
Analisado no Xbox One X
Ori and the Will of Wisps é um game de plataforma e ação, no estilo metroidvania, desenvolvido pelo Moon Studios e publicado pelo Xbox Game Studios para o Xbox One e PC em 11 de Março de 2020.
Vou evitar ao máximo spoilers nessa análise, Ori and the Will of Wisps é a continuação direta do título de estreia da franquia, ele começa tempos após os eventos do primeiro game, onde conhecemos uma nova personagem da história, a corujinha Kun, filha da vilã do primeiro jogo, Kuro. A história dos dois games não difere tanto entre eles, a degradação atingiu a região de Niwen, assim como aconteceu em Nibel, os espírito de luz deixaram o local a muito tempo, mas nesse nova região isso aconteceu já tem um certo tempo, muito antes de quando o game se passa.
Outro ponto importante que diverge entre os dois jogos no que podemos falar da história, é que no primeiro game Ori sai em busca de recuperar a Luz, em Ori and the Will of Wisps, ainda temos uma busca mas ela é muito mais pessoal para o nosso protagonista do que de fato para salvar toda a região de Niwen como era com Nibel.
Quem jogou os dois games vai sentir diferença de imediato na quantidade de NPC’s presentes no novo jogo, Niwen é uma região habitada por espécies inteligentes, que de fato vivem nessa região, temos Moki, Gorleks, viajantes, guardiões e até um cartógrafo, tudo isso dá nova vida ao game, Naru e Gumo também aparecem, mas de uma forma bem discreta, sem fazer parte da trama. Algo que permanece no game é o tom emotivo, alguns momentos e personagens mexem com o sentimento do jogador e isso é um ponto que contribui muito para a história como um todo.
Inclusive a jogabilidade foi um dos pontos que mais evoluiu neste jogo, para o bem e para o mal. Vamos primeiro ver os pontos bons: Ori começa o game desprovido de ataque, assim como no primeiro jogo, porém algumas habilidades foram mantidas, aquelas que dependiam de Sein, luz e os olhos da Árvore do Espirito, foram perdidas. Um ponto que é idêntico ao primeiro jogo é a forma principal em que nosso protagonista adquire seus ataques, no caminho o jogador encontra arvores de espíritos que concedem poderes a Ori, e o primeiro deles é obvio que é o ataque, que agora não depende mais do guardião de luz, é o próprio personagem que defere ataques com uma lâmina de luz, no melhor estilo espadachim, e olha, isso da uma sensação de poder muito maior que antes.
Alguns outros pontos são bem diferentes do título anterior e ai entramos no quesito que vai do gosto de cada um achar se é para o bem ou mal, pelo seguinte, a impressão que da é que Ori and the Will of Wisps bebeu de muitas fontes de outros jogos do gênero, principalmente Hollow Knight, as semelhanças são muitas, é inevitável não comparar os dois jogos, por exemplo, antes os upgrades eram dados conforme você coletava luz espiritual e ia ganhando pontos de habilidades e trocando por melhorias, não é mais assim, a luz espiritual em Niwen funciona como uma moeda, você compra os upgrades, aprende com o mestre da luta Gorlek, além disso, você compra mapas, não é obrigatório, mas ajuda muito em algumas áreas e pra mim o ponto máximo que faz com que Ori se assemelhe com Hollow é de que existe um menu de “fragmentos espirituais”, são as habilidades do personagem, você pode equipar até 8 desses equipamentos ao mesmo tempo, isso era uma das funcionalidades principais de Hollow Knight, mas, isso é ruim? Não, de forma alguma, deixou o jogo mais dinâmico e incluiu mais pontos de estratégia, mas por outro lado ao meu ver ele ficou muito parecido com o outro jogo e perdeu um pouco o seu “frescor”, não existe nada muito novo mesmo, criado especificamente para esse game que você não tenha visto em algum outro. Já as clássicas sequencias de fuga foram mantidas, elas desafiam as habilidades do jogador e são parte fundamental do jogo, inclusive, algo que ao meu ver corrigiram do jogo anterior para esse é o fato de poder revisitar as dungeons livremente após completas, isso é muito útil para aqueles que querem coletar tudo mas não foi possível da primeira vez.
E só para encerrar o assunto jogabilidade, completei o game no modo normal, afinal, é a forma como o jogo foi de fato pensado e criado, e achei ele mais fácil e também pareceu mais “rápido” que o anterior, parece que não existe muita dificuldade nos puzzles, ou esses 5 anos de diferença entre um game e outro e muitas horas em outros jogos do estilo me deixaram um gamer mais preparado para tal tarefa.
Visualmente falando, o jogo está mais bonito do que nunca, tudo é de encher os olhos, cada paisagem é perfeitamente animada, com efeitos de luz e sombra em todos os objetos, efeito de profundidade, desfoque, reflexo de luz e sombra, os efeitos de chuva, a física das folhagens, inclusive a ambientação de cada bioma e muito bem diversificado, fauna e flora combinam com cada região do mapa, seja no lagos, no gelo ou no deserto, além disso, estruturas e construções adicionam uma camada extra a cada região, Ori and the Will of Wisps adiciona suporte nativo ao HDR, item que não era presente no primeiro jogo, além disso, o Xbox One X chega próximo da resolução nativa de 4K, o console base tem uma imagem mais soft, mas ainda assim, muito bela. O que não poderia se esperar muito menos do jogo é sua trilha e efeitos sonoros, novamente o mestre Gareth Coker foi chamado para tal tarefa e mais uma vez ele cumpriu ela com perfeição, eu chego a dizer que as músicas desse game são ainda melhores do que em Blind Forest.
Algo que não tem como deixar de lado são os problemas de performance que o game apresenta, o primeiro jogo tinha uma execução perfeita, travado em 60fps o tempo todo, já aqui as coisas não são tão boas assim, pode ser pelo game demandar mais da plataforma, ou ainda, algo que venha a ser arrumado no futuro, mas é impossível ignorar quedas de frames, algumas travadas de carregamento, os famoso stutter, e apesar de ter ocorrido apenas uma vez comigo, um crash durante o gameplay.
Ori and the Will of Wisps é um grande game, ele supera o anterior em praticamente todos os quesitos, as adições de gameplay e personagens deram mais vida ao jogo, mesmo que isso faça com ele fique parecido com outros games do mercado, ainda assim fica aquela impressão de que é um grande jogo, será que teremos que aguardar mais longos 5 anos até o próximo?
Confira o vídeo da Live de Ori and the Will of Wisps












