DLC
NBA The Run – Wave One 2000’s Legends
PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
29/set./2026
Esporte
Play By Play Studios
A chegada da atualização Wave One – 2000s Legends era a grande chance de NBA The Run provar que poderia ser mais do que um passatempo divertido por vinte minutos. A Play by Play Studios prometeu uma temporada de abertura com novas lendas, câmeras, modos e ajustes de jogabilidade. No papel, é um pacote robusto. Na prática, porém, a DLC funciona como um curativo: ela melhora a experiência de curto prazo, mas não resolve as fragilidades estruturais.
O grande atrativo da DLC é, sem dúvida, o elenco de cinco lendas dos anos 2000: Allen Iverson, Vince Carter, Tracy McGrady, Kevin Garnett e Dirk Nowitzki. Cada um foi adaptado para o formato arcade respeitando aquilo que o tornou inesquecível. Iverson é a personificação do crossover, com dribles que quebram a defesa; Carter é a definição de espetáculo aéreo, pronto para enterrar sobre qualquer um; McGrady traz a pontuação pura e a capacidade de decidir sozinho; Garnett encarna a intensidade defensiva e a liderança; e Nowitzki representa o arremesso de elite, um espaçador que castiga de qualquer distância.
As câmeras novas são uma boa ideia com execução problemática. As duas novas opções são variações de uma visão “por trás do jogador”, pensada para oferecer uma leitura de quadra mais moderna e facilitar a visão das linhas de passe. A diferença entre elas está na transição defesa-ataque: a Drive Cam mantém a câmera fixa atrás do seu jogador o tempo todo, sem virar quando a posse de bola muda. Já a Drive Flip Cam gira 180 graus na defesa, fazendo com que o jogador esteja sempre se movendo em direção ao topo da tela. A antiga Action Cam foi removida, deixando as opções disponíveis reduzidas a Default, High, Drive Cam e Drive Flip Cam. O problema é que a implementação dessas novas câmeras não é das melhores. A configuração não é salva corretamente: você escolhe o ângulo no menu, mas precisa selecioná-lo novamente a cada partida.
A parte boa da experiencia online continua sendo o cross-play, que garante partidas com jogadores de todas as plataformas e movimentação sincronizada, sem o atraso que costuma assombrar jogos de esporte online. As maiores adições da atualização nesse campo são o Modo Treino, que permite testar regras, quadras e mecânicas contra a IA antes de encarar os servidores, e as Partidas Personalizadas (Custom Matches), que dão aos jogadores a opção de criar salas privadas com regras próprias para jogar com amigos. Porém, a falta de chat de voz continua sendo um grande problema, pois em pleno 2026, não poder se comunicar com os companheiros de equipe em um jogo 3v3 cooperativo é um erro de design que a desenvolvedora insiste em ignorar. Sem comunicação, o modo Squads com jogadores aleatórios segue sendo uma experiência frustrante. Além disso, a qualidade do matchmaking não parece ter sido um foco da Wave One.
A ausência de single-player continua sendo a maior falha estrutural de NBA The Run, e a Wave One não mudou isso. O jogo segue 100% online, sem campanha, modo carreira ou partidas offline com progressão real. O Modo Treino e as Partidas Personalizadas ajudam a praticar e jogar com amigos, mas não substituem uma experiência solo de verdade, e ainda dependem de conexão e servidores. Se a comunidade encolher ou os servidores caírem, o jogo simplesmente deixa de existir para quem comprou.
Para quem esperava que essa atualização finalmente fizesse NBA The Run competir com os clássicos do gênero, a decepção é inevitável. A Play by Play Studios tem uma base sólida nas mãos, mas continua sem saber o que fazer com ela. A promessa de um modo campanha em 2027 é o que resta para quem ainda acredita no potencial do jogo.
Veredito Gamers & Games:
NBA The Run – Wave One traz lendas dos anos 2000 e novidades interessantes, mas não resolve os problemas estruturais do jogo. A falta de conteúdo solo, as limitações do multiplayer e as falhas técnicas impedem que a atualização alcance todo o seu potencial.
