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Confira nossa análise de Heavy Rain.

Me lembro bem quando cheguei em casa e coloquei Heavy Rain em meu PS3 e percebi que ali tinha algo muito especial, que até o momento não conhecia.

Isso era começo de 2010, onde imperava nos games mais inovações em mecânicas do que em enredo, onde este jogo me fez repensar em meus conceitos.

A primeira pergunta que fiz foi: como um jogo pode ser tão adulto? Parece uma pergunta boba , perto de tanta violência explicita que temos nos jogos de hoje em dia, mas esse era diferente.

Adulto, porque Heavy Rain mostra um outro lado, muito mais humano como tema central, nos trazendo a cada jogada uma sensação diferente. E, na maioria das vezes, sensações sombrias.

Tratar tristeza, frustrações, perdas e medo são coisa que os jogos dificilmente fazem, e este trata tudo isso com maestria, aliado a um roteiro digno de um grande filme de Hollywood onde percebemos que cada passo que damos vai trazer um pouco de luz, ou não, para o desfecho da história.

Estaremos na pele de quatro personagens: Ethan Mars (arquiteto), Norman Jayden (detetive do FBI), Scott Shelby (detetive particular) e Madison Paige (jornalista). Todos eles tem características distintas e por isso, teremos que tomar decisões diferentes a cada momento da jogatina.

O enredo começa quando Ethan Mars na tentativa de salvar seu filho de um acidente, acaba ficando um ano e meio em coma e quando acorda, sua vida é totalmente esfacelada ao perceber que seu filho morreu e por esse motivo, seu casamento acaba.

Depois disso Ethan nunca mais foi o mesmo, não conseguindo se recuperar do trauma e se tornando uma pessoa triste. Mas, retratando a vida de qualquer ser humano, percebemos que nada é tão ruim que não possa piorar.

No momento em que a cidade vê um assassino em série fazer diversas vítimas, apelidado de Assassino do Origami, o segundo filho de Ethan, Shaun, desaparece misteriosamente, aparentando ser mais uma vítima do serial killer.

A partir daí, David Cage, diretor do jogo, nos entrega a uma aventura onde se mistura momentos de ação, suspense e mistério. E isso é o ponto forte do jogo.

A maior discussão é quanto a sua mecânica, que nos traz um sistema de Quick Time Events, onde o jogo nos leva a apertar botões em uma ordem certa para a continuação dos eventos. Com isso, muitos gamers falam que jogos como esse são filmes onde o jogador fica apenas assistindo os acontecimentos. Não concordo muito com isso.

Na minha opinião, cada jogo é feito para nos proporcionar experiências e sensações diferentes, levando – seja qual for a mecânica escolhida – uma maior imersão. Lógico que isso seria uma discussão que levaria horas, onde ambos os lados teriam motivos para achar que estão certos.

Porém, temos que admitir que Cage acabou colocando tudo isso de forma a encaixar o QTE com o estilo e enredo do jogo, permitindo que possamos jogar de forma prática com uma curva de aprendizagem rápida.

Uma outra dúvida seria como o jogo teria envelhecido e como ele se encaixaria no mundo atual depois de 6 anos de seu lançamento. E nisso mais uma vez o jogo se deu bem.

Apesar de muitas coisas terem mudado nos games, o jogo ainda tem características atuais e se encaixa bem como escolha da Sony para um Remaster, ainda surpreendendo em diversos aspectos.

Hoje Heavy Rain ganha muitas melhorias visuais, passando de seus originais 720p para a resolução Full Hd de 1080p. Houve também melhorias na renderização e na iluminação dos objetos, além do aumento no número de mapas de sombras para 12.

Mudanças poderiam ter sido feitas, como uma melhor movimentação dos personagens, que tem um aspecto travado, aliada ao posicionamento e a mudança nas câmeras que em alguns momentos acabam irritando o jogador, se tornando os pontos negativos do jogo. É bom comentar que o jogo só tem opção de áudio e legendas em português de Portugal.

Por todos esses aspectos, o game é uma boa opção para aqueles que ainda não puderam apreciar Heavy Rain no PS3, principalmente pelo seu enredo sombrio, triste e humano que o jogo proporciona. E para aqueles que já tiveram esse gostinho, a melhoria gráfica é uma boa desculpa para viver novamente os sentimentos já proporcionados anos atrás.

Por todos esses motivos, a Gamers e Games concede a Heavy Rain o selo Ouro como jogo super-recomendável.

Marcelo Rodrigues

Old Gamer, se aventurando no ramo dos video-games deste o Atari. Já foi só do lado "Azul" da Força, mas hoje distribui sua atenção para todas as plataformas. Apesar de jogar todos os estilos, Adventures e Plataformas ainda tem um lugar especial em seu coraçãozinho.
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