é o respeito pelo conteúdo original. Os jogos não chegam de forma capada; pelo contrário, são oferecidos em suas edições mais completas e recheadas de expansões de pós-lançamento.

  • Sombras de Mordor (Edição Jogo do Ano): Além do jogo base, o título inclui uma grande variedade de elementos estéticos, o modo Bando de Guerra, a ferramenta Forja de Nêmesis e as aclamadas campanhas de história adicionais Senhor da Caça (focada em monstros e caçada) e O Senhor Brilhante (onde controlamos Celebrimbor no auge de seu poder contra Sauron).
  • Sombras de Guerra (Edição Definitiva): A sequência traz absolutamente todo o conteúdo adicional lançado pela Warner, destacando as expansões de história A Desolação de Mordor e A Lâmina de Galadriel, além das tribos de orcs adicionais (Tribo da Matança e Tribo Marginal). A única baixa sensível é a remoção das funcionalidades online assíncronas originais, embora a mecânica da Guarnição tenha sido adaptada para ser aproveitada inteiramente de forma solo.

O pacote pode ser adquirido de maneira unificada pelo Middle Earth: Shadow Bundle ou com os jogos vendidos separadamente na eShop, oferecendo um volume absurdo de conteúdo por dezenas de horas de diversão.

Middle-earth 02

Do ponto de vista puramente técnico, é preciso ressaltar que não estamos diante de remakes concebidos do zero, mas sim de ports consistentes baseados nas versões de PlayStation 4 e Xbox One. Ambos os jogos rodam a uma resolução sólida de 1080p e mantêm uma taxa estável de 30 quadros por segundo, encaixando-se bem no perfil visual que o Switch 2 consegue entregar em modo dock e em modo portátil.

No entanto, a experiência varia sensivelmente entre os dois títulos:

  • Sombras de Mordor: Por ser um projeto intergeracional de quase doze anos atrás (concebido originalmente para a transição entre PS3/X360 e a geração passada), os sinais do tempo são evidentes. Os modelados de personagens parecem mais rústicos, as animações faciais lembram épocas passadas e algumas texturas são simplificadas. Embora a iluminação tenha recebido um tratamento superior em relação às versões originais de oitava geração, a ausência de um modo a 60 FPS soa como uma oportunidade desperdiçada no hardware do Switch 2. Mas não se engane, durante a jogatina tive problemas com vários bugs no combate que quebravam o ritmo do gameplay.
  • Sombras de Guerra: A sequência, por sua vez, exibe um salto técnico colossal que se traduz muito bem no console. Os cenários são mais densos, os reflexos de iluminação são belíssimos e as armaduras dos Uruks impressionam pelo nível de detalhe. Contudo, o jogo sofre com um problema de otimização altamente frustrante: os tempos de carregamento ao abrir os menus internos do jogo (onde o jogador consulta as fraquezas dos capitães no Sistema Némesis, troca gemas ou gerencia equipamentos) chegam a demorar, acreditem, entre 15 e 20 segundos. Como o jogo exige que você consulte esses menus constantemente, o ritmo da ação sofre quedas drásticas de fluidez por culpa desses loadings excessivos.

Apesar de tais escorregadas, a nitidez geral da imagem na tela do Switch 2 é excelente, e o suporte opcional ao giroscópio para disparos precisos com o arco adiciona uma camada de interatividade bastante agradável.

Middle-earth 03

Independentemente de qualquer percalço técnico ou de menus lentos, a razão primordial pela qual vale a pena desbravar este pacote duplo continua intacta e formidável: o Sistema Némesis. Enfrentar capitães Uruk gerados proceduralmente, ver um inimigo derrotado retornar dos mortos com bandagens, cicatrizes e sede de vingança, ou manipular a cadeia de comando inimiga através de traições e assassinatos metodicamente planejados continua sendo uma das experiências mais divertidas e orgânicas da história dos videogames.

O sistema de combate, que bebe diretamente da fluidez acrobática dos jogos do Batman: Arkham desenvolvidos pela Warner, funde-se perfeitamente com a exploração vertical de mundo aberto herdada de franquias como Assassin’s Creed por exemplo. As histórias improvisadas que criamos em nossas mentes enquanto caçamos e eliminamos nossos arqui-inimigos orcs superam com folga a narrativa principal,  uma trama que toma imensas liberdades criativas com o cânone literário de Tolkien e que raramente deixa marcas emocionais profundas no jogador. A verdade é que a jogabilidade que sustenta o interesse por dezenas de horas.

Middle-earth 04

Middle Earth: Shadow Bundle cumpre o objetivo essencial de resgatar duas obras de grande relevância e disponibilizá-las em uma plataforma moderna e versátil. Poder jogar esses títulos em modo portátil, com uma nitidez visual impressionante e todo o conteúdo de expansões reunido, é um grande atrativo para os entusiastas da Nintendo.

Por outro lado, as falhas de polimento não podem ser varridas para baixo do tapete. A falta de um modo de desempenho a 60 FPS em Sombras de Mordor, os bus na jogabilidade e, acima de tudo, os tempos de carregamento absurdos nos menus de Sombras de Guerra demonstram que faltou um ciclo adicional de otimização por parte da Aspyr. São problemas que exigem uma correção imediata via patch para que os ports atinjam o padrão de excelência que os fãs esperam.

Middle-earth 06

Se você nunca teve a oportunidade de vivenciar as cruzadas de vingança de Talion e Celebrimbor, ou se deseja revisitar as rivalidades ferozes do Sistema Nêmesis na comodidade da portabilidade do Nintendo Switch 2, este pacote duplo é uma aquisição altamente recomendada. Apesar dos problemas técnicos, dos loadings incômodos e dos pequenos bugs que quebram o ritmo, a diversão e a atmosfera sombria destas terras continuam extremamente potentes.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
8.0
/ 10

Middle-earth: Shadow Bundle resgata dois grandes jogos de ação em um pacote recheado de conteúdo, com o Sistema Nêmesis mantendo sua força no Nintendo Switch 2. Apesar da boa apresentação visual e da diversão duradoura, bugs, ausência de 60 FPS em Sombras de Mordor e carregamentos excessivos em Sombras da Guerra prejudicam a experiência.

Middle-earth: Shadow Bundle

R$ 389,80
8

Nota

8.0/10

Positivos

  • O Sistema Némesis continua tão genial
  • Edições definitivas e completas
  • Excelente estabilidade de imagem a 30 FPS
  • Estrutura de mundo aberto robusta

Negativos

  • Oportunidade perdida de 60 FPS
  • Tempos de carregamento excessivamente longos
  • Alguns bugs na jogabilidade
  • Ausência total das funcionalidades e do modo multijogador

Marcelo Rodrigues

Old Gamer, se aventurando no ramo dos video-games deste o Atari. Já foi só do lado "Azul" da Força, mas hoje distribui sua atenção para todas as plataformas. Apesar de jogar todos os estilos, Adventures e Plataformas ainda tem um lugar especial em seu coraçãozinho.
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