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Journey to the Savage Planet – Exploração, combate e bom humor | Análise

O game é uma grata surpresa como o primeiro título do estúdio, mas ele poderia expandir um pouco além

Analisado no Xbox One X


Journey to the Savage Planet é um jogo de exploração e aventura, com alguns elementos de RPG e FPS, mesmo não se focando em nenhum desses dois gêneros, pra mim ele se parece mais com um Metroidvania. É o jogo de estreia do estúdio canadense Typhoon Studios, formado por ex membros dos estúdios de Montreal da Ubisoft, EA e Warner Games, o jogo foi publicado pela 505 Games e está disponível para PC apenas na Epic Games Store, no PlayStation 4 e no Xbox One.

Para começar você é um funcionário/recruta da Kindred Aerospace, a quarta maior empresa no ramo da exploração espacial, casa de grandes invenções para o bem da humanidade (isso segundo eles mesmos), sua função é explorar, catalogar e descobrir tudo que o planeta denominado AR-Y 26 tem à oferecer, se ele é ou não adequado para a colonização humana.

Como um funcionário da Kindred você é enviado a esse planeta nos confins do universo a bordo do seu Javalin (nave desenvolvida pela companhia para a exploração do universo), com pouquíssimos equipamentos, mas com uma infinidade de possíveis upgrades, de início você é fraco, só pula, corre, da tapas e chutes, nem uma arma possuí, sua função como explorador é encontrar elementos que possam ser coletados e usados para atualizações em seus equipamentos e no conserto da nave para um possível retorno à Terra, claro, depois de cumprir sua missão e experimentos exigidos pela empresa.

De início fiquei com um pouco de pé atrás com Journey to the Savage Planet, por ser um jogo em primeira pessoa, mas logo de começo tudo é tão fluído e não se assemelha em quase nada a outros FPS’s do mercado, de fato, apesar do game ter esse elemento por conta da visão e de sua arma principal, o foco não é o combate e sim a exploração do mundo, e que mundo, vasto e repleto de desafios e áreas intrigantes, o jogo oferece quatro áreas distintas, cada uma com seus biomas, algumas espécies são comuns a cada uma delas, outras são únicas, durante o gameplay você vai se encontrar mais de 30 espécies de inimigos dos mais variados, alguns são presas outros predadores, e você está bem no centro disso, para alguns é o predador, como os coitados do Bafarinhos, amáveis bolotas de penas que da vontade de chutar, já para outros você é a presa, como as temíveis Medusas-do-ar e a Capiena.

Ao meu ver o que faz com que Journey to the Savage Planet lembre um jogo do estilo Metroidvania é a forma de jogá-lo, o vai e volta do ambiente, os upgrades e outros detalhes, como falei anteriormente você é um explorador que começa quase sem equipamentos, mas isso vai mudando conforme progride no game, coletando alimentos que dão ganho de vida e de resistência, coletando algumas “frutas” que concedem habilidades como a gosma que prende inimigos por um tempo, as bombas explosivas e de ácido, e claro, a liga alienígena é parte crucial disso tudo, a junção dela com elementos comuns como alumínio, carbono e silício, que são facilmente coletados pelo ambiente, dão ao jogador a possibilidade de upgrades na impressora 3D do Javalin, transformando você numa verdadeira máquina de guerra e exploração da metade do game pra frente, coisas como tiro mais potente, salto duplo ou triplo, o cordão de próton que permite que você se prenda em alguns pontos metálicos pelo mundo, além de melhorias em seu visor e radar, que vão ajudar a encontrar segredos e catalogar mais facilmente a flora e a fauna de AR-Y 26.

Mas nem tudo são mil maravilhas, o jogo tem alguns pontos que poderiam ser melhores, primeiro de tudo, o game simplesmente não tem mapa, nenhum, nada, sabe aquele segredo que você descobriu, mas não tinha como explodir a barreira antes? Então, pode procurar novamente, o radar até informa que existe algo ali, ou ainda, depois de alguns upgrades dizer que tem uma liga alienígena ou então gosma laranja que vai dar um up na sua vida (até certo ponto), mas ainda não é o bastante, você vai passar muito tempo explorando cada canto do game, além disso, alguns experimentos pedidos pela Kindred simplesmente são muito complexos e confusos, e eles são mandatórios para que você possa completar sua árvore de upgrades.

Visualmente falando Journey to the Savage Planet é lindo, o game roda na Unreal Engine 4, e como quase todo jogo feito nela, é de um capricho impressionante, cada detalhe foi pensado, até mesmo a textura do mouse pad do computador arcaico do Javelin tem uma textura com o logotipo da Kindred, tudo é bonito, super colorido e vibrante, o game tem suporte a 4K nos consoles capazes disso e no PC, mas infelizmente não conta com HDR, seria lindo demais. Outro ponto a favor é a trilha do game, ela da um tom muito caricato e engraçado, já na música tema você percebe que o game vai apelar bastante para o humor, a dublagem da inteligência artificial EKO também é muito boa, inclusive ela vai te ajudar e acompanhar durante todo o game, cheia de piadinhas e respostas prontas para acabar com a sua dignidade, tudo está localizado em português do Brasil, então não se preocupe, inclusive as piadinhas e comentários malvados dela estão legendados ou escritos em português no seu Kindex.

Para encerar, eu fiquei realmente surpreso com a qualidade de um game feito por um time de apenas 26 pessoas, e mais ainda por ser seu título de estreia, a Typhoon está de parabéns, o game não é perfeito, tem suas falhas, no geral o mundo parece um pouco pequeno, mas lá pelos 70% de exploração eu ainda tinha áreas que nem fazia ideia que existiam, Journey to the Savage Planet é realmente uma grata surpresa vindo de um estúdio novo, que -dependendo do ponto de vista pode ser algo bom ou não – foi comprado pelo Google no final de 2019 para produzir games apenas para o Stadia, com isso em mente, se estiver em dúvidas, pode investir sem medo no jogo, ele vai te divertir por horas e horas e mesmo com alguns pontos de raiva, você vai voltar pra ele cedo ou tarde.

Journey to the Savage Planet

8.5

Nota

8.5/10

Positivos

  • A jogabilidade é bem fluída
  • Ele é lindo
  • Você vai se divertir por um bom tempo
  • O humor é um ponto alto

Negativos

  • Não possui um sistema de mapa
  • O mundo é pequeno
  • Alguns inimigos irritam demais!
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Saulo Fernandes

Publicitário de formação, editor da Gamers & Games desde 2015. Gosto de jogos de exploração, aventura e corrida, comecei a jogar no Master System, mas o meu console queridinho até hoje é o GameCube.

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