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Demon’s Souls – Totalmente repaginado, mas com a mesma alma | Análise

Bluepoint ousou nos gráficos e na trilha sonora, mas poderia ter ousado mais.

Analisado no PlayStation 5


Um dos jogos mais esperados por todos os donos do Playstation 5 com certeza foi Demon’s Souls, um remake do clássico, desta vez concebido pela Bluepoint Games.

Antes de entrar na análise propriamente dita, vamos tentar relembrar um pouco o jogo original. O game, produzido pela From Software chegou ao Japão em 2009 como exclusivo para Playstation 3. Apesar de muitas pessoas não saberem, foi ele que deu início ao chamado estilo “Soulslike”, jogos com dificuldades elevadas onde somos punidos a cada morte, onde quando isso acontece, temos que refazer todo um caminho até chegar onde estávamos.

Como dissemos, muitos acham que isso começou com Dark Souls, mas não, foi Demon”s Souls que começou com esse movimento que hoje atrai um bom número de seguidores fiéis e, porque não dizer, bem barulhentos e já explicamos daqui a pouco.

Para esse remake, sim remake e não não remaster, a Sony chamou um estúdio já tarimbado neste aspecto, a Bluepoint, que anteriormente já tinha produzido o excelente remake de Shadow of the Colossus de 2018. Mas aí fica a pergunta, valeu a pena esse novo remaster?

Essa é uma pergunta que requer diversas abordagens e já deixamos claro que essa análise vai apenas abordar as características do remake, sem entrar em outros méritos do jogo original, mas, como seria impossível fazer uma total desassociação, comentaremos alguns elementos do jogo de 2009.

A Bluepoint mais uma vez procurou um caminho um pouco diferente de alguns remaster que estamos vendo, como Resident Evil 2 ou até mesmo Final Fantasy VII. Ela não procurou fazer uma re-imaginação do clássico, mas sim manter a espinha dorsal do game de 2009, mas dando um visual todo novo aproveitando o poder do Playstation 5. Isso trouxe muitas melhorias, mas alguns problemas, sendo o primeiro exatamente os fãs ardorosos do jogo original.

A internet foi bombardeada de críticas, umas com razão outras nem tanto. E aí começamos propriamente dita nossa análise.

Para quem liga o jogo no Playstation 5 percebe que toda a essência de Demon’s Souls da From Software está alí, mas agora com uma roupagem totalmente nova. O gráfico do jogo está exuberante, principalmente os níveis de detalhes. Jogando em 4K e 30 frames por segundo, percebemos que a Bluepoint foi detalhista ao extremo, coisa que era inimaginável há 11 anos atrás.

Outra característica dos novos tempos é a possibilidade de se jogar a 60 frames por segundo, bem diferente do original que há muito custo chegava a 30. Apesar deste modo, desempenho, correr a 1440p, com certeza melhora e muito a fluidez do game, o que era uma das grandes críticas do jogo clássico.

A iluminação do jogo está linda e olha que Demon”s Souls não utiliza a técnica mais falada do momento, o Ray Tracing, substituindo, e bem, por outras técnicas de iluminação que se encaixaram perfeitamente na ideia que a produtora pensou.

Mas e as críticas dos fãs? Sim, elas foram direcionadas principalmente por alguns modelos de personagens e inimigos, o que realmente está diferente. O problema é que nem sempre diferente é ruim. Apesar destas mudanças terem sido criticadas, houve um bom trabalho da Bluepoint que no geral me agradou, tirando alguns inimigos que realmente ficaram com uma cara bem genérica.

A segunda grande reclamação dos fãs foi a trilha sonora. Essa sim é mais perceptível. Com certeza o estúdio achou melhor trabalhar os vazios do jogo original, preenchendo com uma trilha e efeitos mais impactantes, o que aqui achei que poderia sim ser melhor trabalhado. O silêncio que as vezes tomava conta do jogo original parecia passar uma emoção melhor do que a do Remake, mas nada que estrague a aventura de agora.

Já a parte do combate, praticamente é o mesmo jogo. Se está acostumado com o estilo “Soulslike”, vai se adaptar em poucos segundos, com seus golpes e combos. O sistema de RPG continua o mesmo, começando por moldar nosso personagem do jeito que quisermos e mudarmos no decorrer do jogo.

Já o mundo que se passa foi modificado pela Bluepoint. Se antes tínhamos uma mapa gigantesco, agora é dividido em várias áreas que estão disponíveis através do Nexus. Lembra das fogueiras? Pois bem, neste Remake ela foi substituídas por Pedras que estão no início de cada mundo.

Infelizmente as mudanças param por aí e aí entra minha principal crítica. Explico, Demon’s Souls é um jogo pra lá de difícil e muito punitivo. Muitas áreas são grandes e uma morte significa ter que refazer aquela jogatina por bastante tempo, o que acaba afastando a grande maioria dos jogadores. Fora isso, o jogo ainda continua a usar o sistema de tendência, uma coisa muito difícil de explicar e que a grande maioria dos jogadores nem tem ideia de que isso exista no jogo, o que é muito bem explicado apenas no guia oficial do jogo original.

A tendência é algo que cada nível tem a sua e ela se modifica com as ações que tomamos no game. Morrer na forma humana por exemplo nos joga na tendência das trevas, o que pode ser modificado se matarmos um Boss, o que nos joga na tendência da Luz. Essas tendências vão desbloqueando níveis especiais, novos chefões e novos caminhos. Não entendeu? Não se preocupe, realmente é algo demais de complicado, que foi retirado na série de jogos Dark Souls.

E era aí que a Bluepoint poderia ousar, mudando talvez o sistema de Tendências, tão punitivo e tão injusto com os jogadores que se dedicam ao game. Reimaginar algo é pegar algo bem e melhorá-lo ainda mais. E nisso havia espaço de sobra para o estúdio, pois Demon’s Souls, apesar de ser um clássico e um jogo que abriu caminho para uma nova categoria nos games, não era um jogo sensacional. Ele tinha diversos problemas em sua jogabilidade e gameplay que poderiam ter sido modificados.

Sei que essas mudanças poderia gerar textos intermináveis de fãs do original, mas prefiro pecar pelo ousado do que pecar pelo medo. A Bluepoint tinha que ter a mesma coragem em mudar esses aspectos da mesma forma que fez com os gráficos e com a trilha sonora, que se não são uma unanimidade, mostrou que nem toda obra prima é perfeita.

Apesar de tudo isso, Demon’s Souls da Bluepoint é um jogo excelente que merece sim toda sua atenção. Temos certeza que os fãs vão torcer o nariz para alguns pontos, mas aqueles que ainda não conheciam o jogo, perdido lá no Playstation 3 vão se divertir de mais. É o mesmo jogo? Não mesmo, tudo agora tem uma roupagem a altura do Playstation 5, mas ainda, para o bem ou para o mal, com a mesma alma do jogo original.

Confira nossa Live de Demon’s Souls:

Demon's Souls

8.5

Nota

8.5/10

Positivos

  • Gráficos
  • Jogabilidade a 60fps
  • Praticamente sem loadings
  • Som

Negativos

  • Sistema de tendências
  • Mecânicas antigas e frustrantes

Marcelo Rodrigues

Old Gamer, se aventurando no ramo dos video-games deste o Atari. Já foi só do lado "Azul" da Força, mas hoje distribui sua atenção para todas as plataformas. Apesar de jogar todos os estilos, Adventures e Plataformas ainda tem um lugar especial em seu coraçãozinho.
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